Os limites do VAR

(Foto: Fernando Torres/CBF)

De modo Reiterado, Roberto Rosseti, dirigente da Fifa para fins do VAR, critica o intervencionismo do modelo e sua fuga do objetivo, no ponto em que são analisados vulgarmente lances de interpretação. Eis, na integra, seu pronunciamento: “Eu acredito que esquecemos a razão pela qual o VAR foi introduzido. Esquecemos um pouco. Em todos os lugares. Vocês se lembram: há oito anos, eu fui a Londres (para conversar com jornalistas). Discutimos ‘o que o VAR representa’. Falamos sobre erros claros. Por que falamos sobre erros claros e óbvios. A tecnologia funciona muito bem em decisões factuais. Para interpretações, a avaliação subjetiva é mais difícil. Acredito que precisamos, ao final da temporada, em nossas reuniões, falar sobre isso. Não podemos seguir nessa direção de intervenções microscópicas do VAR. Amamos o futebol como ele é. Quando você assiste a uma situação em câmera super lenta, pode encontrar muitas coisas.”

Nada mais verdadeiro e correto. Não obstante toda essa verdade, o certo é que tanto o Rosseti como os demais dirigentes da Fifa/Ifab nada fazem de efetivo para mudar o atual quadro, cujo desvio de rota vem ocorrendo desde a homologação de nosso projeto, o que, por consequência, provocou protesto meu e de Sergio Correa, ao externarmos nossa indignação contra a introdução de lances de interpretação e, portanto, do monitor em campo, por meio do documento que chamamos de “A Carte de Londres”. Nele anteviamos, por meio de argumentos “sólidos” o erro que estava sendo cometido. O pior de tudo é que este desvio de finalidade está se agigantando a passos largos. Já, já o VAR atuará em lances de tiro de canto/tiro de meta e em outros lances que tal, enterrando, vez por todas, a essência do futebol e de sua arbitragem, tudo que vai na contramão do discurso de Roberto Rosseti.

No momento, além dos lances de interpretação, o sistema do VAR tem atentado contra a dinâmica do futebol e sua regra de ouro – a vantagem -, ao deixar o jogo seguir em lances de impedimento claros e sem, ainda que remota, possibilidade de um gol ser marcado, com a agravante de paralisar o jogo solenemente mesmo quando a defesa leva vantagem, inclusive quando a bola já está nas mãos dos goleiros. Há, pois, discursos apenas de efeito político e nenhuma ação de efetiva eficácia, para recolocar o bonde nos trilhos.

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