Entre a paz e a lama

Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sob o olhar frio dos números, difícil não ver com preocupação a situação do São Paulo no campeonato às vésperas do clássico contra o Palmeiras. O time está na zona de rebaixamento, local de onde tenta sair desde a 11ª rodada quando foi derrotado pelo Flamengo no Rio de Janeiro, ainda sob o comando de Rogério Ceni. Desde então, o Tricolor às vezes coloca um pé fora da lama, mas logo volta a afundar  os dois no lamaçal do descenso. Já o Palmeiras, quarto colocado no Brasileirão, na zona de classificação para a Libertadores, também sob visão racional, vive situação bem mais confortável, capaz até de despertar certa inveja no rival deste domingo.

A questão é que na prática nem tudo é o que parece ser. Nas alamedas do Palestra Itália, o clima é bem mais pesado do que no Morumbi, fruto da expectativa frustrada de ganhar a América e quiçá conquistar o mundo para por fim ao bullying dos detratores que não reconhecem a Copa Rio. Todo investimento se transformou em pó na medida que se colocaram longe de alcance as taças do Paulistão, da Copa do Brasil e da tão sonhada Libertadores da América. Cuca, o aclamado técnico campeão, agora está longe de ser unanimidade e embora diga que fica, afirmação subscrita pela diretoria, ainda é refém dos resultados e pode seguir balançando entre o prestígio e a revolta.

Por outro lado, mesmo na zona da degola, Dorival goza de mais prestígio, até mesmo de mais tranquilidade, nesta busca por resultado mais modesto: Escapar do rebaixamento.  O peso palmeirense pode aliviar os são-paulinos, cientes de que derrota pode afundar até o pescoço na lama. Para o Palmeiras não há lama à vista, mas falta a paz, a princípio, bem mais difícil de conquistar.

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