Som dos carros inspira troféu do GP São Paulo de F1

Foto: divulgação GP São Paulo de F1Os pilotos que subirem ao pódio do Grande Prêmio de São Paulo de F1 2026 vão receber em mãos uma das peças mais sofisticadas já elaboradas especialmente para uma prova da categoria. O troféu deste ano foi confeccionado com uma tecnologia inovadora, chamada Fusão Seletiva a Laser, e foi inspirado no som do motor dos carros de Fórmula 1, além de contar com diversas referências esportivas, culturais e até geográficas. A etapa brasileira, 20ª do Mundial, acontece no autódromo de Interlagos nos dias 06, 07 e 08 de novembro.

Feita de titânio, a peça é inspirada num coletor de escapamento de um motor V10, que marcou a história da Fórmula 1 pelo seu poderoso som. Cinco tubos se juntam num contorno só em meio a curvas que remetem ao autódromo de Interlagos e à história do automobilismo brasileiro. Na extremidade superior, o troféu mostra a famosa curva “S do Senna”. De outro ângulo, a “onda” da peça parece o movimento da bandeirada final de uma corrida.

As curvas dos tubos também lembram uma nota musical, tanto em referência ao som do ronco dos motores quanto à música brasileira, famosa mundialmente pelos seus ritmos e vibração. É possível perceber ainda, observando o troféu de frente, a silhueta do mapa do Brasil, com o contorno da costa. E as zebras da pista “surgem” na base da peça.

“Conforme vemos por outros ângulos, o troféu vai contando uma nova narrativa. Olhando de cima, fazemos uma homenagem à curva mais icônica de Interlagos, que é o ‘S do Senna’. Temos a representação da topografia que vemos pela TV, que é uma descida. Quando a gente vira do outro lado, a peça se assemelha a uma bandeira tremulando, a bandeira da vitória”, afirma o designer Fábio Castellotti, um dos três responsáveis pelo projeto.

O troféu, também concebido por Fernando Lambiasi e Gabriel Scholab, mistura referências do automobilismo com a música e a própria cidade de São Paulo.

“As linhas se resolvem de forma anti-horária, que tem tudo a ver com Interlagos, um dos raros circuitos com traçado anti-horário. E também temos menção ao ‘S’ e ao ‘P’, iniciais da cidade de São Paulo”, explica Castellotti. “Os cinco coletores do escapamento também representam as cinco linhas de uma partitura musical. Explorando por outros ângulos, vira uma colcheia, que é uma nota musical. É uma homenagem à ‘música’ feita pelos carros com motores V10.”

A peça foi pensada para permitir diversas interpretações a partir dos seus traços. “As pessoas podem ver diversos desenhos, como uma mão ou fibras musculares a partir da base”, afirma Castellotti. “É um troféu cheio de ‘easter eggs’”, diz o designer, ao mencionar a expressão que significa um tipo de mensagem ou referência oculta num objeto ou num filme, por exemplo. 

Alta tecnologia

A elaboração do troféu contou com a participação de um estúdio de design, o Secret Weapon, e por uma fábrica conhecida pelo pioneirismo tecnológico, a BTOMEC Ferramentaria e Usinagem de Precisão. 

O complexo processo de criação, confecção e finalização durou dez meses e juntou a tecnologia de ponta com o trabalho artesanal em uma dobradinha entre São Paulo e Joinville (SC), sede da BTOMEC. O troféu de 2026 foi produzido a partir de pó de titânio, num delicado e elaborado procedimento de fusão, chamado de “Selective Laser Melting” (SLM) ou “Fusão Seletiva a Laser”. 

Na prática, trata-se de um tipo de impressão 3D em metal a partir de um laser de alta potência para fundir completamente pó metálico, como o titânio, camada por camada. No caso do troféu do GP São Paulo de F1, foram mais de 20 mil camadas, de baixo para cima. As peças se tornam densas e resistentes. E tudo isso dentro de um forno onde a temperatura supera os 2.000 graus Celsius.

“É um processo que leva 190 horas [quase oito dias] para fazer apenas uma peça. Depois há um processo de trabalho artesanal para o acabamento final, que leva mais ou menos 500 horas também por troféu”, explica Castellotti.

A tecnologia SLM é novidade até para os engenheiros da indústria. Para se ter uma ideia, a primeira máquina de SLM surgiu no Brasil em janeiro de 2026. Foi a segunda das Américas. A primeira pertencia à famosa Boeing, que fabrica aviões, nos Estados Unidos.

Somente o custo da máquina de SLM é de US$ 3 milhões (cerca de R$ 15 milhões). No total, os troféus foram produzidos por um maquinário que alcança R$ 60 milhões, todos pertencentes à BTOMEC, empresa que trabalha há mais de 40 anos na fabricação de moldes para os mercados nacional e internacional.

O troféu do primeiro colocado pesa 5,7kg e tem 55cm de altura, 22,5cm de largura e 24,3cm de profundidade.

Todos os ingressos para asistir o GP no autódromo de Interlagos estão esgotados. Ainda restam ingressos para a F1 Fanzone do GP São Paulo, pensada para fãs do automobilismo, que acontece no kartódromo de Interlagos nos três dias do evento com shows, DJs e ativações diárias e participação de pilotos do atual grid da F1, na sexta e no sábado da corrida. Mais informações sobre a F1 Fanzone do GP São Paulo estão disponíveis no site f1saopaulo.com.br/fanzone.

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