{"id":15,"date":"2022-07-13T06:00:46","date_gmt":"2022-07-13T06:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=15"},"modified":"2022-07-13T12:57:27","modified_gmt":"2022-07-13T12:57:27","slug":"o-var-seus-beneficios-e-pontos-a-melhorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/07\/13\/o-var-seus-beneficios-e-pontos-a-melhorar\/","title":{"rendered":"O VAR, seus benef\u00edcios e pontos a melhorar"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_16\" aria-describedby=\"caption-attachment-16\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/07\/51950876108_4abd96e4ed_h.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"844\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/07\/51950876108_4abd96e4ed_h.jpg 1500w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/07\/51950876108_4abd96e4ed_h-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/07\/51950876108_4abd96e4ed_h-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/07\/51950876108_4abd96e4ed_h-1024x576.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16\" class=\"wp-caption-text\">Tecnologia do VAR tem benef\u00edcios e pontos a melhorar (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Cesar Greco)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os benef\u00edcios do VAR, por mais pessimista que se queira ser, <strong>n\u00e3o<\/strong> podem ser desconsiderados.<\/p>\n<p>O assunto desta coluna, que d\u00e1 in\u00edcio aos temas espec\u00edficos sobre arbitragem, n\u00e3o poderia ser outro que n\u00e3o o <strong>VAR<\/strong>. Isto, tanto porque o VAR est\u00e1 na boca do futebolista, como porque \u00e9 imprescind\u00edvel que sejam prestados alguns esclarecimentos sobre a mat\u00e9ria, de acordo com o correspondente protocolo, de modo a que algumas injusti\u00e7as e distor\u00e7\u00f5es sejam afastadas. Esta \u00e9 a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Antes de faz\u00ea-lo, por\u00e9m, queremos afirmar que \u00e9 de nossa autoria o projeto <strong>VAR<\/strong>, conquanto alguns resistam em reconhecer. Com efeito, nosso trabalho foi o \u00fanico escrito e divulgado at\u00e9 2009, o que se deu no \u201cFootcom\u201d, evento esportivo organizado por Carlos Alberto Parreira. Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria FIFA e a IFAB \u2013 International Football Association Board n\u00e3o tinham nada escrito sobre o assunto at\u00e9 16\/09\/2015, quando a CBF, na gest\u00e3o do Dr. Marco Polo Del Nero, cujo presidente da Comiss\u00e3o de Arbitragem, da qual faz\u00edamos parte, era S\u00e9rgio Correa da Silva, encaminhou nosso trabalho \u00e0quelas entidades, que mereceu do Sr. Lukas Brud, Secret\u00e1rio Geral da IFAB, os mais altos elogios sobre o conte\u00fado, min\u00facia e profundidade com que o assunto foi tratado. Tanto \u00e9 assim, que nosso projeto foi inteiramente recepcionado, inclusive a filosofia da <strong>\u201cm\u00ednima interfer\u00eancia e m\u00e1ximo benef\u00edcio\u201d<\/strong>, embora em outras palavras, ressalvando-se, apenas, a quest\u00e3o do monitor de campo, que n\u00e3o foi contemplado em nosso projeto, pois o que desej\u00e1vamos era apenas a corre\u00e7\u00e3o de erros <strong>absolutamente claros e provados por imagens igualmente claras<\/strong>, que, pois, n\u00e3o precisavam de revis\u00e3o do \u00e1rbitro. Afinal, se o erro era indiscut\u00edvel, seja porque o \u00e1rbitro n\u00e3o viu, seja porque errou grosseiramente, n\u00e3o havia sentido em se paralisar o jogo, exigir que o \u00e1rbitro se deslocasse para o monitor e, no final, como hoje ocorre com os lances de fato, acatasse a informa\u00e7\u00e3o do <strong>VAR<\/strong>. Seria pura perda de tempo!<\/p>\n<p>Prestados estes esclarecimentos, cujo objetivo n\u00e3o \u00e9 a autopromo\u00e7\u00e3o, mas dar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar. Afinal, negar fato por mod\u00e9stia n\u00e3o nos parece honesto. Passemos ao tema de hoje: <strong>VAR<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Os benef\u00edcios:<\/strong><\/p>\n<p>Antes de tudo, queremos, com toda for\u00e7a, dizer que o <strong>VAR<\/strong>, por qualquer \u00e2ngulo que se analise, tem um saldo t\u00e3o positivo, t\u00e3o absoluto; trouxe tanto benef\u00edcio e \u00e9tica para o futebol; produziu tantos resultados leg\u00edtimos; e, acima de tudo, desarmou tanto os esp\u00edritos dos que, sem qualquer base, desconfiavam da dignidade dos \u00e1rbitros, que as cr\u00edticas que hoje s\u00e3o dirigidas ao processo, normalmente, s\u00e3o infundadas. E infundadas por serem fruto ou de paix\u00e3o, o que seria perdo\u00e1vel, ou, principalmente, do desconhecimento geral sobre o protocolo <strong>VAR<\/strong>, revelando descompromisso ou aus\u00eancia de profissionalismo.<\/p>\n<p>Deve ser ressalvado, todavia, que essas cr\u00edticas e as imperfei\u00e7\u00f5es do <strong>VAR<\/strong> n\u00e3o s\u00e3o exclusivas do Brasil, mas de todo o mundo do futebol e, quem sabe, at\u00e9 com defeitos mais graves do que os nossos. A grama do vizinho \u00e9 sempre mais verde!<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, as cr\u00edticas que visam ao aperfei\u00e7oamento do processo, como, ali\u00e1s, faremos a seguir, s\u00e3o \u00fateis e, pois, bem-vindas.<\/p>\n<p>\u00c9 que o processo <strong>VAR<\/strong>, em que pese os valiosos frutos que j\u00e1 foram e que continuam a ser colhidos, precisa evoluir, ser aperfei\u00e7oado.<\/p>\n<p><strong>Os pontos a melhorar:<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro e maior passo a ser dado \u00e9 definir com clareza o objetivo do <strong>VAR<\/strong>: 1) corrigir <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong>, que, de t\u00e3o claro, <strong>n\u00e3o dependa de interpreta\u00e7\u00e3o<\/strong>; ou 2) buscar <strong>a decis\u00e3o mais acertada<\/strong>, entrando, assim, no campo da interpreta\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o ampla, como normalmente tem ocorrido, apesar de nossa ferrenha oposi\u00e7\u00e3o, enquanto fomos gestor de arbitragem da CBF. O regime, todavia, era e continua sendo presidencial.<\/p>\n<p>A falta de tal defini\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje, apesar da refer\u00eancia a <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong>, contida no protocolo <strong>VAR<\/strong>, tem causado as mais ferrenhas cr\u00edticas ao processo. A op\u00e7\u00e3o pela primeira alternativa \u2013 corrigir, efetivamente, <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong> (provado por imagem igualmente clara), a nosso ver \u00e9 a ideal. Com efeito, al\u00e9m de evitar as constantes interrup\u00e7\u00f5es das partidas, limitaria a utiliza\u00e7\u00e3o do monitor a lances excepcionais, qui\u00e7\u00e1 somente para controle de jogo e resgataria a autonomia e autoridade dos \u00e1rbitros de campo, o que \u00e9 da ess\u00eancia do jogo. Seria a busca do elefante e n\u00e3o das formigas, express\u00e3o criada e largamente utilizada por n\u00f3s do Brasil, e de h\u00e1 muito.<\/p>\n<p>Uma vez definido o real objetivo do <strong>VAR<\/strong>, a continuidade das a\u00e7\u00f5es para seu aperfei\u00e7oamento \u00e9 indispens\u00e1vel, destacando-se os seguintes pontos:<\/p>\n<p>a) Refor\u00e7o ostensivo para todos os participantes do futebol, principalmente os jogadores e integrantes de comiss\u00f5es t\u00e9cnicas, sobre a forma de funcionamento do <strong>VAR<\/strong>, destacando-se, dentre outros pontos, o fato de o \u00e1rbitro de campo s\u00f3 poder fazer revis\u00e3o quando o <strong>VAR<\/strong> recomenda, jamais por iniciativa pr\u00f3pria, salvo, excepcionalmente, para controle de jogo, em casos de decis\u00f5es de fato. Este desconhecimento tem gerado muita reclama\u00e7\u00e3o sem sentido, indisciplina de jogadores e puni\u00e7\u00f5es que poderiam ser evitadas.<\/p>\n<p>b) Continuidade do processo educativo dos \u00e1rbitros de campo, destacando a necessidade de suas decis\u00f5es serem sempre assertivas e tomadas como se o <strong>VAR<\/strong> n\u00e3o existisse. De outro passo, quando uma revis\u00e3o for sugerida, desprender-se psicologicamente para analisar as imagens sem qualquer resist\u00eancia ou obrigatoriedade de mudar a decis\u00e3o origin\u00e1ria, embora seja certo que, uma vez adotado o princ\u00edpio do efetivo <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong>, se o <strong>VAR<\/strong> atuar com corre\u00e7\u00e3o, normalmente, a decis\u00e3o originaria ser\u00e1 mudada; assim como o<strong> VAR<\/strong>, os \u00e1rbitros devem dominar o plano de c\u00e2meras para, caso n\u00e3o lhes sejam disponibilizadas as imagens ideais, solicit\u00e1-las ao operador; a recomenda\u00e7\u00e3o de que os lances devem ser vistos nas velocidades dispon\u00edveis e <strong>sempre na velocidade normal<\/strong>, sobretudo para an\u00e1lise de intencionalidade de intensidade; al\u00e9m de outros aspectos;<\/p>\n<p>c) Por igual, os <strong>VAR\u2018s<\/strong> necessitam de refor\u00e7o sobre seus limites de atua\u00e7\u00e3o \u2013 <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong> ou <strong>decis\u00e3o mais justa<\/strong>; ter firmeza, caso a op\u00e7\u00e3o seja pela <strong>decis\u00e3o mais justa<\/strong>, para saberem que a <strong>omiss\u00e3o \u00e9 bem mais danosa para o jogo<\/strong>, do que uma <strong>indevida recomenda\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o<\/strong>; devem realizar treinamento com o operador antes das partidas com efetiva intensidade etc.;<\/p>\n<p>d) Os operadores necessitam conhecer futebol \u2013 este \u00e9 um gargalo muito apertado \u2013 para lhes possibilitar compreender, por iniciativa pr\u00f3pria, as necessidades do <strong>VAR<\/strong> em cada lance; devem exibir as imagens nas velocidades solicitadas sem manusear os equipamentos, ou seja, deixando a m\u00e1quina atuar, pois \u00e9 comum ver-se altern\u00e2ncia de velocidades que deveriam ser iguais e em velocidade reduzida o que deveria ser mostrado em velocidade normal (exemplo desta situa\u00e7\u00e3o foi a m\u00e3o do jogador do Fortaleza no jogo com o Palmeiras, ocorrida no dia 10\/07\/2022) etc.<\/p>\n<p>Sobre a finalidade, os limites do do VAR, o atual presidente da CA\/CBF, Wilson Seneme, ainda n\u00e3o deixou clara a diretriz a ser tomada. Ora quer o VAR n\u00e3o intervencionista, ora deseja a decis\u00e3o mais justa, sendo que, neste particular, segue a filosofia da FIFA, que, ao que tudo indica, pretende ampliar mais a esfera de atua\u00e7\u00e3o do <strong>VAR<\/strong> na busca da decis\u00e3o mais justa.<\/p>\n<p>\u00c9 bom observar, todavia, que o modelo da FIFA, embora devesse ser ao contr\u00e1rio, nem sempre \u00e9 bom para as entidades nacionais, que realizam competi\u00e7\u00f5es longas, pois a FIFA s\u00f3 faz torneios curtos. Duas realidades diferentes e que, assim, devem ser tratadas distintamente.<\/p>\n<p>Finalizando, reiteramos, como dito na coluna de nossa apresenta\u00e7\u00e3o, que nosso trabalho ter\u00e1 sempre o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da arbitragem e do futebol.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor, a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os benef\u00edcios do VAR, por mais pessimista que se queira ser, n\u00e3o podem ser desconsiderados. 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