{"id":115,"date":"2022-10-25T18:44:24","date_gmt":"2022-10-25T18:44:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/?p=115"},"modified":"2022-10-25T21:14:09","modified_gmt":"2022-10-25T21:14:09","slug":"acertos-e-erros-da-arbitragem-de-campo-e-do-var","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/2022\/10\/25\/acertos-e-erros-da-arbitragem-de-campo-e-do-var\/","title":{"rendered":"Acertos e erros da arbitragem de campo e do VAR"},"content":{"rendered":"<p><strong>Bahia x V. Nova \u2013 Penal inexistente; Fluminense X Botafogo \u2013 Penal claro; Santos x Corinthians \u2013 CV n\u00e3o aplicado e CA\u2019s mal aplicados<\/strong><\/p>\n<p><strong>S\u00e9rie-B \u2013 Rodada 36\u00aa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bahia X Vila Nova \u2013 Penal inexistente \u2013 atua\u00e7\u00e3o correta do VAR<\/strong><\/p>\n<p>Foi correta a decis\u00e3o final da arbitragem, com apoio do VAR, ao desmarcar o tiro penal a favor do Bahia.<\/p>\n<p>De fato, pois o toque da bola na m\u00e3o do defensor do Vila Nova foi claramente acidental. O jogador estava em a\u00e7\u00e3o de disputa, e, assim, muito pr\u00f3ximo da bola, de modo que precisava de seus bra\u00e7os para impulsionar seu corpo, equilibrar-se e ganhar velocidade. Logo, se a posi\u00e7\u00e3o de seu bra\u00e7o era compat\u00edvel com o movimento realizado, a infra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se caracterizou nem por assumir risco, ou seja, quando o bra\u00e7o de um jogador se encontra em posi\u00e7\u00e3o antinatural.<\/p>\n<p>Agregue-se, ainda, que o defensor do Vila Nova, no momento inicial da jogada, estava com seus bra\u00e7os junto a seu corpo, revelando o devido cuidado. Todavia, quando se deslocou para disputar a bola, j\u00e1 n\u00e3o podia manter seus bra\u00e7os junto a seu corpo, sob pena de ficar impossibilitado de agir rapidamente como a jogada exigia. N\u00e3o se joga futebol, quando se est\u00e1 disputando a bola, com os bra\u00e7os junto ao corpo. S\u00f3 se pode exigir que os bra\u00e7os de um jogador estejam junto a seu corpo quando ele p\u00f5e seu corpo para impedir a passagem da bola, pois tem dist\u00e2ncia e tempo para n\u00e3o estender sua massa corporal. \u00c9 a denominada a\u00e7\u00e3o de bloqueio.<\/p>\n<p>De outro lado, ainda \u00e9 indispens\u00e1vel dizer que \u00e9 absolutamente inconsistente, errado mesmo, o entendimento de que o contato da bola como a m\u00e3o\/bra\u00e7o que esteja separado do corpo de um<\/p>\n<p>jogador (bra\u00e7o aberto) sempre caracteriza infra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 assim. A regra existe e precisa ser respeitada. Esse tipo de entendimento \u00e9 pobre e fere a regra e a ess\u00eancia do futebol. Jogador n\u00e3o \u00e9 pinguim!<\/p>\n<p>Conclusivamente, a equipe VAR, Adriano Miranda e Heman Vani, agiu com muito acerto, pois o penal marcado caracterizou erro claro, \u00f3bvio, que, se mantido, feriria o texto da regra e a ess\u00eancia do futebol.<\/p>\n<p>Apesar do acerto final da arbitragem, \u00e9 oportuno dizer que a preocupa\u00e7\u00e3o do \u00e1rbitro, como se colhe do \u00e1udio do lance, em saber que dire\u00e7\u00e3o a bola tinha no momento do toque, j\u00e1 que n\u00e3o se tratava, claramente, de impedir um gol, n\u00e3o faz qualquer sentido. Esse registro n\u00e3o visa a desmerecer o trabalho realizado, pois o mais importante foi o acerto da decis\u00e3o. Tem, assim, o objetivo de estimular os \u00e1rbitros a pensarem de acordo com a regra, ou seja, que o toque acidental da bola na m\u00e3o\/bra\u00e7o s\u00f3 pode ser punido quando impedir um gol ou quando o pr\u00f3prio jogador marcar um gol, imediatamente. Outras situa\u00e7\u00f5es de m\u00e3o acidental s\u00e3o irrelevantes e n\u00e3o podem ser punidas.<\/p>\n<p>Sobre m\u00e3o acidental, ainda \u00e9 oportuno registrar que nossa arbitragem vem punindo incondicionalmente todos os toques quando ocorrem no meio do campo. Isto n\u00e3o \u00e9 correto e revela uma \u201cpreven\u00e7\u00e3o, defesa\u201d impr\u00f3prias! O conveniente n\u00e3o pode superar o certo. Esta sistem\u00e1tica equivocada de nossa arbitragem termina criando a indevida cultura de que todo toque da bola na m\u00e3o\/bra\u00e7o \u00e9 faltoso, o que tem gerado, por consequ\u00eancia, constantes reclama\u00e7\u00f5es dos jogadores e oficiais de equipes, sempre que h\u00e1 contato da bola com a m\u00e3o\/bra\u00e7o de um jogador.<\/p>\n<figure id=\"attachment_116\" aria-describedby=\"caption-attachment-116\" style=\"width: 799px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52451458487_e78b3b16e3_c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-116\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52451458487_e78b3b16e3_c.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52451458487_e78b3b16e3_c.jpg 799w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52451458487_e78b3b16e3_c-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52451458487_e78b3b16e3_c-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/arbitragem\/files\/2022\/10\/52451458487_e78b3b16e3_c-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-116\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ivan Storti\/Santos FC<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>S\u00e9rie-A \u2013 Rodada 33\u00aa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jogo 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Santos X Corinthians<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lance 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cart\u00e3o Vermelho-CV n\u00e3o aplicado a Yuri Alberto<\/strong><\/p>\n<p>A entrada de Yuri Alberto, do Corinthians, em seu advers\u00e1rio e que deu lugar a sua puni\u00e7\u00e3o com Cart\u00e3o Amarelo-CA, foi clara para Cart\u00e3o Vermelho-CV. De fato, pois o jogador assumiu o risco de lesionar o advers\u00e1rio ao dar a entrada impulsionando suas pernas, sem possibilidade de disputar a bola, contra as pernas do oponente e at\u00e9 as ultrapassando. Al\u00e9m do mais, n\u00e3o satisfeito, Yuri Alberto ainda fez um segundo movimento e chutou com sua perna esquerda o advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vale pontuar que a sistem\u00e1tica de interpreta\u00e7\u00e3o baseada em \u201ccom que pega e onde pega\u201d n\u00e3o \u00e9 absoluta, nem para caracterizar nem para descaracterizar a viol\u00eancia de uma a\u00e7\u00e3o. Mais importante do que tal fator \u00e9 a intensidade, a velocidade da a\u00e7\u00e3o, pois a regra n\u00e3o exige o dano, a les\u00e3o, apenas que o risco de lesionar o advers\u00e1rio seja assumido.<\/p>\n<p>Erraram, assim, Fl\u00e1vio Rodrigues de Souza e a equipe VAR, composta por Thiago Peixoto e Amanda Matias, todos de S\u00e3o Paulo. Caracterizou-se erro claro, \u00f3bvio, que, pois, n\u00e3o poderia passar sem a\u00e7\u00e3o do VAR, que tem o privil\u00e9gio de ver e rever as imagens.<\/p>\n<p>O VAR n\u00e3o existe para prestigiar a decis\u00e3o do \u00e1rbitro. Tendo imagem que a contrarie, pouco importa se o \u00e1rbitro estava pr\u00f3ximo ou com bom \u00e2ngulo de vis\u00e3o. Se assim n\u00e3o fosse, o VAR s\u00f3 atuaria em lances n\u00e3o vistos pelo \u00e1rbitro ou quando sua posi\u00e7\u00e3o fosse inadequada.<\/p>\n<p>Ademais, porque o lance ocorreu muito pr\u00f3ximo do \u00e1rbitro assistente 1, o experiente Marcelo Van Gasse deveria ter alertado o \u00e1rbitro sobre a gravidade do lance. Se n\u00e3o o fez, se omitiu. Se agiu e Fl\u00e1vio Souza n\u00e3o considerou a observa\u00e7\u00e3o, o erro deste foi agravado.<\/p>\n<p>O lance foi cl\u00e1ssico de Jogo Brusco Grave e Yuri Alberto deveria ter sido expulso com Cart\u00e3o Vermelho direto.<\/p>\n<p><strong>Lance 2<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cart\u00e3o Amarelo-CA mal aplicado a Yuri Alberto<\/strong><\/p>\n<p>O fato, todavia, \u00e9 que Yuri Alberto, do Corinthians, terminou sendo expulso do jogo, mas por segundo Cart\u00e3o Amarelo, embora indevido, uma vez que o lance correspondente \u2013 leve contado de seu bra\u00e7o no t\u00f3rax do advers\u00e1rio e na disputa da bola \u2013, se foi faltoso, caracterizou simples imprud\u00eancia. Teria sido por reflexo do lance acima? Compensar \u00e9 errar duas vezes!<\/p>\n<p>O VAR, ressalve-se, n\u00e3o poderia atuar neste lance.<\/p>\n<p><strong>Lance 3<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cart\u00e3o Amarelo-CA mal aplicado a Lucas Henrique Barbosa<\/strong><\/p>\n<p>A expuls\u00e3o de Lucas Henrique Barbosa, do Santos, por segundo Cart\u00e3o Amarelo foi de todo indevida.<\/p>\n<p>De fato, pois o atacante do Santos n\u00e3o cometeu infra\u00e7\u00e3o e seu contato com o goleiro do Corinthians foi claramente acidental, em raz\u00e3o de queda, talvez at\u00e9 provocada por um advers\u00e1rio, que colocou seu bra\u00e7o nas costas do atacante.<\/p>\n<p>Desta feita, o \u00e1rbitro assistente 2, Alex Ang Ribeiro, poderia ter ajudado o \u00e1rbitro, pois sua vis\u00e3o era perfeita para o lance. O VAR, igualmente ao anterior, tamb\u00e9m n\u00e3o poderia atuar neste lance.<\/p>\n<p>Diante de todos esses erros da arbitragem nessa partida, conquanto o desempenho de Fl\u00e1vio Souza na competi\u00e7\u00e3o seja de elevado n\u00edvel e tenha transmitido seguran\u00e7a nos jogos, \u00e9 de se indagar se sua designa\u00e7\u00e3o para a rodada imediatamente seguinte foi correta, pois isto pode passar para o grupo de \u00e1rbitros uma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel de inconsist\u00eancia da Comiss\u00e3o de<\/p>\n<p>Arbitragem, quando n\u00e3o de injusti\u00e7a, comparativamente as outras situa\u00e7\u00f5es de erro.<\/p>\n<p>Neste ponto, \u00e9 bom lembrar que o indicado \u00f3rg\u00e3o, de modo acertado, abandonou a infeliz ideia de puni\u00e7\u00e3o dos \u00e1rbitros por erros, o que deu ao grupo mais equil\u00edbrio emocional, ao contr\u00e1rio da ang\u00fastia gerada pela fase de puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, neste particular, \u00e9 oportuno separar as coisas. Com efeito, uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 punir os \u00e1rbitros, outra, bem diferente, \u00e9 preserv\u00e1-los quando erram e, mais do que isto, designar os que acertaram, por uma quest\u00e3o de justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Jogo 2<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fluminense X Botafogo \u2013 Penal claro<\/strong><\/p>\n<p>O tiro penal marcado a favor do Fluminense foi claro e n\u00e3o comporta questionamento. \u00c9 que o atacante foi cal\u00e7ado e impedido de continuar com a posse da bola.<\/p>\n<p>Registre-se que o desequil\u00edbrio do atacante n\u00e3o exclui a falta, at\u00e9 porque n\u00e3o se sabe se ele cairia e, mais ainda, se ca\u00edsse, se n\u00e3o se levantaria e prosseguiria na posse da bola, como \u00e9 comum acontecer. Desse modo, o cal\u00e7o do defensor, que \u00e9 fato e elemento objetivo, n\u00e3o poderia ser superado pela suposi\u00e7\u00e3o de que o atacante cairia e perderia a posse da bola.<\/p>\n<p>Esse lance \u00e9 foi muito sintom\u00e1tico e importante para afastar as inconsistentes an\u00e1lises feitas por alguns comentaristas, quando afirmam que o jogador \u201cj\u00e1 vinha dobrando as pernas&#8230; etc. etc.\u201d.<\/p>\n<p>O resumo de tudo \u00e9 que, havendo um cal\u00e7o, uma a\u00e7\u00e3o de segurar, de empurrar etc., as faltas n\u00e3o podem ser descaracterizadas por suposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Jogo 3<\/strong><\/p>\n<p><strong>Am\u00e9rica-MG X Flamengo \u2013 Gol legal \u2013 M\u00e3o acidental<\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise do lance do penal marcado e desmarcado corretamente no jogo do Bahia se ajusta perfeitamente para este lance.<\/p>\n<p>Com efeito, o jogador do Am\u00e9rica n\u00e3o estava bloqueando a bola, mas a disputando e seu bra\u00e7o estava em posi\u00e7\u00e3o natural, pois compat\u00edvel com o movimento realizado.<\/p>\n<p>Logo, se o toque foi acidental e se o gol foi marcado por outro jogador, n\u00e3o se pode questionar o acerto da arbitragem.<\/p>\n<p>Mal andou o VAR ao recomendar a revis\u00e3o, sobretudo sob o simpl\u00f3rio fundamento de que o bra\u00e7o do atacante estava aberto, sem, portanto, levar em conta a regra e a ess\u00eancia do futebol: compatibilidade da posi\u00e7\u00e3o do bra\u00e7o com o movimento praticado. Afinal, o toque da bola em um bra\u00e7o aberto n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de falta.<\/p>\n<p>Andou muito bem, portanto, Jean Pierre ao manter sua decis\u00e3o original de validar o gol. Toque acidental s\u00f3 \u00e9 infra\u00e7\u00e3o quando o pr\u00f3prio jogador marca ou impede um gol.<\/p>\n<p>Por fim, lembramos que nossa an\u00e1lise do lance de toque acidental do defensor do Flamengo no jogo de ida da final da Copa do Brasil contra o Corinthians, se ajusta para esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A arbitragem exige coer\u00eancia e uniformidade de crit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Ao leitor, a palavra final.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bahia x V. 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