{"id":362,"date":"2024-09-20T13:23:29","date_gmt":"2024-09-20T13:23:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=362"},"modified":"2024-09-20T13:23:29","modified_gmt":"2024-09-20T13:23:29","slug":"var-sul-americano-e-europeu-diferencas-abissais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2024\/09\/20\/var-sul-americano-e-europeu-diferencas-abissais\/","title":{"rendered":"VAR sul-americano e europeu &#8211; diferen\u00e7as abissais"},"content":{"rendered":"<p>As diferen\u00e7as entre o VAR sul-americano e o europeu s\u00e3o muito grandes, tanto na atua\u00e7\u00e3o quanto nos conceitos filos\u00f3ficos. De fato, pois enquanto na Conmebol e particularmente no Brasil, o V AR \u00e9 muito intervencionista, agindo inclusive para analisar lances muito duvidosos, na Europa e em especial na Premier League, d\u00e1-se exatamente o contr\u00e1rio, ou seja, o VAR atua pouco e, \u00e0s vezes, \u00e9 at\u00e9 omisso, porquanto, mesmo diante de faltas claras, vez por outra, o VAR de l\u00e1 n\u00e3o atua.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Europa no aspecto conceitual se deve \u00e0 equivocada ideia de prestigiar a decis\u00e3o de campo, quando o \u00e1rbitro estiver bem colocado, ou porque o erro n\u00e3o teria sido &#8220;grosseiro&#8221;. Em contrapartida, em nossa Am\u00e9rica n\u00e3o \u00e9 raro o VAR atuar at\u00e9 para definir se houve ou n\u00e3o falta. Ambas as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o inaceit\u00e1veis e ferem o objetivo do uso da tecnologia.<\/p>\n<p>Para afastar essa injustific\u00e1vel incongru\u00eancia, que vem tirando da arbitragem e do pr\u00f3prio futebol seu basilar princ\u00edpio de universalidade, \u00e9 necess\u00e1rio que se encontre, com urg\u00eancia, um ponto de equil\u00edbrio, para afastar os particular\u00edsmos e, portanto, para ser aplicado mundial e uniformemente, at\u00e9 para n\u00e3o tornar vulner\u00e1veis as normas da International Board e, desse modo, n\u00e3o quebrar a hierarquia entre os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pelo futebol, a exemplo da pr\u00f3pria FIFA quando inova em seus torneios sem participa\u00e7\u00e3o da International Board.<\/p>\n<p>Agravando o atual cen\u00e1rio, ainda temos a ignor\u00e2ncia, na real acep\u00e7\u00e3o da palavra, de muitos dos agentes do futebol, destacando-se alguns t\u00e9cnicos e jogadores e parte da imprensa especializada que, por nada ou pouco conhecerem, ora desejam o uso da tecnologia sem limites e at\u00e9 por iniciativa do pr\u00f3prio \u00e1rbitro, ou seja, sem provoca\u00e7\u00e3o do VAR, o que \u00e9 inconceb\u00edvel, e em outros instantes pretendem que o VAR s\u00f3 atue em lances grosseiros. Todas essas concep\u00e7\u00f5es, por \u00f3bvio, ferem a filosofia dessa extraordin\u00e1ria ferramenta, como ela \u00e9 e como a concebemos em nosso projeto encaminhado pela CBF \u00e0 FIFA\/IFAB, em 2015, nas gest\u00f5es de Marco Polo Del Nero e de Sergio Correa, que atuavam com responsabilidade institucional.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, assim, \u00e9 o que fazer e como fazer para encontrar um ponto de equil\u00edbrio que afaste esses indesejados e inconsistentes extremos. Como se n\u00e3o bastasse, o que comprova que ambos os sistemas est\u00e3o errados, h\u00e1 constantes oscila\u00e7\u00f5es, ora para mais, ora para menos, de ambas as entidades, ou seja, ora a Conmebol atua como se fosse a Europa e vice-versa. O alcance desse ponto de equil\u00edbrio passa, antes de tudo, pelo respeito e mentaliza\u00e7\u00e3o, por toda a comunidade do futebol, da raz\u00e3o de ser do VAR: Corrigir &#8220;erros claros, \u00f3bvios&#8221;, nos lances de sua compet\u00eancia.<\/p>\n<p>A tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, at\u00e9 porque haver\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que provocar\u00e3o d\u00favida, tanto sobre se o VAR deveria interferir, como, mesmo interferindo, se a decis\u00e3o tomada seria a correta. Essa margem, todavia, ser\u00e1 muito estreita se o indicado princ\u00edpio do &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221; for respeitado. \u00c9 bom dizer, n\u00e3o obstante, que &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221; n\u00e3o se confunde necessariamente com erro grosseiro, que, para alguns, seria o \u00fanico a ensejar a interfer\u00eancia do VAR. De outro lado, tambem \u00e9 fato que o &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221; dificilmente se caracteriza em lances de fina interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante e em contrapartida, quem sabe a ess\u00eancia do futebol concebe que uma leve a\u00e7\u00e3o de empurrar um advers\u00e1rio com os bra\u00e7os, em especial pelas costas e separados do corpo do jogador que empurra e que fa\u00e7a o advers\u00e1rio perder o tempo da jogada, pode caracterizar &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221; e assim provocar a atua\u00e7\u00e3o do VAR. Exigir que o empurr\u00e3o seja grosseiro, acintoso ou mesmo confundi-lo, nas condi\u00e7\u00f5es referidas, com carga por busca de espa\u00e7o, em que os bra\u00e7os n\u00e3o podem ser usados, corresponde a desconhecer a regra, seu esp\u00edrito e a ess\u00eancia do futebol.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso afastar a equivocada ideia de que se o \u00e1rbitro estiver bem colocado o VAR, s\u00f3 por isso, n\u00e3o deve atuar. Este \u00e9 um grande engano, um enorme engano, porquanto o \u00e1rbitro pode estar muito bem colocado e errar, assim como mal posicionado e acertar. O que importa, destarte, \u00e9 definir se houve ou n\u00e3o &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221;, com base em imagens claras, possibilitando ou n\u00e3o a atua\u00e7\u00e3o do VAR, independentemente de o \u00e1rbitro estar bem ou mal colocado, reitere-se. Tudo deve ser, portanto e vale repetir, centrado na filosofia do &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221;, nas regras do jogo e na ess\u00eancia do futebol, o que somente ser\u00e1 alcan\u00e7ado com instrutores e \u00e1rbitros competentes e compromissados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ser\u00e1 indispens\u00e1vel, absolutamente indispens\u00e1vel, que o VAR tenha a plena e inafast\u00e1vel consci\u00eancia de que sua fun\u00e7\u00e3o jamais pode servir para dar uma segunda oportunidade para o \u00e1rbitro rever os lances e, muito menos, para que o pr\u00f3prio VAR se exima de sua responsabilidade de definir se houve ou n\u00e3o &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221; e, assim, transferir para o \u00e1rbitro esse encargo, o que ser\u00e1 um verdadeiro desastre t\u00e9cnico, profissional e de \u00e9tica ! Se \u00e9 verdade que n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil definir com seguran\u00e7a o que \u00e9 um &#8220;erro &#8220;claro, \u00f3bvio&#8221;, mais verdade ainda \u00e9 que se n\u00e3o houver persegui\u00e7\u00e3o dessa fronteira, alcance desses princ\u00edpios, dessa consci\u00eancia profissional e dessa filosofia, o VAR continuar\u00e1 inconsistente e fadado a frustrar a expectativa que o mundo do futebol concebeu. Ser\u00e1 um sonho desvanecido!<\/p>\n<p>Desse modo, se pretendemos um VAR coerente, que cumpra o princ\u00edpio da universalidade do futebol e que respeite as regras do jogo e sua ess\u00eancia, devemos eliminar essas distor\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, protocolares e at\u00e9 anti\u00e9ticas. Para tanto, os \u00e1rbitros precisam ser retreinados, al\u00e9m de em outros aspectos, para, salvo as situa\u00e7\u00f5es de delay da bandeira e\/ou do apito, atuarem como se n\u00e3o houvesse VAR. De seu turno, os profissionais que trabalham como VAR devem ser igual e rigorosamente reinstru\u00eddos para mais incutirem o princ\u00edpio do &#8220;erro claro, \u00f3bvio&#8221; e mais afastarem a infeliz concep\u00e7\u00e3o de dar uma segunda oportunidade ao \u00e1rbitro para rever os lances, bem como para deixarem de lado a ideia de erro grosseiro, tudo independentemente da coloca\u00e7\u00e3o do \u00e1rbitro em campo, repita-se, reitere-se por indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ademais, tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1ria uma forte campanha de divulga\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do VAR para todos os agentes do futebol. Somente agindo assim resgataremos o tempo perdido e alcan\u00e7aremos o objetivo filos\u00f3fico do VAR e, portanto, teremos um futebol mais justo, \u00e9tico e universalizado. Os lances complexos, n\u00e3o claros sobre o sim ou o n\u00e3o, que, por isso, jamais alcan\u00e7ar\u00e3o conclus\u00f5es incontroversas, n\u00e3o contaminar\u00e3o o objetivo e a utilidade do VAR. Tenho dito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As diferen\u00e7as entre o VAR sul-americano e o europeu s\u00e3o muito grandes, tanto na atua\u00e7\u00e3o quanto nos conceitos filos\u00f3ficos. De fato, pois enquanto na Conmebol <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2024\/09\/20\/var-sul-americano-e-europeu-diferencas-abissais\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":258,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2024\/04\/20240408-001308_2023848_3047-1-scaled.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/258"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}