{"id":141,"date":"2022-11-26T00:25:56","date_gmt":"2022-11-26T00:25:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=141"},"modified":"2022-12-03T13:20:55","modified_gmt":"2022-12-03T13:20:55","slug":"copa-do-mundo-do-catar-var-acertos-erros-e-segredos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/11\/26\/copa-do-mundo-do-catar-var-acertos-erros-e-segredos\/","title":{"rendered":"Copa do Mundo do Catar \u2013 VAR: Acertos, erros e segredos;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_142\" aria-describedby=\"caption-attachment-142\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-142\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1708\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-scaled.jpg 2560w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/000_32PR3EM-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-142\" class=\"wp-caption-text\">Brasileiro Wilton Pereira Sampaio em a\u00e7\u00e3o na Copa (Foto: AFP\/Odd Andersen)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A transpar\u00eancia \u00e9 o melhor manto de prote\u00e7\u00e3o para quem age com \u00e9tica.<\/strong><\/p>\n<p>Reiterando parte dos conte\u00fados de nossas colunas de 19 e 22\/11\/2022, publicadas aqui, em <strong>Blogs da Gazeta Esportiva<\/strong>, voltamos a abordar a inconceb\u00edvel decis\u00e3o da Comiss\u00e3o de Arbitragem da FIFA em n\u00e3o divulgar os \u00e1udios dos di\u00e1logos entre os \u00e1rbitros de campo e o VAR.<\/p>\n<p>Com efeito, os erros praticados nos lances dos jogos abaixo deixam o mundo do futebol ainda mais perplexo porque n\u00e3o sabe a raz\u00e3o pela qual o VAR n\u00e3o atuou.<\/p>\n<p>Vamos aos lances:<\/p>\n<p><strong>a) Canad\u00e1 0 X 1 B\u00e9lgica \u2013<\/strong> Houve um tiro penal claro a favor do Canad\u00e1, que n\u00e3o foi marcado porque a arbitragem de campo assinalou impedimento, que, todavia, n\u00e3o existiu. \u00c9 que o atacante que sofreu a falta e que estava adiantado recebeu a bola jogada deliberadamente por um advers\u00e1rio, o que o habilitou.<\/p>\n<p>Esclare\u00e7a-se que s\u00f3 ocorre impedimento quando a bola chega a um jogador adiantado depois de ser jogada ou tocada por um companheiro ou quando, no percurso, haja <strong>desvio ou rebote<\/strong> em um advers\u00e1rio (a\u00e7\u00f5es em que o jogador \u00e9 tocado pela bola ou toca na bola, mas, neste caso, sem tempo e espa\u00e7o para controlar seus movimentos, respectivamente). N\u00e3o h\u00e1 impedimento, portanto, quando um advers\u00e1rio joga a bola de modo deliberado e ela vai para um advers\u00e1rio, como foi o caso, repita-se.<\/p>\n<p>Ora, sendo assim, era imperiosa a atua\u00e7\u00e3o do VAR para recomendar a revis\u00e3o, tanto porque n\u00e3o houve impedimento, como porque o tiro penal foi indiscut\u00edvel e, assim, caracterizou <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong>.<\/p>\n<p>A \u00fanica justificativa poss\u00edvel para o VAR n\u00e3o atuar em tal lance seria se o jogo j\u00e1 estivesse paralisado antes da falta acontecer. N\u00e3o obstante, porque o sinal do \u00e1rbitro, marcando o impedimento, ocorreu ap\u00f3s o tiro penal, essa hip\u00f3tese fica afastada, at\u00e9 porque a FIFA n\u00e3o divulga os \u00e1udios.<\/p>\n<p>A gravidade do indicado erro fica elevada, assim, por conta do<strong> \u201csegredo\u201d<\/strong> da FIFA em n\u00e3o divulgar o \u00e1udio dos di\u00e1logos entre o VAR e os \u00e1rbitros, pois, al\u00e9m do preju\u00edzo que lhe pode tirar a classifica\u00e7\u00e3o para a etapa seguinte, o Canad\u00e1, sequer, saber\u00e1 como as coisas ocorreram e o porqu\u00ea de o VAR n\u00e3o atuar.<\/p>\n<p>Conclusivamente, pois, erraram o \u00e1rbitro, o VAR e a FIFA, sendo o erro desta decorrente de uma filosofia desvirtuada e diversa da nossa: <strong>A transpar\u00eancia \u00e9 o melhor manto de prote\u00e7\u00e3o para quem age com \u00e9tica. Assim, os \u00e1udios devem ser divulgados<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>b) Portugal 3 X 2 Gana.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lance 1 \u2013<\/strong> O gol Marcado por Cristiano Ronaldo, que, antes de arrematar para o gol, empurrou seu advers\u00e1rio com o bra\u00e7o e o deslocou, foi irregular. O \u00e1rbitro de campos marcou a falta acertadamente e o VAR, tamb\u00e9m corretamente, respeitou a decis\u00e3o de campo.<\/p>\n<p>Este lance, de t\u00e3o simples, s\u00f3 merece registro para que possamos voltar nossos olhos e ouvidos para comentaristas de arbitragem do Brasil quando, em lances iguais, afirmam <strong>\u201cque n\u00e3o houve falta pois se tratou de disputa de espa\u00e7o\u201d<\/strong>. Nada mais errado, porquanto, uma coisa \u00e9 fazer carga legal com o corpo para disputar a bola, outra, bem diferente, \u00e9 usar os bra\u00e7os e deslocar o advers\u00e1rio, ainda que n\u00e3o de modo ostensivo, como foi o caso.<\/p>\n<p>Felizmente, neste caso, os comentaristas n\u00e3o disseram que houve erro. Todavia, de acordo o equivocado conceito de disputa por espa\u00e7o que eles defendem, acaso o \u00e1rbitro n\u00e3o marcasse falta,<\/p>\n<p>certamente eles diriam que <strong>\u201cse tratou de disputa por espa\u00e7o\u201d<\/strong>, por isso que a falta n\u00e3o teria se caracterizado.<\/p>\n<p>Desse modo, a depender de como a decis\u00e3o seja adotada ou de como os comentaristas se posicionem, lances da esp\u00e9cie ora s\u00e3o faltosos ora n\u00e3o, gerando inconsist\u00eancia para as arbitragens e dificuldade para os \u00e1rbitros.<\/p>\n<p>O certo, todavia, \u00e9 que n\u00e3o se faz carga usando os bra\u00e7os. Em resumo: Havendo empurr\u00e3o com os bra\u00e7os a\u00ed estar\u00e1 a falta, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Recorda-se, por fim, que a regra 12 s\u00f3 exige impacto na a\u00e7\u00e3o de segurar, embora o argumento do impacto tenha sido vulgarizado por tais experts tamb\u00e9m para as a\u00e7\u00f5es de empurrar, al\u00e9m de outras.<\/p>\n<p><strong>Lance 2 \u2013 Tiro penal a favor de Portugal \u2013<\/strong> O primeiro gol lusitano, tamb\u00e9m marcado por Cristiano Ronaldo e que, assim, sagrou-se como o primeiro jogador a marcar gols em 05 Copas, foi de p\u00eanalti, que, absolutamente, n\u00e3o existiu. Tratou-se de leve contato em que tanto o atacante quanto o defensor, simultaneamente, impulsionaram seus p\u00e9s para jogar a bola que estava dividida. Logo, porque n\u00e3o houve for\u00e7a desproporcional, o contato havido entre os jogadores foi pr\u00f3prio do jogo. Note-se, por igual, acaso o contato fosse do p\u00e9 do atacante no do defensor, que tamb\u00e9m n\u00e3o haveria infra\u00e7\u00e3o, pois ambos os jogadores disputaram a bola de forma correta, sem qualquer liame de imprud\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 por conta desse tipo de lance que se diz que<strong> \u201cfutebol \u00e9 esporte de contato\u201d<\/strong>. Diferente seria se um dos jogadores tivesse o dom\u00ednio da bola, fosse tocado e o toque o desequilibrasse, em especial se perdesse a posse da bola.<\/p>\n<p>Todavia, o VAR se omitiu, pois houve<strong> erro claro, \u00f3bvio<\/strong>. Lamentavelmente, por\u00e9m, n\u00e3o se sabe o fundamento da omiss\u00e3o por conta do <strong>\u201csegredo\u201d<\/strong> da FIFA em n\u00e3o divulgar os \u00e1udios.<\/p>\n<p><strong>c) Equador 1 X 1 Holanda \u2013<\/strong> O gol marcado pelo Equador no final da primeira etapa foi anulado incorretamente.<\/p>\n<p>Com efeito, a Regra 11 \u2013 Impedimento condiciona que a infra\u00e7\u00e3o por interferir em um advers\u00e1rio s\u00f3 se caracteriza quando h\u00e1 impacto que dificulte ou impossibilite o advers\u00e1rio de jogar ou poder jogar a bola.<\/p>\n<p>No lance sob an\u00e1lise, apesar de haver um atacante na frente do goleiro no momento do chute a gol, a interfer\u00eancia exigida pela regra n\u00e3o se caracterizou, pois o goleiro n\u00e3o foi impedido de jogar ou de poder jogar a bola em raz\u00e3o de uma suposta obstru\u00e7\u00e3o visual. De fato, pois se a bola, em raz\u00e3o de outro toque, tomou dire\u00e7\u00e3o bem distinta do chute inicial, resulta induvidoso que o goleiro n\u00e3o defendeu a bola por causa do desvio e n\u00e3o da suposta obstru\u00e7\u00e3o visual. Diferente seria se a bola entrasse diretamente na meta em raz\u00e3o do chute inicial, desde que houvesse prova da obstru\u00e7\u00e3o visual.<\/p>\n<p>Logo, se houve nova jogada, os efeitos da anterior foram cessados, e n\u00e3o se caracterizou a exig\u00eancia da regra sobre o efetivo envolvimento em jogo ativo. Desse modo, o atacante tinha apenas posi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o teve influ\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse, ainda deve ser considerado que o goleiro saltou para defender a bola logo ap\u00f3s o chute inicial, o que conduz \u00e0 quase certeza de que sua vis\u00e3o n\u00e3o estava obstru\u00edda.<\/p>\n<p>Por consequ\u00eancia, o fato de o goleiro n\u00e3o ter ficado impedido nem ter retardado seu movimento para defender o chute inicial, somado ao fato da segunda jogada, que desviou completamente a trajet\u00f3ria da bola e em dist\u00e2ncia significativa do goleiro, se conclui que n\u00e3o houve interfer\u00eancia.<\/p>\n<p>O gol foi mal anulado, portanto.<\/p>\n<p>No que toca ao VAR, em que pese haver os citados elementos de interpreta\u00e7\u00e3o, o certo \u00e9 que, na ess\u00eancia na ess\u00eancia, n\u00e3o houve impacto no goleiro, o que exigiria interven\u00e7\u00e3o do VAR, pois se tratou de <strong>erro claro, \u00f3bvio<\/strong>. Agregue-se que n\u00e3o seria absurdo o entendimento de que a decis\u00e3o de campo feriu o texto da regra objetivamente, pois n\u00e3o havia prova da obstru\u00e7\u00e3o visual, o que mais exigiria a atua\u00e7\u00e3o do VAR.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o distinta da nossa, ainda que deva ser respeitada, fere a ess\u00eancia da regra, pois a interfer\u00eancia no advers\u00e1rio n\u00e3o e matem\u00e1tica e exige conhecimento da ess\u00eancia da regra e do futebol.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor, a palavra final.<\/strong><\/p>\n<p>Manoel Serapi\u00e3o filho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transpar\u00eancia \u00e9 o melhor manto de prote\u00e7\u00e3o para quem age com \u00e9tica. 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