{"id":440,"date":"2025-03-29T15:30:49","date_gmt":"2025-03-29T15:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=440"},"modified":"2025-03-29T15:30:49","modified_gmt":"2025-03-29T15:30:49","slug":"a-expectativa-para-a-arbitragem-brasileira-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2025\/03\/29\/a-expectativa-para-a-arbitragem-brasileira-em-2025\/","title":{"rendered":"A expectativa para a arbitragem brasileira em 2025"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_441\" aria-describedby=\"caption-attachment-441\" style=\"width: 954px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-441 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2025\/03\/Taca.jpg\" alt=\"\" width=\"954\" height=\"632\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2025\/03\/Taca.jpg 954w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2025\/03\/Taca-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2025\/03\/Taca-768x509.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 954px) 100vw, 954px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-441\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Vitor Silva\/Botafogo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste \u00faltimo final de semana de mar\u00e7o, ser\u00e1 dada a largada do campeonato brasileiro de futebol. E a quest\u00e3o \u00e9 a expectativa para nossa arbitragem. A simples mudan\u00e7a no comando da Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF, com a substitui\u00e7\u00e3o de Wilson Seneme, que teve uma gest\u00e3o desastrosa nos \u00faltimos 03 anos, por Rodrigo Martins Cintra, por si s\u00f3, j\u00e1 nos alimenta da esperan\u00e7a de que as coisas v\u00e3o melhorar, apesar de Cintra ainda n\u00e3o ter experi\u00eancia como dirigente e, sequer, como instrutor de arbitragem, mas que em campo, quando atuou como \u00e1rbitro, revelou um conhecimento refinado das regras do jogo e da ess\u00eancia do futebol.<\/p>\n<p>Para essa esperan\u00e7a ser transformada em realidade, Rodrigo Cintra ter\u00e1 que realizar um trabalho herc\u00faleo, pois no setor h\u00e1 muitos destro\u00e7os. O primeiro e seguramente o mais importante passo a ser dado por Cintra ser\u00e1 o de resgatar a autoestima dos \u00e1rbitros, dando-lhes tranquilidade para trabalhar e os acolhendo quando errarem, sem, pois, os expor a puni\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, que a nada conduzem, mas s\u00f3 enfraquecem o moral dos \u00e1rbitros, como fez Seneme, sobretudo de modo seletivo, para escamotear suas falhas e transferir a responsabilidade pelos erros de sua administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse acolhimento, todavia, n\u00e3o significa deixar de atribuir as devidas responsabilidades aos que errarem. Para estes, orienta\u00e7\u00f5es e treinamentos ser\u00e3o indispens\u00e1veis, assim como um maior n\u00famero de designa\u00e7\u00f5es para os mais competentes deve acontecer. Agindo assim, Rodrigo Cintra j\u00e1 ter\u00e1 dado um grande passo, que, todavia, n\u00e3o ser\u00e1 o bastante. Al\u00e9m disso, \u00e9 imperioso que seja adotada uma forma de arbitragem segura e tecnicamente harmonizada com as regras do futebol, por meio de a\u00e7\u00f5es que resgatem a autoridade dos \u00e1rbitros, a fluidez do jogo e a \u00e9tica que desapareceram de nossos campos.<\/p>\n<p>Para tanto, ser\u00e3o necess\u00e1rias medidas t\u00e9cnicas e disciplinares bem definidas e padronizadas. Exemplos de algumas delas s\u00e3o: n\u00e3o permitir interfer\u00eancia externa de treinadores e jogadores reservas, que exageram em reclama\u00e7\u00f5es e invas\u00f5es de campo, que normalmente t\u00eam passado sem a devida atitude da arbitragem; tamb\u00e9m \u00e9 preciso combater firmemente o que at\u00e9 j\u00e1 virou uma nefasta tradi\u00e7\u00e3o de nosso esporte: o fato de os jogadores impedirem as cobran\u00e7as r\u00e1pidas das faltas e as recoloca\u00e7\u00f5es da bola em disputa pelos goleiros, sem que os \u00e1rbitros adotem qualquer medida; ademais, \u00e9 preciso acabar com as marca\u00e7\u00f5es de impedimentos vencidos, quando a bola j\u00e1 estiver na posse livre da defesa, principalmente nas m\u00e3os dos goleiros, pois essas paralisa\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de ferirem a regra de ouro da vantagem, prejudicam absurdamente a fluidez do futebol; de igual modo, \u00e9 imperioso que haja respeito \u00e0 regra do jogo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s infra\u00e7\u00f5es de m\u00e3o na bola, que exigem que se leve em conta os movimentos feitos pelos jogadores, quer estejam tentando jogar ou disputar a bola, quando os bra\u00e7os s\u00e3o necess\u00e1rios para lhes dar equil\u00edbrio, impulso e\/ou velocidade, quer em situa\u00e7\u00f5es que ocorram fora do contexto das jogadas, ou seja, em dist\u00e2ncia apenas h\u00e1bil para os bloqueios da bola, que requerem pleno cuidado com os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Tudo, enfim, sem dar a falsa impress\u00e3o de que os bra\u00e7os abertos, por si s\u00f3, s\u00e3o sin\u00f4nimos de falta, tampouco que os fechados s\u00e3o excludentes de infra\u00e7\u00e3o. A an\u00e1lise dos movimentos praticados pelos jogadores e os contextos das jogadas \u00e9 que s\u00e3o a base de tudo; outrossim, \u00e9 preciso respeitar o sentido da regra no t\u00f3pico entradas (carrinhos), porquanto o tocar a bola, por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 excludente de infra\u00e7\u00e3o, tampouco n\u00e3o tocar caracteriza falta. A regra, neste particular, objetiva preservar a integridade f\u00edsica dos jogadores. Logo, havendo risco de les\u00e3o a\u00ed estar\u00e1 a falta, com ou sem toque na bola. Em contrapartida, n\u00e3o havendo risco de les\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 falta, ainda que a bola n\u00e3o seja tocada; igualmente importante, \u00e9 a quest\u00e3o das j\u00e1 vulgares, comuns mesmo paralisa\u00e7\u00f5es do jogo, quando um jogador cai, mas sem ind\u00edcio ou sintoma de gravidade.<\/p>\n<p>A regra prev\u00ea as hip\u00f3teses em que o jogo deve ser paralisado. Essa pr\u00e1tica tem sido agravada com atendimento dos jogadores em campo at\u00e9 para pis\u00e3o em unha, ainda que n\u00e3o encravada; tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que o \u00e1rbitro de futebol n\u00e3o se compara a \u00e1rbitro de box. Desse modo, salvo r\u00e1pidas a\u00e7\u00f5es preventivas, o \u00e1rbitro n\u00e3o pode entrar quase que em luta corporal para separar jogadores que se hostilizam e, por consequ\u00eancia, perder a vis\u00e3o geral dos incidentes; tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esquecer do posicionamento dos \u00e1rbitros em campo, pois hoje o s\u00e1bio e eficiente sistema da diagonal est\u00e1 em desuso e o que se v\u00ea s\u00e3o \u00e1rbitros correndo para l\u00e1 e para c\u00e1 desenfreadamente e sem analisar o contexto das jogadas. Por isso comumente atrapalham o jogo e n\u00e3o t\u00eam boa vis\u00e3o das jogadas. Os deslocamentos dos \u00e1rbitros devem ser t\u00e1ticos, n\u00e3o apenas f\u00edsicos; no campo da tecnologia, o VAR precisa de um padr\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o bem definido e esclarecido para todo o mundo do futebol: corrigir erro claro, \u00f3bvio e com base, exclusivamente, em imagem clara, indiscut\u00edvel.<\/p>\n<p>Nesse passo, vale dizer que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o erro seja grosseiro, basta que seja claro. Tamb\u00e9m \u00e9 imprescindivel esclarecer que a atua\u00e7\u00e3o do VAR n\u00e3o depende de seu di\u00e1logo com o \u00e1rbitro, pois, afinal, quando \u00e9 preciso saber o que o \u00e1rbitro viu ou interpretou, n\u00e3o se estar\u00e1 diante de erro claro, \u00f3bvio. Logo, o di\u00e1logo do VAR com o \u00e1rbitro tem efeito meramente secund\u00e1rio e nunca principal ou definitivo. Ainda sobre os VARs, \u00e9 preciso orient\u00e1-los sobre o plano de c\u00e2meras de modo a agilizar e aperfei\u00e7oar seu trabalho, sem depender dos operadores, que podem ajudar, mas que n\u00e3o s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo resultado. O VAR deve ser como um detetive: colocar o foco de sua lanterna, a partir da c\u00e2mera certa, para clarear a imagem que precisa ser vista.<\/p>\n<p>Ponto extremamente relevante neste particular \u00e9 a an\u00e1lise dos lances em todo o seu conjunto, com as imagens em din\u00e2mica e nas velocidades que cada caso requerer, assim como com 01 ou 02 segundos antes e depois dos incidentes, nunca com a imagem parada, pois o ponto de contato que a imagem parada revela \u00e9 apenas um elemento a ser analisado. Afirme-se, por isso, que o dom\u00ednio da tecnologia faz parte do of\u00edcio do VAR, como est\u00e1 previsto em nosso projeto, mas que, lamentavelmente, vem perdendo sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Em resumo e como visto apenas com essas diretrizes, as defici\u00eancias de nossa arbitragem s\u00e3o muitas e o trabalho a ser feito \u00e9 imenso, exige paci\u00eancia e perseveran\u00e7a. N\u00e3o obstante, se evoluirmos apenas nesses aspectos j\u00e1 teremos dado um passo grande e muito \u00fatil para nosso futebol. Para quase encerrar, fa\u00e7o um alerta a Rodrigo Martins Cintra: o tal Conselho de &#8220;not\u00e1veis&#8221;, que \u00e9 mais fruto de jogada pol\u00edtica do presidente da CBF do que busca de efici\u00eancia, deve ser ouvido com a devida cautela, pois o comando \u00e9 de quem est\u00e1 no batente.<\/p>\n<p>Por fim, Rodrigo Cintra, sugiro que voc\u00ea atue de frente com o mundo do futebol, reconhecendo os erros quando eles ocorrerem, pois isto al\u00e9m de ser imperativo eticamente, ao contr\u00e1rio do que se imagina, protege os \u00e1rbitros, a CBF e o pr\u00f3prio futebol. Desejo Sorte para voc\u00ea Rodrigo Martins Cintra e para seus pares, assim como para nossos \u00e1rbitros e para nosso futebol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste \u00faltimo final de semana de mar\u00e7o, ser\u00e1 dada a largada do campeonato brasileiro de futebol. 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