O pênalti marcado a favor do RB Bragantino no jogo com Corinthians, ontem 13/07/25, não houve. O defensor do Corinthians, ao lado de ter praticado a ação puramente para jogar a bola, que estava a seu alcance, ao perceber a presença do adversário, recolheu sua perna, exatamente para evitar o contato, que, se houve, teria sido próprio do futebol e muito sutil. Afinal, nem todo contato é faltoso, daí porque contato não é sinônimo de falta. A essência do futebol e suas regras assim o determinam.
Desse modo, o defensor do Corinthians, ao contrário de ter agido com imprudência, foi muito cauteloso. Não houve o penal, reafirme-se. Para piorar as coisas, o certo é que o lance, por ser de fina interpretação, jamais justificaria a atuação do VAR. Acontece que com a instrução dada pela Comissão de Arbitragem da CBF, no sentido de se buscar a decisão mais justa, em lugar de corrigir “erro claro, óbvio”, o VAR tira o braço da seringa e recomenda revisão para todo e qualquer lance duvidoso, evitando ser tachado de omisso.
Com tal sistemática de atuação, o VAR se exime de qualquer responsabilidade, pois como a decisão final será sempre do árbitro, se houver erro, este será o único responsável. De assim serem as coisas, o VAR não precisaria ser árbitro, muito menos capacitado. Um técnico em imagem seria suficiente. Atuação semelhante e igualmente indevida do VAR ocorreu no lance do penal a favor do Bahia contra o Fortaleza, pela Copa do Nordeste. O resultado de tudo é que o VAR não mais assumirá responsabilidade e os árbitros, pressionados psicologicamente pelas revisões, apesar de diversas serem indevidas, marcarão muitos pênaltis inexistentes e aplicarão muitos Cartões Vermelhos injustamente, conquanto, neste particular, a coisa ainda não esteja tão acintosa.
Nos casos desses dois lances, se os pênaltis tivessem sido marcados em campo, as revisões seriam menos violadoras do Protocolo do VAR para desmarcá-los, embora o certo seja, pela filosofia do nosso projeto e pelo que está escrito no protocolo do VAR, que nem uma coisa nem outra fosse passível de revisão. Recordemo-nos dos penais de Sport X Palmeiras e de Grêmio X Bahia, ambos também protagonizados pelo bom árbitro Bruno Arleu. Assim é muito azar! Na Bahia tem pai de santo, Bruno Arleu.
Para finalizar o assunto VAR, nao podemos nos esquecer do penal claríssimo não marcado a favor do Vitória contra o Internacional, no dia 12/07/25, em que o defensor do Iternacional empurrou com os dois braços, de modo claro e acintoso, com movimento longo e continuado, o atacante do Vitória pelas costas e o impediu de jogar a bola. Não obstante e paradoxalmente, o VAR não recomendou a indispensável revisão, caracterizando um inafastável conflito, não só com o dever genuíno do VAR, mas sobretudo com a “filosofia” da busca da “decisão mais justa”. O resumo de tudo, portanto, é que nosso VAR, com frequência, revisa o que não deve e deixa de revisar o que é de obrigação.
Rodrigo Cintra, já passou da hora de você mostrar uma filosofia clara, coerente e consistente de atuação do VAR. Do jeito que as coisas estão caminhando, Cintra, sobretudo com a falta de declarações claras sobre os erros e acertos de nossa arbitragem e os possíveis conflitos entre as instruções e as atuações dos árbitros, sua gestão estará se igualando à anterior: sem rumo.
