A dança dos técnicos começou cedo

(Foto: Miguel Schincariol/Saopaulofc.net)

A dança dos técnicos é típico fenômeno do futebol brasileiro. Dirigentes não têm a menor paciência diante de resultados negativos que possam comprometê-los nos comandos dos clubes. Foi exatamente isso que ocorreu no Flamengo, por exemplo. A nova diretoria assumiu e fez uma “limpa”. Por ser ligado à gestão anterior, o competente Filipe Luís acabou no olho da rua, numa das maiores injustiças dos últimos tempos.

Outro que saiu de forma inesperada foi Hernán Crespo, no São Paulo. Ninguém esperava por isso. O time do Morumbi teve um ótimo começo de temporada e prometia um bom desempenho em todas as competições. Novamente, o técnico caiu por divergências com a atual presidência (era homem do destituído Julio Casares). Como se vê, a política fala mais alto na maioria das vezes, e a bola é deixada de lado.

É claro que as responsabilidades de Tite (Cruzeiro) e Leonardo Jardim (Flamengo) aumentaram de forma absurda. Terão de ratificar os títulos estaduais ganhos e conseguir outras conquistas.

No São Paulo, Roger Machado precisa primeiro convencer a torcida (são-paulinos não vão muito com a cara dele) e depois manter o ritmo que agradou até aqui. Já o “fanfarrão” Renato Gaúcho vai ter a ingrata missão de fazer o péssimo time do Vasco jogar bola. Fernando Diniz tentou e não conseguiu. Não vai ser fácil.

Por incrível que pareça, a paz ronda Dorival Júnior e Abel Ferreira. O treinador corintiano garantiu a tranquilidade ganhando a Supercopa. A desclassificação na semifinal do Paulistão até passou em branco. O palmeirense levou o título paulista, pondo fim a um jejum de dois anos. Isso não quer dizer que podem se sentar nos louros da glória. Pelo contrário. Qualquer deslize no Campeonato Brasileiro, na Libertadores ou na Copa do Brasil, as cobranças voltam fortes.

Não é fácil ser técnico no futebol brasileiro. Existe um imediatismo incrível por resultados positivos, o que atrapalha um bom trabalho a médio prazo. Ninguém faz milagre da noite para o dia. O profissional precisa ter um tempo para implantar um esquema que faça a equipe jogar, tenha um padrão tático. Os riscos são maiores do que as recompensas, mas vale a pena. O prazer de um título supera tudo. O negócio é ter confiança e trabalhar bastante. Esperar que a mentalidade dos dirigentes mude é tarefa inútil.

E tenho dito!