{"id":49,"date":"2022-08-10T20:19:53","date_gmt":"2022-08-10T20:19:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=49"},"modified":"2022-08-10T20:19:53","modified_gmt":"2022-08-10T20:19:53","slug":"bruno-mendez-foi-expulso-indevidamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/08\/10\/bruno-mendez-foi-expulso-indevidamente\/","title":{"rendered":"Bruno M\u00e9ndez foi expulso indevidamente"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_50\" aria-describedby=\"caption-attachment-50\" style=\"width: 2654px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-50\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/08\/000_32GA86A.jpg\" alt=\"\" width=\"2654\" height=\"1769\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/08\/000_32GA86A.jpg 2654w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/08\/000_32GA86A-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/08\/000_32GA86A-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/08\/000_32GA86A-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/08\/000_32GA86A-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 2654px) 100vw, 2654px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-50\" class=\"wp-caption-text\">Zagueiro Bruno M\u00e9ndez acabou expulso no Maracan\u00e3 (Foto: AFP\/Carl de Souza)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O sentido das regras e a ess\u00eancia do futebol devem prevalecer para interpreta\u00e7\u00e3o das faltas e infra\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>Bruno M\u00e9ndez foi expulso indevidamente.<\/p>\n<p>No jogo de volta, pelas quartas de final da Copa Libertadores, entre Flamengo e Corinthians, o defensor do time de Itaquera, Bruno M\u00e9ndez, foi expulso com Cart\u00e3o Vermelho direto, sob a alega\u00e7\u00e3o de que teria impedido uma clara oportunidade de gol, que, a nosso ver, n\u00e3o estava caracterizada.<\/p>\n<p>Embora talvez seja un\u00e2nime o entendimento dos instrutores de arbitragem de que o lance em debate caracterizou uma clara oportunidade de gol, julgamos que tal interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde ao sentido da regra e \u00e0 ess\u00eancia do futebol.<\/p>\n<p>Diz a regra, na parte relativa ao lance:<\/p>\n<p><em><strong>\u201cImpedir um gol ou uma clara oportunidade de gol<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>Quando um jogador impedir um gol ou uma clara oportunidade de gol da equipe advers\u00e1ria, com uma infra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o\/bra\u00e7o, o jogador deve ser expulso independentemente do local onde a infra\u00e7\u00e3o for cometida. &#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Devem ser consideradas as seguintes circunst\u00e2ncias:<\/em><\/p>\n<p><em>\u2022 a dist\u00e2ncia entre o local da infra\u00e7\u00e3o e a meta;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2022 a dire\u00e7\u00e3o em que a jogada se desenvolvia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2022 a possibilidade de manter ou de controlar a bola;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2022 a posi\u00e7\u00e3o e o n\u00famero de defensores.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Como visto, s\u00e3o quatro as condi\u00e7\u00f5es, conjunta e indissociavelmente, para que uma clara oportunidade de gol se caracterize.<\/p>\n<p>Se assim \u00e9, embora as condi\u00e7\u00f5es relativas \u201ca dist\u00e2ncia entre o local da infra\u00e7\u00e3o e a meta\u201d e \u201ca dire\u00e7\u00e3o em que a jogada se desenvolvia\u201d estivessem preenchidas, o mesmo n\u00e3o se dava com as exig\u00eancias atinentes \u201ca possibilidade de manter ou de controlar a bola\u201d e \u201ca posi\u00e7\u00e3o e o n\u00famero de defensores.\u201d<\/p>\n<p>Com efeito, quando a regra se refere \u00e0 posse da bola ou \u00e0 clara possibilidade de control\u00e1-la e ao n\u00famero e posi\u00e7\u00e3o dos defensores, n\u00e3o quer dizer que esses elementos s\u00e3o absolutos e, principalmente, dissociados da jogada, mas que, no momento em que a falta seja cometida, o atacante j\u00e1 deve ter a clara oportunidade de marcar o gol.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a regra exige, para justificar uma expuls\u00e3o direta, que <strong>o atacante j\u00e1 tenha clara oportunidade de marcar um gol<\/strong>, ainda que n\u00e3o imediatamente, mas no contexto da mesma jogada, ou seja, que os quatro elementos estejam presentes e bem definidos.<\/p>\n<p>Neste caso, porque o defensor do Corinthians, inegavelmente, tinha clara possibilidade de disputar a bola e at\u00e9 de ganhar sua posse, \u00e9 \u00f3bvio que Pedro ainda n\u00e3o possu\u00eda todos os elementos para caracterizar a clara oportunidade de gol, que n\u00e3o nasce da falta, mas que a ela antecede, ou seja, que j\u00e1 tem que estar definida no momento em que a infra\u00e7\u00e3o for cometida. Esta \u00e9 a chave de tudo.<\/p>\n<p>Desse modo, se o dom\u00ednio n\u00e3o era claro para Pedro, pois a bola estava dividida, j\u00e1 que os jogadores estavam lado a lado, o fato de o defensor, em vez de tentar jogar a bola, cometer a falta \u201cgraciosamente\u201d n\u00e3o fez nascer a clara oportunidade de gol, que, enfatize-se, j\u00e1 deveria estar caracterizada antes da falta.<\/p>\n<p>Afinal, n\u00e3o se pode impedir o que n\u00e3o existe, pois a regra fala em impedir uma clara oportunidade de gol, obviamente que pr\u00e9-existente.<\/p>\n<p>A regra, portanto, n\u00e3o cuida da expuls\u00e3o de um jogador que comete uma infra\u00e7\u00e3o quando a oportunidade de gol seja futura, ainda que iminente.<\/p>\n<p>Desse modo, n\u00e3o ressoa razo\u00e1vel o entendimento de que o jogador que comete a infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser considerado como um advers\u00e1rio, ainda que esteja em posi\u00e7\u00e3o de evitar que a clara oportunidade de gol se caracterize.<\/p>\n<p>A regra, em momento algum, excluiu o jogador que comete a infra\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque, por estar no contexto da jogada, \u00e9 ele que tem mais condi\u00e7\u00f5es de impedir que a clara oportunidade de gol se caracterize.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o diferente, bem diferente, todavia, ocorre quando tal defensor n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de disputar a bola com o advers\u00e1rio, porque j\u00e1 estava vencido. Nunca, portanto, quando ele ainda pode impedir o advers\u00e1rio de jogar, de obter a posse da bola. Logo, a falta cometida graciosa ou precipitadamente, por tal jogador n\u00e3o faz nascer a clara oportunidade de gol.<\/p>\n<p>Afinal, n\u00e3o \u00e9 a infra\u00e7\u00e3o que caracteriza a clara oportunidade de gol, mas o desenho t\u00e1tico da jogada, com o preenchimento claro dos quatro elementos, que n\u00e3o nascem da falta, mas que a ela devem preceder, reitere-se.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por outra raz\u00e3o que a pr\u00f3pria FIFA orienta, no que nem sempre \u00e9 seguida, que se n\u00e3o houve 100% dos requisitos previstos na regra, o jogador n\u00e3o deve ser expulso diretamente.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o, portanto, dado \u00e0 exist\u00eancia de risco para a defesa, se caracterizou como ataque promissor, que deveria dar lugar a puni\u00e7\u00e3o com Cart\u00e3o Amarelo.<\/p>\n<p>Estamos acostumados a ser vencidos em debates sobre as regras, mas, por igual, a sermos vencedores no futuro.<\/p>\n<p>Aguardemos, portanto, o amanh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor, a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sentido das regras e a ess\u00eancia do futebol devem prevalecer para interpreta\u00e7\u00e3o das faltas e infra\u00e7\u00f5es. Bruno M\u00e9ndez foi expulso indevidamente. 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