{"id":94,"date":"2022-10-12T15:56:23","date_gmt":"2022-10-12T15:56:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=94"},"modified":"2022-10-14T20:38:12","modified_gmt":"2022-10-14T20:38:12","slug":"o-enterro-da-etica-acertos-e-erros-da-arbitragem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/10\/12\/o-enterro-da-etica-acertos-e-erros-da-arbitragem\/","title":{"rendered":"O enterro da \u00e9tica? Acertos e erros da arbitragem"},"content":{"rendered":"<p><strong>S\u00e9rie-A \u2013 Rodada 31\u00aa <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jogo 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Atl\u00e9tico GO x Palmeiras \u2013 A \u00e9tica n\u00e3o morreu<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_95\" aria-describedby=\"caption-attachment-95\" style=\"width: 893px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-95\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/atleticogoxpalmeiras.jpg\" alt=\"\" width=\"893\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/atleticogoxpalmeiras.jpg 893w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/atleticogoxpalmeiras-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/atleticogoxpalmeiras-768x418.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 893px) 100vw, 893px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-95\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Cesar Greco\/SEP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Embora nesse jogo n\u00e3o tenha havido lance pol\u00eamico, o Sr. Sandro Meira Ricci, na transmiss\u00e3o da Sport TV, fez um coment\u00e1rio t\u00e3o desastroso eticamente que n\u00e3o pode passar sem o registro de nossa indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos 07min. do segundo tempo, houve d\u00favida sobre se seria tiro de canto ou com tiro de meta, porque dois advers\u00e1rios jogaram a bola quase que simultaneamente.<\/p>\n<p>Questionado sobre o lance, o indicado comentarista saiu com a seguinte p\u00e9rola: \u201cNa d\u00favida, n\u00f3s, \u00e1rbitros, sempre marcamos tiro de meta, pois um gol n\u00e3o pode ser marcado de um escanteio duvidoso. Isto \u00e9 uma realidade.\u201d (talvez em outras palavras, mas com igual conte\u00fado, seguramente).<\/p>\n<p>Santo Deus! Isso \u00e9 a morte da \u00e9tica e revela a filosofia de arbitragem que o Sr. Sandro Meira Ricci adotava.<\/p>\n<p>Todavia, tal concep\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa, pois nunca foi, n\u00e3o \u00e9 e nunca \u2013 o que esperamos com f\u00e9 em Deus \u2013 ser\u00e1 assim.<\/p>\n<p>Registre-se que, se, como confessou, o Sr. Sandro Ricci agia de tal forma quando era \u00e1rbitro, isto n\u00e3o ocorria por for\u00e7a de instru\u00e7\u00e3o da CBF, mas por rec\u00f4ndita decis\u00e3o pessoal, centrada na conveni\u00eancia em lugar do certo; na autodefesa, por meio de esperteza nefasta; e no descompromisso com a \u00e9tica.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel dizer que quando atu\u00e1vamos como instrutor da CBF, inclusive do Sr. Sandro Ricci, provoc\u00e1vamos os \u00e1rbitros sobre como decidir os lances quando n\u00e3o tivessem convic\u00e7\u00e3o, quando estivessem em d\u00favida.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o era simples e simples deve continuar sendo, pois, de tal forma, a \u00e9tica jamais ser\u00e1 arranhada: \u201cdecidir com base em algum elemento, em algum ind\u00edcio que tenha sido visto ou sentido pelo \u00e1rbitro, ou por seus assistentes, a exemplo da posi\u00e7\u00e3o dos jogadores; da probabilidade de quem poderia jogar a bola; da for\u00e7a e da dire\u00e7\u00e3o que a bola tomou\u00a0 etc. etc., de sorte que, mesmo sem convic\u00e7\u00e3o, o \u00e1rbitro sempre tivesse alguma elemento para basear-se, sem pois, nunca, jamais \u2013 o que ressalt\u00e1vamos com muita \u00eanfase e claramente \u2013 agindo por \u201cesperteza\u201d: \u201cna d\u00favida a favor da defesa\u201d, pois isto sempre foi, \u00e9 e eternamente ser\u00e1 anti\u00e9tico; revela autodefesa covarde; aponta para fuga da responsabilidade; enfim, para a desonestidade da alma; para a exist\u00eancia de uma vida sem ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Tudo, al\u00e9m do mais, porque o mesmo dano que se causa a uma equipe quando se marca tiro de canto erradamente, \u00e9 o mesmo que se causa a outra quando se assinala tiro de meta que n\u00e3o houve. \u00c9 bom lembrar que as situa\u00e7\u00f5es de d\u00favida ocorrem frequentemente com arremessos laterais; com faltas n\u00e3o faltas; com p\u00eanaltis n\u00e3o p\u00eanaltis; etc. etc. Sendo assim, agir com a indicada e nefasta filosofia causaria dano irrepar\u00e1vel ao jogo e de modo cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9ramos enf\u00e1ticos no quesito relacionado com a barreira defensiva, quando sua posi\u00e7\u00e3o correta era sobre a linha da \u00e1rea penal. Nessa situa\u00e7\u00e3o combat\u00edamos a infeliz ideia de deslocar a barreira para frente, cujo objetivo era evitar incidentes de p\u00eanaltis.<\/p>\n<p>Diz\u00edamos n\u00f3s: \u201cn\u00e3o, absolutamente n\u00e3o. A barreira tem que ficar a 9.15m da bola. A regra deve ser cumprida. A responsabilidade de tocar a bola com a m\u00e3o \u00e9 do defensor e que deve arcar com as consequ\u00eancias. A arbitragem \u00e9 que n\u00e3o pode prejudicar a equipe atacante, seja deixando a barreira a menos de 9.15m ou colocando a bola mais para tr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>Com tais instru\u00e7\u00f5es e passadas de modo muito firme combat\u00edamos a arbitragem fraca; de conveni\u00eancia; injusta e anti\u00e9tica, enfim.<\/p>\n<p>Lembra-se que arbitrar futebol, como toda profiss\u00e3o, exige assun\u00e7\u00e3o de risco, de responsabilidade, dos quais os profissionais \u00e9ticos n\u00e3o podem fugir por conveni\u00eancia pessoal, por covardia, enfim.<\/p>\n<p>A se conceber t\u00e3o desastrosa e grave filosofia, os \u00e1rbitros seriam convidados a serem fracos mentalmente; a se acomodarem; e a decidirem contra o pr\u00f3prio futebol e a ess\u00eancia da arbitragem.<\/p>\n<p>Disso resulta que o Sr. Sandro Meira Ricci, conquanto seja livre para pensar e agir ao seu bel prazer, est\u00e1 causando dano \u00e0 arbitragem brasileira e descumprindo o objetivo de sua fun\u00e7\u00e3o, que outro n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o de ajudar os \u00e1rbitros a evolu\u00edrem, mostrando-lhes o caminho da corre\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e, por principal, o da \u00e9tica, sem que, como fazemos, inclusive nesta coluna, deixar de apontar os equ\u00edvocos cometidos e suas poss\u00edveis causas.<\/p>\n<p>O coment\u00e1rio do Sr. Sandro Meira Ricci, mais uma vez esperando ajuda de Deus, n\u00e3o pode contaminar a mente dos \u00e9ticos \u00e1rbitros do Brasil, que, conquanto cometam erros, seguramente, n\u00e3o t\u00eam origem em princ\u00edpio t\u00e3o lament\u00e1vel!<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno, nesse passo e por fim, alertar a Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF para que n\u00e3o permita que nossos \u00e1rbitros sejam influenciados por t\u00e3o deplor\u00e1vel exemplo, inclusive por alguns coment\u00e1rios t\u00e9cnicos descabidos e que ferem as regras do jogo, como, ali\u00e1s, j\u00e1 registramos em outras colunas.<\/p>\n<p>A Rede Globo, compromissada com seu papel de formadora de opini\u00e3o, n\u00e3o pode consentir que desastre anti\u00e9tico de tal ordem passe em branco e possibilite que o torcedor imagine que nossos \u00e1rbitros n\u00e3o s\u00e3o dignos. Uma provid\u00eancia haver\u00e1 de ser tomada.<\/p>\n<p>A afirmativa do Sr. Sandro Ricci, porque atinge negativamente toda a coletividade da arbitragem, tamb\u00e9m diz respeito diretamente \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Nacional de \u00c1rbitros de Futebol-ANAF.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 enterro da \u00e9tica, pois a \u00e9tica n\u00e3o morreu e n\u00e3o morrer\u00e1, conquanto apenas para os \u00e1rbitros de boa-f\u00e9; com boa \u00edndole; de forma\u00e7\u00e3o elevada; com esp\u00edrito puro. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jogo 2<\/strong><\/p>\n<p><strong>Red Bull x Cuiab\u00e1 \u2013 Penal marcado erradamente<\/strong><\/p>\n<p>O tiro penal marcado contra o Red Bull Bragantino, na disputa entre seu goleiro e um atacante advers\u00e1rio n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Embora o lance seja de fina interpreta\u00e7\u00e3o, o que, de logo, deveria impedir o VAR de atuar, a decis\u00e3o final foi errada.<\/p>\n<p>Primeiramente, deve ser dito que a imprud\u00eancia prevista na regra, para que uma falta se configure, n\u00e3o decorre pura e simplesmente da exist\u00eancia de contato entre os jogadores, mas de uma a\u00e7\u00e3o praticada pelo suposto infrator que n\u00e3o seja pura para jogar a bola ou, ainda, em que seja poss\u00edvel ao jogador antever que se n\u00e3o jogar a bola atingir\u00e1 o oponente. Tudo por ser certo que apenas o fato de haver contato n\u00e3o significa, necessariamente, ocorr\u00eancia de falta.<\/p>\n<p>Sendo assim, porque, no caso, a bola estava absolutamente dividida entre o goleiro e o atacante, n\u00e3o se poderia impedir que qualquer deles impulsionasse sua perna, seu p\u00e9 para tentar jogar a bola. Logo, quando ambos os jogadores atuam com tal objetivo e em tais circunst\u00e2ncias, o simples contato, sem outros elementos, n\u00e3o caracteriza falta, at\u00e9 porque se se considerasse como faltoso o contato provocado pelo atacante no goleiro e se se marcasse falta daquele, a conclus\u00e3o seria a de que ambos teriam atuado de forma imprudente.<\/p>\n<p>Logo, se, no caso, tanto o atacante quanto o goleiro agiram de forma igual, simultaneamente e pretendendo jogar a bola, nenhum deles atuou com imprud\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O mais importante de tudo \u00e9 que foi o atacante quem provocou o contato, pois colocou seu p\u00e9 <strong>n\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o da bola, mas na dire\u00e7\u00e3o do p\u00e9 do goleiro<\/strong>, com objetivo de impedi-lo de tocar na bola. Tendo sido assim, o provocador do contato n\u00e3o poderia ser beneficiado com a infra\u00e7\u00e3o, conquanto, igualmente, n\u00e3o tenha praticado falta, uma vez que a tentativa de proteger a bola \u00e9 pr\u00f3pria do futebol. Em resumo e como dito, ambos os jogadores atuaram de modo permitido pela regra.<\/p>\n<p>N\u00e3o fora assim, a falta, se houvesse, teria sido do atacante, pois seu p\u00e9 foi acima do n\u00edvel do p\u00e9 do goleiro, tanto que o VAR, ao analisar o lance inicialmente afirma: \u201cO atacante pisou no p\u00e9 do goleiro\u201d. O \u00e1udio do lance \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Para finalizar e em harmonia com tudo que foi dito, ainda observamos que o atacante n\u00e3o tinha a posse da bola e que, assim, sua queda n\u00e3o lhe causou sequer dano t\u00e1tico (perda da posse da bola).<\/p>\n<p>Concluindo, afirmamos que o VAR atuou mal, tanto porque n\u00e3o tinha elementos para definir se houve erro, muito menos <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong>, como, principalmente, porque, ao sugerir a indevida revis\u00e3o, contradisse toda sua pr\u00f3pria an\u00e1lise, al\u00e9m do que deixa transparecer que o VAR serviria para uma segunda oportunidade, contrariando o Protocolo do VAR. A an\u00e1lise equivocada do lance tamb\u00e9m ocorreu pelo \u00e1rbitro, ao contrariar sua decis\u00e3o inicial e ai n\u00e3o considerar os elementos ora postos.<\/p>\n<p>Tiro penal marcado indevidamente.<\/p>\n<p><strong>Jogo 3<\/strong><\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Paulo x Botafogo \u2013 Penal e expuls\u00e3o corretos \u2013 Atos de indisciplina<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_96\" aria-describedby=\"caption-attachment-96\" style=\"width: 781px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-96\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/spfcxbotafogo.jpg\" alt=\"\" width=\"781\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/spfcxbotafogo.jpg 781w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/spfcxbotafogo-300x208.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/spfcxbotafogo-768x532.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-96\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Vitor Silva\/Botafogo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar de o tiro penal marcado contra o S\u00e3o Paulo e a consequente expuls\u00e3o de seu defensor por impedir uma clara oportunidade de gol, com falta de segurar o advers\u00e1rio, serem indiscut\u00edveis e a decis\u00e3o da arbitragem, com aux\u00edlio do VAR, haver sido correta, \u00e9 imperioso que se registre o lament\u00e1vel e verdadeiro \u201ccirco\u201d que se formou, quando o \u00e1rbitro se dirigia para a \u00e1rea de revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao lado disto \u00e9 preciso ser dito que Jean Pierre, que atravessa boa fase, foi absolutamente fr\u00e1gil disciplinarmente para controlar o incidente, que somente teve solu\u00e7\u00e3o, embora muito tardiamente, por conta da atua\u00e7\u00e3o dos treinadores de ambas as equipes, principalmente de Rog\u00e9rio Ceni, pois se n\u00e3o fosse sua atua\u00e7\u00e3o, os jogadores do S\u00e3o Paulo persistiriam, n\u00e3o se sabe at\u00e9 quando, praticando a mais elevada atitude antidesportiva.<\/p>\n<p>A fragilidade disciplinar de Jean Pierre se revelou mais acentuada no momento em que Rafinha, ap\u00f3s ser punido com Cart\u00e3o Amarelo, em elevada a\u00e7\u00e3o de indisciplina e desrespeito \u00e0 arbitragem, chutou a bola para longe, mas que ficou por isso mesmo, em que pese o 4\u00ba \u00e1rbitro haver atuado como deveria: informou o \u00e1rbitro da a\u00e7\u00e3o do jogador, que, portanto, merecia o segundo Cart\u00e3o Amarelo e, por conseguinte, a expuls\u00e3o. Mas Rafinha n\u00e3o parou por a\u00ed. \u00c9 que ap\u00f3s o jogo ele ainda se dirigiu ao \u00e1rbitro de modo agressivo \u2013 seus gestos foram claros \u2013, mas, uma vez mais, n\u00e3o sofreu qualquer puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode deixar de registrar, assim, que a falta de profissionalismo dos jogadores no Brasil \u00e9 de tal ordem grande que at\u00e9 se tem impress\u00e3o de que eles desejam impedir o \u00e1rbitro de analisarem as imagens no monitor. N\u00e3o bastasse, ainda pretendem interferir nas correspondentes decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Tudo o que \u00e9 de todo lament\u00e1vel e exige uma a\u00e7\u00e3o efetiva e en\u00e9rgica da CBF, principalmente de sua Comiss\u00e3o de Arbitragem, pois o Brasil n\u00e3o tem sido paradigma a ser seguido no particular, em especial porque tem revelado in\u00e9rcia de seus \u00e1rbitros.<\/p>\n<p>Os danos de atos que tais n\u00e3o podem persistir.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rie-B \u2013 34\u00aa Rodada<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jogo 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bahia x Brusque \u2013 Cart\u00e3o Amarelo indevido para Daniel, do Bahia <\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 registramos, uma arbitragem n\u00e3o se revela positiva ou negativa apenas na raz\u00e3o direta dos acertos e erros em lances de gols, p\u00eanaltis e cart\u00f5es vermelhos. A condu\u00e7\u00e3o da partida como um todo \u00e9 igualmente importante, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de Cart\u00f5es Amarelos.<\/p>\n<p>Nesse passo, registramos o erro de Andr\u00e9 Castro ao punir Daniel do Bahia com Cart\u00e3o Amarelo, por n\u00e3o respeitar a dist\u00e2ncia de 04m do local da execu\u00e7\u00e3o de um bola ao solo.<\/p>\n<p>De fato, pois, conquanto tal dist\u00e2ncia deva ser observada, uma coisa \u00e9 o jogador estar em um local pr\u00f3ximo de onde o \u00e1rbitro vai executar o bola ao solo e outra, bem diferente, \u00e9 o jogador estar distante de tal ponto e dele se aproximar.<\/p>\n<p>No caso, foi a primeira hip\u00f3tese que ocorreu: Daniel estava pr\u00f3ximo do local onde o bola ao solo seria executado. Sendo assim, cabia ao competente e experiente Andr\u00e9 Castro, determinar que Daniel se afastasse.<\/p>\n<p>Todavia, em vez da assim agir, Andr\u00e9 Castro deu as costas para Daniel e executou o bola ao solo muito pr\u00f3ximo do jogador, que correu para a bola e obteve sua posse, como era natural que o fizesse.<\/p>\n<p>Desse modo, o correto, j\u00e1 que foi o \u00e1rbitro quem deu causa ao alcance indevido da posse da bola por Daniel, seria a repeti\u00e7\u00e3o do rein\u00edcio do jogo, mas sem puni\u00e7\u00e3o do jogador.<\/p>\n<p>Tudo porque \u00e9 do \u00e1rbitro o dever de verificar se as exig\u00eancias da regra est\u00e3o sendo atendidas para autorizar os rein\u00edcios do jogo, como ocorre nas faltas com barreira etc., valendo dizer que neste caso essa obriga\u00e7\u00e3o fica aumentada, pois \u00e9 o pr\u00f3prio \u00e1rbitro quem executa o rein\u00edcio.<\/p>\n<p>O resumo do incidente, portanto, \u00e9 que a interfer\u00eancia do \u00e1rbitro no jogo, que a regra objetiva impedir \u2013 ao determinar sua paralisa\u00e7\u00e3o e rein\u00edcio com bola ao solo quando a bola toca no \u00e1rbitro e houver vantagem para qualquer equipe \u2013, terminou ocorrendo neste caso, conquanto no aspecto disciplinar, pois o incidente foi provocado pelo \u00e1rbitro, uma vez que era dever seu, repita-se, adotar as medidas necess\u00e1rias, para evitar irregularidade no lance.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Castro, assim, agiu mal e puniu Daniel indevidamente. Faltou sensibilidade.<\/p>\n<p>Que esta an\u00e1lise sirva de exemplo e de motiva\u00e7\u00e3o para Andr\u00e9 agir conforme a regra no futuro, tanto atuando preventivamente, como usando o bom senso e n\u00e3o transferindo responsabilidade.<\/p>\n<p>Um Cart\u00e3o Amarelo aplicado indevidamente \u00e9 dano elevado.<\/p>\n<p><strong>Jogo 2<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tombense x CRB \u2013 Tiro penal n\u00e3o marcado<\/strong><\/p>\n<p>O tiro penal n\u00e3o marcado a favor do CRB no final do jogo foi claro e Rodolfo Toski errou, apesar de ter tido a oportunidade de se redimir, pois houve revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Com efeito, hoje \u00e9 indiscut\u00edvel que se um jogador estiver em a\u00e7\u00e3o de bloqueio o toque da bola em sua m\u00e3o\/bra\u00e7o, que n\u00e3o esteja colada a seu corpo, \u00e9 quase sempre faltoso, pois em tal situa\u00e7\u00e3o o jogador tem tempo e espa\u00e7o para evitar o contato.<\/p>\n<p>Logo, porque neste caso o jogador poderia ter evitado o contato, o tiro penal se caracterizou.<\/p>\n<p>Note-se que o defensor, apesar de n\u00e3o estar com seu bra\u00e7o muito separado do corpo, estava aberto o suficiente para que a bola tocasse nele e a bola fosse bloqueada, caracterizando preju\u00edzo t\u00e1tico do CRB.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse, o lance ainda tem a peculiaridade de se indagar se o goleiro do Tombense, caso n\u00e3o houvesse o bloqueio da bola, poderia defender sua meta, pois a velocidade da bola e sua posi\u00e7\u00e3o conduzem \u00e0 impress\u00e3o de que n\u00e3o havia tempo para tanto.<\/p>\n<p>Desse modo, o tiro penal tamb\u00e9m se caracterizaria, ainda que o toque da bola no bra\u00e7o do defensor fosse claramente acidental, em que pese o arbitro dever ter convic\u00e7\u00e3o absoluta de que o goleiro n\u00e3o alcan\u00e7aria a bola.<\/p>\n<p>Essa certeza, por\u00e9m, para a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi alcan\u00e7ada pelo \u00e1rbitro porque a c\u00e2mera usada \u2013 16:50 oposta \u2013 n\u00e3o tinha o devido \u00e2ngulo para a jogada.<\/p>\n<p>Desse modo, falharam o VAR e o \u00e1rbitro, pois a c\u00e2mera adequada para o lance era a do gol oposto, mas que n\u00e3o foi usada.<\/p>\n<p>Sendo assim, detecta-se que a Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF precisa intensificar os treinamentos, de modo a que o VAR e os pr\u00f3prios \u00e1rbitros saibam as c\u00e2meras que t\u00eam os \u00e2ngulos de vis\u00e3o que podem solucionar os lances complexos.<\/p>\n<p>Note-se, por isso, que uma coisa \u00e9 n\u00e3o ter imagem clara, outra \u00e9 n\u00e3o selecionar as c\u00e2meras corretas, o que \u00e9 imperdo\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor, a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie-A \u2013 Rodada 31\u00aa Jogo 1 Atl\u00e9tico GO x Palmeiras \u2013 A \u00e9tica n\u00e3o morreu Embora nesse jogo n\u00e3o tenha havido lance pol\u00eamico, o Sr. <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/10\/12\/o-enterro-da-etica-acertos-e-erros-da-arbitragem\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":96,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-94","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/spfcxbotafogo.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/96"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}