{"id":181,"date":"2023-07-11T00:46:15","date_gmt":"2023-07-11T00:46:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=181"},"modified":"2023-07-11T00:48:12","modified_gmt":"2023-07-11T00:48:12","slug":"raio-x-da-arbitragem-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2023\/07\/11\/raio-x-da-arbitragem-brasileira\/","title":{"rendered":"Raio-x da arbitragem brasileira"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_182\" aria-describedby=\"caption-attachment-182\" style=\"width: 799px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-182\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c.jpg 799w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-182\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rodrigo Ferreira\/CBF<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Quanto mais s\u00e3o subjetivos os crit\u00e9rios de arbitragem, menos consistentes e l\u00f3gicas s\u00e3o suas decis\u00f5es e, por consequ\u00eancia, o mundo do futebol cada vez mais se sente inseguro sobre o que \u00e9 certo ou errado; sobre o que \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 falta.<\/strong><\/p>\n<p>A arbitragem brasileira, contrariando o progn\u00f3stico alardeado por Wilson Seneme, presidente da Comiss\u00e3o, no sentido de que ap\u00f3s os treinamentos realizados sob seu comando tudo se resolveria, passa, dia ap\u00f3s dia, por momentos cada vez mais dif\u00edceis, em raz\u00e3o de decis\u00f5es equivocadas e sobretudo conflitantes entre lances muito an\u00e1logos, sen\u00e3o iguais.<\/p>\n<p>O mais grave \u00e9 que Seneme tem sustentado como corretas algumas decis\u00f5es, talvez para esconder erros (os \u00e1rbitros nem precisam nem querem essa prote\u00e7\u00e3o!), mas que o colocam em palpos de aranha quando, no \u201cdia seguinte\u201d, h\u00e1 uma decis\u00e3o conflitante com a anterior sobre o mesmo tipo de lance.<\/p>\n<p>Para ilustrar, lembramos do tiro penal assinalado a favor do Palmeiras contra o Fortaleza, pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2023, quando houve falta indiscut\u00edvel do atacante do Palestra It\u00e1lia, que derrubou o defensor do Le\u00e3o do Pici, com uma carga faltosa, cuja queda provocou o contato acidental de sua perna com a do atacante e que Seneme entendeu que n\u00e3o houve falta do dianteiro, mas que houve penal.<\/p>\n<p>Contraditoriamente, todavia, no jogo do pr\u00f3prio Palmeiras contra o Bragantino, Endrick foi segurado pelo goleiro advers\u00e1rio e foi derrubado, mas Seneme sustentou que Endrick fez carga faltosa no goleiro, pois este teria \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d (sic) da regra porque suas m\u00e3os estariam no ar! Erro de fora a fora: n\u00e3o houve falta de Endrick, que apenas se posicionou para disputar a bola e sem, sequer, fazer carga, quando, ali\u00e1s, at\u00e9 poderia, pois estava no contexto da jogada; houve o tiro penal; e o goleiro n\u00e3o tem a\u00a0prote\u00e7\u00e3o a que Seneme se referiu! N\u00e3o obstante, no lance do jogo citado anteriormente, Roni fez carga ilegal no defensor, tanto pela for\u00e7a empregada, como porque realizou a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o para disputar espa\u00e7o, mas para impedir que o atleta do Fortaleza jogasse a bola (carga fora do contexto da jogada e, pois, fora do tempo de disputa, al\u00e9m da for\u00e7a desproporcional).<\/p>\n<p>Os lances do penal marcado a favor do Santos contra o Goi\u00e1s, e o n\u00e3o marcado a favor do Flamengo na partida contra o Palmeiras, na rodada do final de semana (09\/07\/23) est\u00e3o a desafiar, como os anteriores, a coer\u00eancia de Seneme.<\/p>\n<p>Ah, nem podemos esquecer da reclama\u00e7\u00e3o do Gr\u00eamio, na mesma rodada, no lance em que um defensor do Botafogo, com os dois bra\u00e7os, puxou pelo t\u00f3rax um atacante advers\u00e1rio. Dizer que o puxar com os bra\u00e7os n\u00e3o foi \u201csuficiente\u201d; \u201cque n\u00e3o foi para tanto\u201d; que o atacante \u201cvalorizou\u201d, quando h\u00e1 claro movimento dos bra\u00e7os do defensor contra o corpo do atacante e este foi deslocado e at\u00e9 caiu, \u00e9 pretender que o futebol continue sendo v\u00edtima de viola\u00e7\u00e3o de suas regras, sujeito mais a interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas do que objetivas e, quem sabe, at\u00e9 a opini\u00f5es e decis\u00f5es de conveni\u00eancia. Se os elementos subjetivos devessem prevalecer, tudo estaria certo, salvo os erros em situa\u00e7\u00f5es claramente grosseiras. Com efeito, uma coisa \u00e9 colocar os bra\u00e7os no advers\u00e1rio, quando a situa\u00e7\u00e3o for natural da din\u00e2mica da jogada, outra, bem diferente, \u00e9 fazer os movimentos claros para segurar ou empurrar, sobretudo quando um jogador est\u00e1 \u00e0 frente ou atr\u00e1s do outro.<\/p>\n<p>Diante de tudo e em harmonia com a suposi\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de diretrizes claras e consent\u00e2neas com as regras do jogo, julgamos que a Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF precisa orientar os \u00e1rbitros para:<\/p>\n<p>a) analisarem se as cargas s\u00e3o praticadas por busca de espa\u00e7o, a fim de manter ou ganhar a posse da bola, sem for\u00e7a que ofere\u00e7a risco ao oponente e, sobretudo, sem uso dos bra\u00e7os, quando n\u00e3o haver\u00e1 falta, ou se s\u00e3o feitas apenas para impedir que o advers\u00e1rio jogue a bola (carga fora do contexto da jogada), quando haver\u00e1 falta, sobretudo se houver uso dos bra\u00e7os, sendo certo, ali\u00e1s, que neste caso a infra\u00e7\u00e3o incide em outra esp\u00e9cie;<\/p>\n<p>b) verificarem se as entradas s\u00e3o dadas respeitando os termos da regra. Nesse tipo de a\u00e7\u00e3o, o que importa n\u00e3o \u00e9 se a bola \u00e9 ou n\u00e3o jogada, mas, apenas, se h\u00e1 desconsidera\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio ou do risco de les\u00e3o e, pior ainda, quando o risco de les\u00e3o \u00e9 assumido. Logo, a bola pode ser jogada e haver falta, assim como pode n\u00e3o haver falta mesmo a bola n\u00e3o sendo jogada. As quest\u00f5es disciplinares decorrem da forma de tais a\u00e7\u00f5es (desconsidera\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio \u2013 falta sem puni\u00e7\u00e3o; desconsidera\u00e7\u00e3o do risco &#8211; CA; e assumir o risco de les\u00e3o &#8211; CV);<\/p>\n<p>c) definirem que as a\u00e7\u00f5es de empurrar e segurar com os bra\u00e7os s\u00e3o sempre faltosas, pois a regra n\u00e3o permite que um jogador desloque ou impe\u00e7a o advers\u00e1rio de jogar empurrando-o ou o segurando com os bra\u00e7os. Esta a\u00e7\u00e3o n\u00e3o se confunde com a carga. Concluir que tendo havido uso dos bra\u00e7os (com movimento para segurar ou empurrar), mas que n\u00e3o houve falta porque n\u00e3o foi \u201csuficiente\u201d, \u201cn\u00e3o teve impacto\u201d \u00e9 deixar esses lances em campo apenas subjetivo, produzindo incoer\u00eancia, inconsist\u00eancia e inseguran\u00e7a. A prop\u00f3sito, vale registrar que, no particular, a regra \u00e9 objetiva. Falta: \u201cempurrar o advers\u00e1rio\u201d; \u201csegurar o advers\u00e1rio\u201d. Ressalva-se que o impacto exigido, apenas na a\u00e7\u00e3o de segurar, para que a falta n\u00e3o se caracterize \u00e9 o claramente irrelevante, insignificante, como o segurar a camisa do advers\u00e1rio milimetricamente e indiscutivelmente\u00a0sem qualquer consequ\u00eancia (impacto). Falta, todavia, sempre ocorre quando os bra\u00e7os fazem movimento contra o corpo do oponente. A n\u00e3o ser assim, os \u00e1rbitros estar\u00e3o desconsiderando um elemento objetivo (ato de segurar ou empurrar com os bra\u00e7os) e decidindo com base em suposi\u00e7\u00e3o: \u201cn\u00e3o foi para tanto\u201d; \u201cn\u00e3o foi suficiente\u201d; \u201co atacante valorizou\u201d; \u201cn\u00e3o houve impacto\u201d etc. A continuar assim, as decis\u00f5es obedecer\u00e3o mais ao comando do subjetivismo do que aos fatos e fatos previstos nas regras;<\/p>\n<p>d) tomarem consci\u00eancia de que nas situa\u00e7\u00f5es de contato da bola com a m\u00e3o\/bra\u00e7o a regra precisa ser interpretada de acordo com seu texto, ou seja, considerar se a posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o\/bra\u00e7o est\u00e1 de acordo com o movimento para jogar, pois as m\u00e3os\/bra\u00e7os d\u00e3o equil\u00edbrio, impulso e velocidade ao jogador. Disputar a bola com as m\u00e3os\/bra\u00e7os colados ao corpo \u00e9 que \u00e9 absolutamente antinatural. Jogador de futebol n\u00e3o \u00e9 pinguim! Nesse contexto, uma boa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 a que distingue a a\u00e7\u00e3o de disputar a bola, quando o jogador est\u00e1 no contexto da jogada, daquela em que ele se posiciona para bloquear a bola chutada de longe, quando tem tempo e espa\u00e7o para cuidar das m\u00e3os\/bra\u00e7os. Diante disso, dizer que o fato de as m\u00e3os\/bra\u00e7os estarem separados do corpo sempre caracteriza infra\u00e7\u00e3o, como tem ocorrido, porque teria havido amplia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, sem considerar o movimento do jogador, \u00e9 ferir de morte a ess\u00eancia do futebol e o texto da regra (basta ler), que, ali\u00e1s, foi redigida com base em sugest\u00e3o nossa (o registro est\u00e1 nos anais da CBF). Se assim n\u00e3o fosse, a desastrosa regra que considerava que o fato de o bra\u00e7o estar acima do n\u00edvel do ombro; separado do corpo etc. sempre caracterizava falta, n\u00e3o teria sido substitu\u00edda para atual reda\u00e7\u00e3o, cuja expl\u00edcita filosofia \u00e9: \u201cnem todo toque da bola na m\u00e3o\/bra\u00e7o \u00e9 infra\u00e7\u00e3o\u201d e \u201co \u00e1rbitro s\u00f3 pode considerar que h\u00e1 falta quando a posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o\/bra\u00e7o n\u00e3o puder ser justificada com o movimento realizado\u201d.<\/p>\n<p>e) No campo do VAR, a CBF precisa dizer se cumpre o correspondente protocolo ou se segue o seu pr\u00f3prio, respectivamente: \u201ccorrigir erro claro, \u00f3bvio\u201d, que n\u00e3o precisa ser grosseiro, ou \u201ctomar a decis\u00e3o mais acertada\u201d. Certo \u00e9, todavia, que esta \u00faltima diretriz, al\u00e9m de ilegal, tem gerado toda a inconsist\u00eancia do processo, por ser muito subjetivo definir qual a decis\u00e3o mais acertada, em especial, se as diretrizes sugeridas acima, como vem ocorrendo, n\u00e3o prevalecerem.<\/p>\n<p>A exibi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos educacionais, em que os elementos objetivos sejam o grande norte, em contraposi\u00e7\u00e3o aos conceitos subjetivos (\u201cn\u00e3o foi para tanto\u201d; \u201cn\u00e3o foi suficiente\u201d; \u201cvalorizou\u201d etc.), seria de grande utilidade para o mundo do futebol, pois, com certeza, traria mais seguran\u00e7a e menos inconsist\u00eancia nas decis\u00f5es das arbitragens.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto mais s\u00e3o subjetivos os crit\u00e9rios de arbitragem, menos consistentes e l\u00f3gicas s\u00e3o suas decis\u00f5es e, por consequ\u00eancia, o mundo do futebol cada vez mais <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2023\/07\/11\/raio-x-da-arbitragem-brasileira\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":182,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-181","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2023\/07\/52891582792_133757f9d4_c.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}