{"id":117,"date":"2022-10-26T18:51:31","date_gmt":"2022-10-26T18:51:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=117"},"modified":"2022-10-26T18:51:31","modified_gmt":"2022-10-26T18:51:31","slug":"erro-da-arbitragem-no-maracana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/10\/26\/erro-da-arbitragem-no-maracana\/","title":{"rendered":"Erro da arbitragem no Maracan\u00e3"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_118\" aria-describedby=\"caption-attachment-118\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52455087994_0a7d98cf69_c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-118\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52455087994_0a7d98cf69_c.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52455087994_0a7d98cf69_c.jpg 800w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52455087994_0a7d98cf69_c-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52455087994_0a7d98cf69_c-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52455087994_0a7d98cf69_c-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-118\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ivan Storti\/Santos FC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Flamengo X Santos \u2013 Rodada 34\u00aa \u2013 25\/10\/2022<\/p>\n<p>O futebol brasileiro, na noite de ontem, amargou mais um erro de arbitragem. O erro, por\u00e9m, foi apenas do \u00e1rbitro de campo e do VAR, jamais de sua Comiss\u00e3o de Arbitragem. Assim pensa de modo draconiano a CBF.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Castro, que estava bem colocado e com a vis\u00e3o descortinada n\u00e3o viu o p\u00eanalti a favor do Santos no final da primeira etapa, que, para sua infelicidade, culminou, na jogada imediatamente seguinte, no primeiro gol do Flamengo.<\/p>\n<p>De seu turno, a equipe VAR, comandada por Adriano Milczvski, errou ao n\u00e3o recomendar a revis\u00e3o, pois o penal se caracterizou. Adriano, talvez, tenha se concentrado apenas no p\u00e9 do defensor e deixado de observar a imagem por inteiro, como a sistem\u00e1tica do VAR recomenda.<\/p>\n<p>Note-se que o defensor do Flamengo, conquanto n\u00e3o tenha pretendido fazer a falta e de seu p\u00e9 n\u00e3o haver tocado no advers\u00e1rio (ficou preso na grama), provocou o contato com a parte de sua perna pr\u00f3xima do joelho. De outro lado, quando assim n\u00e3o fosse, \u00e9 certo ainda que a perna do defensor tamb\u00e9m ficou no trajeto do advers\u00e1rio e impediu seu deslocamento. Esta a\u00e7\u00e3o caracteriza o denominado cal\u00e7o, que \u00e9 faltoso mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 contato. A regra fala em cal\u00e7ar ou tentar cal\u00e7ar um advers\u00e1rio. O futebol mundial e a ess\u00eancia da arbitragem est\u00e3o repletos de lances iguais a estes sendo punidos, pois, afinal, o atacante perdeu o dom\u00ednio da bola por conta de a\u00e7\u00e3o de seu\u00a0advers\u00e1rio, sobretudo porque este n\u00e3o jogou a bola e, assim, causou dano t\u00e1tico ao oponente.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno lembrar que, se o VAR recomendasse revis\u00e3o do lance e se houvesse marca\u00e7\u00e3o do tiro penal a favor do Santos, o gol do Flamengo seria anulado, implicando, provavelmente, na invers\u00e3o do placar do primeiro tempo.<\/p>\n<p>O mencionado erro, n\u00e3o obstante, aparenta que n\u00e3o resvala na Comiss\u00e3o, pois a responsabilidade est\u00e1 sendo atribu\u00eddas exclusivamente aos indicados profissionais, cujo pre\u00e7o foi muito alto: exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica de nomes e suspens\u00f5es por tempo indeterminado, para receberem treinamento de acordo com um programa que sempre existiu, mas que teve seu nome trocado na era de Wilson Seneme, como se chamar cobra de serpente fizesse a diferen\u00e7a. O pior de tudo \u00e9 que a estrutura do programa anterior contava com profissional da \u00e1rea psicol\u00f3gica, o que hoje n\u00e3o ocorre, mas que julgamos indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, quando atu\u00e1vamos como Ouvidor de Arbitragem da CBF, cujo \u00f3rg\u00e3o tinha independ\u00eancia t\u00e9cnica, recomend\u00e1vamos treinamentos espec\u00edficos para os \u00e1rbitros, atacando as raz\u00f5es t\u00e9cnicas dos erros cometidos.<\/p>\n<p>Registre-se que nos referidos pareceres da Ouvidoria de Arbitragem, quando os clubes pediam puni\u00e7\u00e3o para os \u00e1rbitros, que nossa resposta era sempre a mesma: \u201cSe n\u00e3o houve pr\u00e1tica de ato il\u00edcito, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para puni\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio portal da CBF est\u00e1 prenhe desses pareceres, que ficaram raros ultimamente, como se a independ\u00eancia t\u00e9cnica da Ouvidoria de Arbitragem tivesse sido sufocada pela nova administra\u00e7\u00e3o da entidade, dando azo a se imaginar que a Comiss\u00e3o \u00e9 quem tudo define e a ningu\u00e9m ouve!<\/p>\n<p>Hoje, todavia, em que pese, como referido, o anterior \u201cPrograma de Aperfei\u00e7oamento Cont\u00ednuo da Arbitragem Brasileira\u201d ser\u00a0precedente \u00e0 investidura de Seneme, mas que teve o nome mudado para \u201cPADA \u2013 Programa de Assist\u00eancia ao Desempenho do \u00c1rbitro\u201d, como se fosse inova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se tem not\u00edcia de que medidas ou treinamentos espec\u00edficos teriam sido recomendados, executados e que resultados teriam sido produzidos.<\/p>\n<p>O erro de ontem, apesar de ter sido igual, sen\u00e3o menos claro do que muitos outros ocorridos na atual temporada e depois da fase das puni\u00e7\u00f5es, voltou a provocar suspens\u00e3o dos \u00e1rbitros, como se suas exposi\u00e7\u00f5es pessoais e familiares, que empurram a autoestima para o fundo do po\u00e7o, correspondesse \u00e0 solu\u00e7\u00e3o milagrosa e, pior ainda, passando a ideia de que quem comanda; quem treina, quem designa, quem orienta n\u00e3o tem qualquer responsabilidade com o resultado de suas atividades. \u201cManda quem pode, obedece quem tem ju\u00edzo\u201d.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia da Comiss\u00e3o de Arbitragem da CBF, de suspender e expor os \u00e1rbitros, como j\u00e1 dissemos desde as iniciais suspens\u00f5es, n\u00e3o produziu nem produz qualquer efeito positivo no grupo, mas s\u00f3 negativo, sobretudo nos \u00e1rbitros punidos. Por igual, o preju\u00edzo do Santos e das demais equipes que sofreram com erros de arbitragem n\u00e3o foi nem ser\u00e1 ressarcido.<\/p>\n<p>Por isso, a divulga\u00e7\u00e3o de suspens\u00e3o, ao lado de nada contribuir para a evolu\u00e7\u00e3o da arbitragem, assusta todo o grupo, o exp\u00f5e publicamente, agrava seu estado de tens\u00e3o e, por consequ\u00eancia, provoca mais erros. \u00c9 o tiro saindo pela culatra!<\/p>\n<p>Em nossa coluna de 29\/07\/2022, cujo t\u00edtulo foi<strong> \u201cA arbitragem brasileira est\u00e1 assustada\u201d<\/strong>, o assunto foi tratado com mais detalhe. Em nossa escrita de ontem \u2013 25\/10\/2022 \u2013 abordamos o assunto e at\u00e9 parabenizamos a Comiss\u00e3o por abandonar o infrut\u00edfero sistema, que muito se aproxima da \u201cSanta Inquisi\u00e7\u00e3o\u201d. Mas que nada, o sistema voltou e voltou com for\u00e7a. Ambas as colunas est\u00e3o em <strong>\u201cBlogs da Gazeta Esportiva &#8211; Arbitragem\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O pior de tudo, ali\u00e1s o mais grave e imperdo\u00e1vel de tudo, \u00e9 que as suspen\u00e7\u00f5es, sem necessidade de mencionar os erros e respectivos respons\u00e1veis, inclusive de observadores do <strong>VAR<\/strong>, terminam por apontar para uma intoler\u00e1vel discrimina\u00e7\u00e3o, pois elas s\u00e3o abominavelmente seletivas: aplic\u00e1vel apenas a alguns \u00e1rbitros; em raz\u00e3o de alguns fatos; em decorr\u00eancia do \u201cbarulho\u201d feito etc. etc., o que agrava o desastre, sem nos esquecermos da dosagem das puni\u00e7\u00f5es: uns por pouco, outros por mais tempo e outros definitivamente.<\/p>\n<p>O resultado inafast\u00e1vel dessas puni\u00e7\u00f5es, assim, \u00e9 que n\u00e3o se trata de medida, ainda que inadequada, com prop\u00f3sito de melhorar a arbitragem, mas de estrat\u00e9gia pol\u00edtica e nada t\u00e9cnica, usando os \u00e1rbitros como v\u00e1lvula de escape.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse, a situa\u00e7\u00e3o ainda se agrava porque n\u00e3o se tem not\u00edcia de qualquer treinamento para os punidos e dos resultados alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Por isso, talvez, \u00e9 que na hist\u00f3ria da arbitragem brasileira nunca tenha havido tantos erros como os que v\u00eam acontecendo nesta temporada.<\/p>\n<p>Uma coisa, n\u00e3o obstante, \u00e9 certa, ou seja, que as puni\u00e7\u00f5es de \u00e1rbitros revelam a filosofia do atual comando da arbitragem brasileira: \u201cse eu puno os \u00e1rbitros; se dou satisfa\u00e7\u00e3o aos clubes prejudicados, que se contentam com sangue em vez de solu\u00e7\u00e3o; etc. etc., me mantenho no cargo e com apoio da dire\u00e7\u00e3o da Casa, cuja vis\u00e3o \u00e9 igualmente desvirtuada. Ademais e principalmente porque n\u00e3o a Comiss\u00e3o n\u00e3o precisa mostrar a devida compet\u00eancia, a esperada efic\u00e1cia, pois a cortina de fuma\u00e7a das puni\u00e7\u00f5es a protege.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para evitar erros de arbitragem, por\u00e9m, n\u00e3o nasce de medidas ou posturas que tais, somente se alcan\u00e7a com trabalho, com muito e competente trabalho, sobretudo dando aos \u00e1rbitros\u00a0o devido apoio, tranquilizando-os e, por igual e principalmente, lhes prestando a indispens\u00e1vel orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, coisa que n\u00e3o se revelou, sequer por ind\u00edcio, at\u00e9 o momento, uma vez que a diversidade de crit\u00e9rios das arbitragens desta temporada n\u00e3o aponta para um rumo bem definido, ainda que n\u00e3o seja o ideal. O VAR, por exemplo, n\u00e3o sabe o que fazer: ora \u00e9 simplesmente para corrigir erros; ora \u00e9 para reparar erros claros, \u00f3bvios; ora \u00e9 para dar ao \u00e1rbitro uma segunda oportunidade (ferindo a regra); ora \u00e9 pelo n\u00e3o intervencionismo; ora&#8230; ora&#8230; ora&#8230;!<\/p>\n<p>A s\u00f3 esquiva da Comiss\u00e3o em se posicionar, ou seja, em n\u00e3o dizer se houve erro ou acerto das decis\u00f5es dos lances controvertidos, \u00e9 prova da sua inconsist\u00eancia t\u00e9cnica. Por isso \u00e9 que a Comiss\u00e3o apenas publica os \u00e1udios e v\u00eddeos dos lances, as regras do jogo e o protocolo do VAR, todos de modo geral e sempre os mesmos, sem, pois, ao menos, indicar a norma ou diretriz incidente para cada lance.<\/p>\n<p>Mas tudo aparenta estar certo e que n\u00e3o precisamos de uma gest\u00e3o transparente, justa e, sobretudo \u00e9tica, que trate a todos igualmente, \u00e1rbitros e clubes, e que seja corajosa para enfrentar os desafios da \u00e1rdua fun\u00e7\u00e3o. Afinal,<\/p>\n<p><strong>\u201cao contr\u00e1rio do lema prevalecente no mundo, na arbitragem brasileira quem perde a guerra \u00e9 sempre o soldado, nunca o general, ainda que a estrat\u00e9gia adotada tenha sido errada. O soldado foi quem n\u00e3o compreendeu o estratagema do general e, por isso, mereceu morrer!\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ao leitor, a palavra final.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flamengo X Santos \u2013 Rodada 34\u00aa \u2013 25\/10\/2022 O futebol brasileiro, na noite de ontem, amargou mais um erro de arbitragem. 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