
Está aberta uma “guerra” entre o técnico Carlo Ancelotti, da Seleção Brasileira, e o atacante Neymar, do Santos. Um insiste em dizer que só irá convocá-lo quando entrar em forma e estiver 100%. Não abre mão desse critério. O outro aposta no próprio talento e acredita que pode convencer o treinador com seu belo futebol, mesmo devendo fisicamente.
O jogador esteve no estádio Kings League, em Guarulhos, no dia da convocação e revelou toda sua tristeza. E com razão. Amistosos contra França e Croácia não têm tanta expressão assim e ele poderia ter ido até para ser mais bem avaliado e a voltar a conviver em um ambiente selecionável. Seria ótimo.
Ancelotti não precisava ser tão rigoroso. O camisa 10 da Vila Belmiro ainda é o melhor jogador do Brasil, de qualidade técnica incomparável. Não existe ninguém igual até no exterior. Paquetá, do Flamengo, Vinicius Júnior, do Real Madrid, e Raphinha, do Barcelona, tentaram substituí-lo, sem sucesso.
Perdeu aquele arranque espetacular do passado, é verdade. No entanto, pode ser utilizado de meia armador ou atacante caindo pela esquerda, formando dupla com Vini. Também vai ter de ser humilde e se conformar com a reserva. Pode ser um tipo de “arma secreta”. Como Messi foi para a Argentina na última Copa. Entrar alguns minutos e resolver o jogo.
Neymar também precisa colaborar. É bom dar um tempo no carteado com os amigos e na badalação noturna e se concentrar mais na preparação física. Pode não chegar a 100%, primeiro critério de corte. Mas com 70% pode, sim, amolecer o duro coração do treinador italiano e garantir um lugarzinho na cobiçada lista. Vale o “sacrifício”.
Não se pode crucificar o treinador. Ele aí está para quebrar um tabu de 24 anos sem título da Seleção Brasileira em uma Copa. O rigor disciplinar vale muito. Sem privilégios. Os técnicos brasileiros anteriores deixaram passar algumas questões nesse sentido que dificultaram o trabalho e impediram melhores resultados. Todo detalhe é importante em uma jornada internacional. Os avanços obtidos pelos europeus nas últimas décadas também não podem ser desprezados. A vinda de Ancelotti representa a última palavra em métodos modernos. Coisa inédita no Brasil.
Tomara que os dois cheguem a um “acordo”. Quem vai ganhar com isso é o futebol brasileiro. Passou da hora de erguermos taças em Mundiais, como nos velhos e bons tempos. A dupla precisa ser o mais profissional possível para falar a mesma língua e abrir um diálogo. Com um “jeitinho brasileiro”, talvez o italiano deixe se levar pela paixão e finalmente abra o coração para o futebol arte. Os 100% podem virar 70% e o craque, praticamente em fim de carreira, ter uma oportunidade de desfilar ainda o talento maravilhoso que Deus lhe deu. A esperança e a torcida são grandes.
E tenho dito!