{"id":127,"date":"2022-11-07T18:51:49","date_gmt":"2022-11-07T18:51:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=127"},"modified":"2022-11-07T18:51:49","modified_gmt":"2022-11-07T18:51:49","slug":"erro-indiscutivel-de-arbitragem-em-ituano-e-vasco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/11\/07\/erro-indiscutivel-de-arbitragem-em-ituano-e-vasco\/","title":{"rendered":"Erro indiscut\u00edvel de arbitragem em Ituano e Vasco"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_128\" aria-describedby=\"caption-attachment-128\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-128\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/52483283053_f9f6d49050_c.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/52483283053_f9f6d49050_c.jpg 800w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/52483283053_f9f6d49050_c-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/52483283053_f9f6d49050_c-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/52483283053_f9f6d49050_c-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-128\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Ituano<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>S\u00e9rie-B \u2013 06\/11\/2022 &#8211; Ituano x Vasco \u2013 Falta indiscut\u00edvel antes do tiro penal<\/strong><\/p>\n<p>O tiro penal marcado a favor do Vasco ocorreu ap\u00f3s uma falta clara no goleiro do Ituano, que exigia tanto marca\u00e7\u00e3o do campo, considerando a capacidade do excelente \u00e1rbitro Wilton Pereira Sampaio, como recomenda\u00e7\u00e3o de revis\u00e3o pelo VAR.<\/p>\n<p>De t\u00e3o clara a falta no goleiro, a jogada, sequer, mereceria an\u00e1lise nesta coluna, tampouco gerar pol\u00eamica.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o assemelha-se a uma hist\u00f3ria contada sobre Napole\u00e3o Bonaparte:<\/p>\n<p>\u201cReza a lenda que Napole\u00e3o, ao retornar vitorioso das batalhas, era recebido nas cidades por onde passava, com vivas da popula\u00e7\u00e3o; com salva de tiros de canh\u00e3o e com o repicar dos sinos das igrejas.<\/p>\n<p>Certa feita, ap\u00f3s uma grande vit\u00f3ria, Napole\u00e3o, ao passar por um pequeno vilarejo, foi recebido calorosamente pela popula\u00e7\u00e3o e com salva de 21 tiros de canh\u00e3o. Todavia, os sinos da igreja n\u00e3o repicaram.<\/p>\n<p>Indignado, Napole\u00e3o ordenou decapita\u00e7\u00e3o do capel\u00e3o da igreja.<\/p>\n<p>Na hora da execu\u00e7\u00e3o, cumprindo a norma da \u00e9poca, o imperador perguntou ao p\u00e1roco: Qual seu \u00faltimo desejo?<\/p>\n<p>Disse o capel\u00e3o: dizer porque n\u00e3o toquei os sinos da igreja.<\/p>\n<p>A contragosto, o imperador, com voz bem brava falou: diga.<\/p>\n<p>O capel\u00e3o ent\u00e3o respondeu: n\u00e3o toquei os sinos da igreja por 10 raz\u00f5es. A primeira delas \u00e9 que a igreja n\u00e3o tem sinos&#8230;<\/p>\n<p>As 9 causas restantes s\u00e3o necess\u00e1rias?&#8221;<\/p>\n<p>Este foi o caso, pois a primeira raz\u00e3o e que dispensa as 9 restantes, ou seja, a falta no goleiro do Ituano foi t\u00e3o grosseira, clara, \u00f3bvia, em raz\u00e3o do forte contato que o submeteu a risco de les\u00e3o, que, sequer, haveria necessidade de apresenta\u00e7\u00e3o de qualquer base da regra para demonstr\u00e1-la. Futebol n\u00e3o \u00e9 MMA.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante e tanto porque futebol n\u00e3o \u00e9 MMA, assim como porque o torcedor precisa receber a informa\u00e7\u00e3o da regra para provar que houve falta, apenas um fundamento deve ser apresentado.<\/p>\n<p>Antes de apresentar tal fundamento, deve ser ressalvado que, ainda quando o atacante do Vasco tivesse jogado a bola, a falta se caracterizaria, pois a entrada foi, no m\u00ednimo dos m\u00ednimos, imprudente, conquanto n\u00f3s a entendamos como temer\u00e1ria.<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 de se perguntar: porque jogou a bola, um jogador tem direito, ainda que por consequ\u00eancia da a\u00e7\u00e3o para jogar, de \u201catropelar\u201d o advers\u00e1rio? N\u00e3o, l\u00f3gico que n\u00e3o. O contato de jogo pr\u00f3prio do futebol n\u00e3o pode, absolutamente, submeter a integridade f\u00edsica dos jogadores a risco.<\/p>\n<p>Por isso basta transcrever apenas a parte da regra 12 \u2013 Faltas e Incorre\u00e7\u00f5es \u2013 cuja principal meta \u00e9, al\u00e9m de possibilitar o desenvolvimento regular do jogo, preservar a integridade f\u00edsica dos jogadores:<\/p>\n<p>Regra 12 \u2013 Faltas e Incorre\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201c 1 &#8211; Tiro livre direto<\/p>\n<p>Ser\u00e1 concedido um tiro livre direto a favor da equipe advers\u00e1ria do jogador que praticar uma das seguintes a\u00e7\u00f5es considerada pelo \u00e1rbitro como imprudente, temer\u00e1ria ou com uso de for\u00e7a excessiva:<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>dar uma entrada ou disputar a bola com um advers\u00e1rio;\u201d<\/p>\n<p>Como visto, no caso das entradas e disputas, a regra n\u00e3o se refere, sequer, \u00e0 bola e, portanto, ao fato de ter sido jogada ou n\u00e3o. Logo, ainda que a bola seja jogada, se houver a simples imprud\u00eancia, haver\u00e1 infra\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a regra e que n\u00e3o pode ser negada.<\/p>\n<p>Neste contexto, vale dizer que a regra define a imprud\u00eancia como o ato de desconsiderar o advers\u00e1rio, o que indiscutivelmente se caracterizou neste lance.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, pela forma da disputa e pela velocidade desenvolvida pelo jogador do Vasco, entendemos que a falta ainda foi mais grave, pois houve temeridade, ou seja, como a regra define, porque houve desconsidera\u00e7\u00e3o do risco de lesionar o advers\u00e1rio. Logo, al\u00e9m da falta, o atacante do Vasco tamb\u00e9m merecia ser punido com Cart\u00e3o Amarelo-CA, por clara temeridade.<\/p>\n<p>Para fechar tudo, o certo \u00e9 que, de acordo com a regra, ainda quando n\u00e3o haja contato f\u00edsico, uma falta pode se caracterizar em raz\u00e3o de uma entrada ou disputa, pois a regra n\u00e3o se preocupa com o resultado da a\u00e7\u00e3o, mas com o potencial risco de les\u00e3o para um advers\u00e1rio, ainda que diminuto, como seria o caso da imprud\u00eancia. Nobreza da regra!<\/p>\n<p>Neste caso, tudo fica mais evidente porque o jogador do Vasco n\u00e3o jogou a bola com sua perna direita e, por consequ\u00eancia, n\u00e3o a tirou do contexto da disputa. Note-se que a bola s\u00f3 saiu do contexto da jogada e, portanto, s\u00f3 tirou a possibilidade de o goleiro tentar jog\u00e1-la, ap\u00f3s o toque no joelho esquerdo do atacante e j\u00e1 depois do contato f\u00edsico com o goleiro e que o derrubou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vale dizer que o contato do atacante com o goleiro foi t\u00e3o forte que este foi levantado do ch\u00e3o, \u00e0 semelhan\u00e7a de uma batida de uma carreta com um fusquinha.<\/p>\n<p>Desse modo, houve falta tanto pela a\u00e7\u00e3o f\u00edsica temer\u00e1ria, como pelo preju\u00edzo t\u00e1tico que o goleiro sofreu, ao ficar impedido de tentar disputar a bola.<\/p>\n<p>Tudo claro, muito claro, indiscut\u00edvel mesmo. Falta n\u00e3o marcada, que acarretou um tiro penal indevido e a expuls\u00e3o de um jogador do Ituano.<\/p>\n<p>Erraram, portanto, e causaram elevado dano ao Ituano, Wilton Pereira Sampaio e a equipe VAR, comandada por Pablo Ramon Pinheiro, sobretudo este, pois dispunha de todos os recursos para ver e rever o lance.<\/p>\n<p>O VAR n\u00e3o pode se deixar pressionar pela capacidade do \u00e1rbitro, tampouco pela narrativa do lance. Sua base, sua grande base s\u00e3o a imagens. Neste caso, al\u00e9m da pl\u00e1stica da jogada vista pela c\u00e2mera 1, a do fundo do gol mostra o atacante \u201clevantando\u201d literalmente o goleiro e o derrubando.<\/p>\n<p>De outro lado, como j\u00e1 dissemos em colunas anteriores, a Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF, cremos, mais uma vez, se limitar\u00e1 a publicar o lance sem se manifestar sobre se houve erro ou acerto da arbitragem. At\u00e9 o momento da remessa desta coluna para publica\u00e7\u00e3o nenhuma a\u00e7\u00e3o havia sido praticada pela entidade.<\/p>\n<p>O pior de tudo, todavia, n\u00e3o \u00e9 a omiss\u00e3o que j\u00e1 caracteriza a Comiss\u00e3o de Arbitragem. O risco ser\u00e1 se houver \u201cbarulho\u201d e se, para se safar, a Comiss\u00e3o, mais uma vez, jogar o \u00e1rbitro \u00e0s feras, como fez recentemente depois do jogo entre Flamengo e Santos, com Andr\u00e9 Castro e Adriano Milczvski.<\/p>\n<p>Esperamos que n\u00e3o. Esperamos que a Comiss\u00e3o da CBF quebre os grilh\u00f5es que criou contra si, ao punir os \u00e1rbitros e afast\u00e1-los, conquanto somente, como dito, quando h\u00e1 \u201cbarulho\u201d e de um \u201cgrande\u201d e seletivamente em rela\u00e7\u00e3o a alguns \u00e1rbitros.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, se isto ocorrer, as consequ\u00eancias ser\u00e3o desastrosas, pois significaria o afastamento de Wilton Pereira Sampaio do Mundial, ou, no m\u00ednimo, seu desgaste, que o enfraqueceria para a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que Deus, portanto, ilumine Wilson Seneme e seus comandados, assim como o Sr. Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, que a tudo comanda, fiscaliza e dirige, ainda que seja sobre quest\u00e3o t\u00e9cnica de que n\u00e3o conhece.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, n\u00e3o foi por outra raz\u00e3o que opinamos, ap\u00f3s a excelente arbitragem de Wilton Pereira Sampaio na final da Copa do Brasil, que ele e Rafael Claus fossem preservados. Ali\u00e1s, melhor ainda, pois o certo seria lev\u00e1-los para a Granja Comary de modo a prepar\u00e1-los para o mundial, como fizemos com o pr\u00f3prio Wilson Seneme e Carlos Eug\u00eanio Simon, quando \u00e9ramos dirigente de arbitragem CBF.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o de preservar os indicados \u00e1rbitros foi debalde, pois o que a Comiss\u00e3o de Arbitragem deseja \u00e9 se safar. \u00c9 que ao designar seus \u00e1rbitros de ponta ter\u00e1 um escudo, conquanto desleal e medroso, para dizer: \u201cN\u00e3o temos culpa, pois colocamos os melhores\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, o que, ali\u00e1s, j\u00e1 se tornou rotina, voltamos a mencionar o mal que a tal \u201cCentral do Apito\u201d est\u00e1 causando a nossa arbitragem. De feito, como ocorreu com outras descabidas an\u00e1lises subjetivas, dizer que o contato havido entre o atacante do Vasco e o goleiro do Ituano foi normal de jogo \u00e9 t\u00e3o surpreendente quanto o fato de marido e mulher emitirem opini\u00f5es sobe o mesmo lance, sem a m\u00ednima cerim\u00f4nia. A \u00e9tica que v\u00e1 \u00e0s favas.<\/p>\n<p>Sobre a Rede Globo, como formadora de opini\u00e3o e instrumento educacional, j\u00e1 dissemos do seu dever de adotar alguma medida profil\u00e1tica relativa \u00e0 \u201cCentral do Apito\u201d, pois uma coisa \u00e9 opini\u00e3o\u00a0acerca de fato que enseja interpreta\u00e7\u00e3o, outra, bem diferente, \u00e9 negar ou controverter fato incontroverso.<\/p>\n<p><strong>Ao leitor, a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie-B \u2013 06\/11\/2022 &#8211; Ituano x Vasco \u2013 Falta indiscut\u00edvel antes do tiro penal O tiro penal marcado a favor do Vasco ocorreu ap\u00f3s uma <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/11\/07\/erro-indiscutivel-de-arbitragem-em-ituano-e-vasco\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":128,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-127","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/11\/52483283053_f9f6d49050_c.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/127\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}