
Cresce a expectativa para os amistosos contra França, em Boston; e Croácia, em Orlando. O técnico Carlo Ancelotti ainda está moldando o time para a Copa e não tem nada definido. Principalmente no meio-campo, setor importante em qualquer esquema tático. Quem será o cérebro da equipe por ali? A coisa deve ficar entre Raphinha, do Barcelona, e Danilo, do Botafogo. A responsabilidade pela coordenação será de Casemiro, do Manchester City, pelo menos para esses dois jogos. Tem experiência e “quilometragem” internacional.
Raphinha e Paquetá estão jogando exatamente nessa função em seus clubes. E vêm dando conta do recado. Funcionam bem do meio-campo para frente. São artilheiros e capricham nos passes, deixando os companheiros na cara do “crime”. O que não acontece com Danilo, camisa 8 nato e forte marcador. Mas vai compor muito bem com Casemiro, cercando os atacantes adversários. Os dois têm no chute forte a maior virtude. Fazem muitos gols assim, aproveitando o rebote na entrada da área e sabem chegar de trás.
Danilo talvez esteja tendo uma oportunidade por ter dado conta do recado quando foi dirigido pelo filho do treinador no Botafogo. Se aconteceu, foi uma boa dica de Davide Ancelotti, fascinado pelo futebolista brasileiro. De fato, ele tem qualidades. Se não sentir o peso da camisa, pode garantir uma vaguinha. O técnico parece seguro da convocação.
Vinícius Júnior também já jogou pelo setor, embora não seja muito a sua “praia”. Ele agrada uma barbaridade quando atua caindo pelo lado esquerdo do campo, indo para cima do marcador. As recentes atuações na Liga dos Campeões têm encantado a todos. Ancelotti vem elogiando muito o camisa 7 do Real Madrid e deve mantê-lo no ataque. De bobo, o italiano não tem nada.
A carência de um camisa 10 clássico, o “cabeça-pensante”, não é de hoje. No passado, Rivellino, Gérson, Zico e Ademir Da Guia reinavam soberanos por ali. Mas o futebol foi mudando para pior. Técnicos, com medo de perder o emprego, passaram a utilizar três volantes, indo contra a tradição e a história. São poucos os times hoje que usam o clássico meia-armador. O futebol, principalmente o brasileiro, perdeu muito com isso.
O problema está nas mãos de Ancelotti. Faltam meses para o Mundial e a solução precisa ser rápida. Nada de abandonar o meio-campo e optar por uma tática mais defensiva. Essa não é a cara do futebol nacional. O treinador italiano admira a bola Verde Amarela. Vive dizendo que sobra material humano. Então, deve encontrar uma solução plausível e preservar a ofensividade.
O jogador brasileiro tem dificuldade de “correr para trás”, de marcar como o europeu. Precisa ficar livre, leve e solto para continuar encantando o mundo com grande habilidade técnica. Mesmo não sendo favorito (Espanha e França estão na frente), o Brasil pode surpreender e finalmente conquistar o hexacampeonato sambando com a bola nos pés, como nas conquistas anteriores.
E tenho dito!