{"id":196,"date":"2023-09-18T03:01:52","date_gmt":"2023-09-18T03:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=196"},"modified":"2023-09-18T03:01:52","modified_gmt":"2023-09-18T03:01:52","slug":"botafogo-vitima-de-regra-ruim-e-de-interpretacoes-equivocadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2023\/09\/18\/botafogo-vitima-de-regra-ruim-e-de-interpretacoes-equivocadas\/","title":{"rendered":"Botafogo: v\u00edtima de regra ruim e de interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_197\" aria-describedby=\"caption-attachment-197\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-197\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k.jpg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1365\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k.jpg 2048w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-197\" class=\"wp-caption-text\">Diego Costa em a\u00e7\u00e3o contra o Atl\u00e9tico-MG (Foto: Vitor Silva\/Botafogo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A ess\u00eancia do futebol exige que suas regras sejam harm\u00f4nicas em todo o seu conjunto, a fim de disciplinar os jogos como um todo e n\u00e3o que haja um amontoado de crit\u00e9rios distintos para lances filosoficamente semelhantes.<\/p>\n<p>O Botafogo, ao menos nos jogos contra o Flamengo e contra o Atl\u00e9tico Mineiro foi v\u00edtima tanto de regra ruim como de interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas.<\/p>\n<p>No jogo com o Flamengo, o lance do tiro penal claro, embora muito pouco comentado ou, at\u00e9, analisado equivocadamente, foi um grande erro de arbitragem, sobretudo porque o VAR, provavelmente, foi \u201cengolido\u201d pela an\u00e1lise de campo.<\/p>\n<p>Com efeito, aos 34 minutos da primeira etapa, um defensor do Flamengo, ao pressentir que a bola passaria por ele, deslocou sua m\u00e3o de cima para baixo na dire\u00e7\u00e3o da bola e cometeu um tiro penal, que se caracterizou por a\u00e7\u00e3o claramente deliberada. Tanto foi assim que o defensor recolheu seu bra\u00e7o com muita rapidez para ocultar sua a\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o ocorreria se o contato fosse acidental e\/ou se seu bra\u00e7o, no momento do toque, estivesse em posi\u00e7\u00e3o natural. O lance Incidiu em texto expresso da regra de m\u00e3o: \u201ccolocar a m\u00e3o\/bra\u00e7o na dire\u00e7\u00e3o da bola\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a equipe VAR n\u00e3o recomendou a devida revis\u00e3o, como dito, supostamente \u201cengolida\u201d pela narrativa do \u00e1rbitro central, em que pese as imagens demonstrarem ostensivamente a inten\u00e7\u00e3o do toque.<\/p>\n<p>Aqui, o Botafogo foi v\u00edtima de uma equivocada interpreta\u00e7\u00e3o, tanto da equipe de campo como do VAR.<\/p>\n<p>No mesmo jogo, ainda houve uma falta indiscut\u00edvel a favor do Botafogo, antes do segundo gol do Flamengo, que n\u00e3o foi marcada.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito desta falta, \u00e9 bom lembrar que os contatos entre jogadores que est\u00e3o lado-a-lado e que podem n\u00e3o ser faltosos, desde que n\u00e3o haja uso dos bra\u00e7os para segurar ou empurrar, s\u00e3o bem distintos daqueles em que o contato \u00e9 nas costas, especialmente se houver uso dos bra\u00e7os, quando, salvo se absolutamente insignificantes, s\u00e3o sempre faltosos, como foi o caso, uma vez que o jogador do Botafogo foi empurrado pelas costas, caiu e perdeu a posse da bola.<\/p>\n<p>Raphael Claus, um dos mais competentes \u00e1rbitros da atualidade, precisa tomar cuidado para n\u00e3o ser envolvido por um sistema de arbitragem<\/p>\n<p>centrado na errada ideia de deixar o jogo seguir, n\u00e3o marcando \u201cpequenas faltas\u201d. Falta \u00e9 falta, grande ou pequena, que s\u00f3 pode deixar de ser marcada quando houver vantagem.<\/p>\n<p>\u00c9 bom ressalvar que neste lance o VAR nada poderia fazer, pois a fase de ataque (a denominada APP) j\u00e1 havia sido superada tanto pelo tempo (32 segundos), como pela longa sequ\u00eancia de passes dada pelo Flamengo, ocorridos entre a falta n\u00e3o marcada e o gol assinalado.<\/p>\n<p>Por conseguinte, este erro, apesar de ter sido de exclusiva responsabilidade da equipe de campo, teve clara interfer\u00eancia no desenvolvimento do jogo, por ser certo que, se a falta fosse marcada, a partida teria outro curso e o gol, ao menos na mesma sequ\u00eancia, n\u00e3o seria marcado.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no jogo contra o Atl\u00e9tico Mineiro, o gol que daria o empate ao Botafogo foi anulado indevidamente.<\/p>\n<p>Neste caso, al\u00e9m da regra ruim, houve t\u00e9cnica de arbitragem deficiente; interpreta\u00e7\u00e3o equivocada do conceito de desvio; e ferimento ao Protocolo do VAR.<\/p>\n<p>A regra ruim e que revela mil incongru\u00eancias para a ess\u00eancia do jogo consiste nos seguintes fatos:<\/p>\n<p>a) um toque na bola por um defensor que n\u00e3o seja deliberado, mesmo que mude claramente a trajet\u00f3ria da bola, como foi o caso, n\u00e3o habilita um atacante que esteja em posi\u00e7\u00e3o de impedimento na origem. Ao dispor assim, a regra fere o princ\u00edpio de causa e efeito, ou seja, a raz\u00e3o pela qual a bola foi para o atacante que inicialmente estava em posi\u00e7\u00e3o de impedimento;<\/p>\n<p>b) em contrapartida e n\u00e3o obstante, um toque em um atacante, por mais sutil, involunt\u00e1rio e que n\u00e3o interfira na trajet\u00f3ria da bola caracteriza nova jogada e coloca em posi\u00e7\u00e3o de impedimento o atacante que inicialmente estivesse em posi\u00e7\u00e3o legal;<\/p>\n<p>c) por consequ\u00eancia de tudo, a regra trata diferentemente os toques na bola por atacantes e defensores, quebrando o princ\u00edpio da igualdade;<\/p>\n<p>d) mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. Ademais, tais disposi\u00e7\u00f5es ferem a filosofia propagada pela FIFA de prestigiar o gol.<\/p>\n<p>e) Por fim, a pr\u00f3pria regra cria dificuldades muito elevadas para os \u00e1rbitros sobre a distin\u00e7\u00e3o entre o \u201cjogar deliberadamente\u201d e o<\/p>\n<p>\u201cdesviar a bola\u201d, sobretudo com a mais recente orienta\u00e7\u00e3o sobre o fato de o jogador ter dom\u00ednio de seu corpo para a a\u00e7\u00e3o que pratica, considerando as circunst\u00e2ncias de a bola encontrar-se no solo, no ar e\/ou de a jogada ser com a cabe\u00e7a ou com os p\u00e9s, o que termina por conduzir a impress\u00e3o de que os jogadores, embora isto seja da ess\u00eancia do futebol, s\u00f3 estejam habilitados para jogar com os p\u00e9s e com a bola sobre o solo! Absurdo que nega a capacidade dos jogadores e a ess\u00eancia do futebol.<\/p>\n<p>O certo, pois, a nosso entender e como j\u00e1 sugerimos \u00e0 IFAB-International Football Association Board e \u00e0 pr\u00f3pria FIFA, seria a regra respeitar o princ\u00edpio da causa e efeito, ou seja, definir a raz\u00e3o pela qual a bola chega a um atacante que esteja em posi\u00e7\u00e3o de impedimento. Assim, se a bola tiver sua trajet\u00f3ria desviada e passar a ser a causa pela qual o atacante que estava em posi\u00e7\u00e3o de impedimento passou a interferir no lance, n\u00e3o deveria haver infra\u00e7\u00e3o, independentemente da forma como o defensor jogou ou mesmo de a bola haver rebotado nele e\/ou de estar pressionado por outro advers\u00e1rio, mesmo em bolas jogadas de perto e em alta velocidade. Tudo seria centrado no princ\u00edpio da causa e efeito, que beneficiaria o futebol, possibilitaria mais gols e eliminaria a complexidade que a regra hoje revela.<\/p>\n<p>Esse sistema, al\u00e9m do mais, n\u00e3o seria injusto, pois ambas as equipes seriam tratadas igualmente, circunst\u00e2ncia que hoje n\u00e3o ocorre, pois as interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o conflitantes: ora sim, ora n\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso do gol do Botafogo contra o Atl\u00e9tico-MG, todavia, mesmo considerando, como \u00e9 de dever, a atual disposi\u00e7\u00e3o da regra, \u00e9 indiscut\u00edvel que o gol foi legitimo e, portanto, que n\u00e3o deveria ser anulado. Afinal, jogar bem ou mal \u00e9 pr\u00f3prio do futebol e a regra n\u00e3o pode proteger o jogador que joga mal, ainda que por cansa\u00e7o, muito menos por defici\u00eancia t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>No caso, a bola veio de longe; com velocidade baixa; o defensor se deslocou para a bola (atacou a bola); praticou seu movimento com plena liberdade; e chutou a bola com claro conforto, em que pese a proximidade de um advers\u00e1rio, que n\u00e3o pode ser confundida com o ato de disputar a bola.<\/p>\n<p>Disso resulta que o competente Bruno Pires analisou muito mal a jogada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi s\u00f3. Ademais, como recomenda a boa t\u00e9cnica de arbitragem, at\u00e9 pela dist\u00e2ncia que Bruno estava do lance, o certo seria n\u00e3o levantar a<\/p>\n<p>bandeira, tampouco correr para o meio do campo. Assim, Bruno deveria ter feito contato visual e verbal com o \u00e1rbitro, embora se adotasse a postura de nem levantar a bandeira nem correr para o meio do campo j\u00e1 significasse que havia posi\u00e7\u00e3o de impedimento e que o \u00e1rbitro deveria decidir se o defensor jogou deliberadamente ou desviou a bola, sendo certo que poderia opinar, mas n\u00e3o decidir, como fez.<\/p>\n<p>T\u00e9cnica de arbitragem \u00e0 parte, pois aqui reside o erro principal, justamente porque o jogo contava, como contou, com aux\u00edlio do VAR, o correto seria que este recomendasse a revis\u00e3o do lance, pois as imagens demonstram que houve clara jogada deliberada, que \u00e9 situa\u00e7\u00e3o interpretativa e n\u00e3o de fato, quando uma revis\u00e3o n\u00e3o precisa ser feita.<\/p>\n<p>Houve, pois, erro de interpreta\u00e7\u00e3o e de ferimento ao Protocolo VAR.<\/p>\n<p>Diante de tudo, ainda cumpre demonstrar a incongru\u00eancia da regra no particular e que \u00e9 mais uma raz\u00e3o para acolhimento da sugest\u00e3o que oferecemos. Com efeito, se o toque na bola fosse dado pelo atacante que estava pr\u00f3ximo do defensor, o gol seria v\u00e1lido, uma vez que nasceria nova jogada. Resultado: a bola vinda de um oponente o gol \u00e9 ilegal, mas vinda de um companheiro seria legal.<\/p>\n<p>Para mais demonstrar que houve jogada deliberada do defensor do Atl\u00e9tico-MG, cabe lembrar o princ\u00edpio da ess\u00eancia do futebol, que exige que suas regras sejam harm\u00f4nicas em todo o seu conjunto. \u00c9 que se naquela situa\u00e7\u00e3o a bola tocasse no bra\u00e7o do defensor que jogou a bola, ainda que de modo acidental, haveria infra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o, em raz\u00e3o da dist\u00e2ncia de onde a bola foi jogada e de sua velocidade, pois o defensor deveria agir com cautela e cuidar dos bra\u00e7os. Se assim seria, \u00e9 justamente porque o defensor teve tempo para jogar a bola deliberadamente, como o fez, afinal. Gol anulado irregularmente.<\/p>\n<p>Nesses dois jogos, portanto, o Botafogo ou foi v\u00edtima de regra ruim e\/ou de interpreta\u00e7\u00e3o equivocada.<\/p>\n<p>Por isso e como desejamos que o futebol tenha regras e interpreta\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas, ainda cabe comparar o lance do gol anulado do Botafogo contra o Atl\u00e9tico-MG, com o gol contra feito pelo pr\u00f3prio Botafogo a favor do Flamengo, que foi claramente regular, pois em nenhum deles os defensores sofreram press\u00e3o de seus advers\u00e1rios, al\u00e9m do que tiveram tempo e espa\u00e7o para jogar deliberadamente, como fizeram.<\/p>\n<p>De outro lado, vale lembrar que o gol contra do Botafogo a favor do Flamengo, que foi regular, repita-se, refor\u00e7a a certeza de que o gol do Vasco contra o Palmeiras tamb\u00e9m foi legal, ao contr\u00e1rio do que disse a Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF, surpreendendo o mundo da arbitragem.<\/p>\n<p>A CBF, por meio de sua comiss\u00e3o espec\u00edfica, precisa descobrir o caminho das pedras, ou melhor, de uma arbitragem coerente, de modo a dar seguran\u00e7a \u00e0s competi\u00e7\u00f5es que coordena e legitimidade aos resultados dos jogos.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ess\u00eancia do futebol exige que suas regras sejam harm\u00f4nicas em todo o seu conjunto, a fim de disciplinar os jogos como um todo e <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2023\/09\/18\/botafogo-vitima-de-regra-ruim-e-de-interpretacoes-equivocadas\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":197,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-196","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/09\/53192348019_5ff1de2053_k.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}