
Na rodada deste domingo, nossa arbitragem, sobretudo o VAR, mostrou, uma vez mais, sua inconsistência.
Antes de tudo, é preciso que repitamos, pela enésima vez, que não sabemos o porquê de a CBF, por meio de sua Comissão de Arbitragem, insistir em não ser transparente e, assim, não mostrar, ao vivo e em tempo real, quando o processo é realizado com o jogo parado (após marcação de gol ou pênalti, comumente), tanto a traçagem das linhas e os momentos dos passes, nos casos de impedimento, bem como as imagens dos lances que estão sendo checados, como esse do segundo gol do Palmeiras contra o Bahia.
Tal postura da entidade maior do nosso futebol possibilita conjecturas não lisonjeiras: teria a CBF algum interesse escuso em insistir em agir de tal forma? Pretenderia a CBF esconder a incompetência no processo do VAR? Por isso, somos obrigados a perguntar, até para individualizar as responsabilidades: teria o sr. presidente da entidade sido assessorado sobre tais deveres, ou lhe teriam omitido as informações?
Após esta introdução, vamos aos lances.
No jogo do Bahia com o Palmeiras, até esta manhã, nenhuma imagem havia sido exibida com nitidez para afastar qualquer dúvida sobre o lance do segundo gol do Palmeiras. Logo, toda e qualquer opinião, inclusive de especialistas, desde que não ressalvada, teria sido precipitada, eis que sem base para opinar com segurança.
Hoje, todavia, com a imagem exibida nas redes sociais, captada pela câmera invertida, a mais apropriada para o lance, pode-se concluir, claramente, que o defensor do Bahia foi empurrado por Gustavo Gómez, gerando indiscutível impacto físico e tático, pois seu deslocamento lateral o impediu de cabecear a bola que vinha, sem dúvida, em sua direção e a seu alcance. Falta indiscutível. Gol irregular.
O fato de não se exibirem as imagens das checagens quando o jogo se encontra parado, como foi o caso, dá abertura para ilações maliciosas ou de incompetência, algo que não se deve esperar de nossos árbitros e, no caso, de Rodolpho Toski, nosso único VAR selecionado para a Copa de 2026. Será que Toski não pediu a câmera invertida, talvez por ser refém do operador, ou será que viu a imagem e entendeu que não houve falta? Seu erro foi indiscutível e muito grave, seja por uma ou outra razão — ou melhor, pela falta de razão.
O outro incidente que merece análise foi o do gol do Flamengo, anulado contra o Santos. A decisão foi correta, e o lance foi simples. Com efeito, Léo Ortiz estava em posição de impedimento no momento da cobrança da falta e, ao retornar, tocou na bola. A situação foi factual, ou seja, Daronco não precisava ir ao monitor, como de fato não foi.
Não obstante, tal lance gerou um ponto muito negativo para a arbitragem. Realmente, porquanto, mesmo após a anulação do gol e de o jogo ser reiniciado — o que se deu após o apito de Daronco e a clara marcação do impedimento —, os jogadores do Flamengo cercaram o árbitro para protestar contra sua já demorada decisão e o obrigaram a parar o jogo por outro longo período, alegando que houve um toque na bola pelo defensor do Santos, o que não produziu qualquer efeito, pois isso ocorreu após Léo Ortiz tocar na bola e o impedimento se caracterizar. Tudo o que ocorre depois não produz efeito algum, salvo no âmbito disciplinar.
Ainda assim, Daronco, de forma equivocada e surpreendente, ordenou nova cobrança do impedimento, quando o correto seria punir com cartão amarelo os jogadores do Flamengo que reclamaram acintosamente e reiniciar o jogo com tiro livre indireto contra o próprio Flamengo. O resumo é que foram os jogadores que paralisaram o jogo, não o árbitro. Lamentável.
Também merece análise o pênalti marcado a favor do Flamengo, cometido em De Arrascaeta, que foi indiscutível. O uruguaio foi claramente segurado pelo defensor do Santos, que, inclusive, provocou uma torção no corpo do atacante. O cartão amarelo aplicado ao defensor santista foi justo, tanto pela situação de risco — ataque promissor — quanto pela clara ação antidesportiva, ao não tentar jogar a bola.
Conclui-se, portanto, que providências urgentes precisam ser adotadas pela Comissão de Arbitragem. Não basta anunciar a profissionalização da arbitragem ou adotar medidas administrativas, como a implementação do escudo PRO. Tais ações caem no vazio se a parte técnica e disciplinar continuar oscilando entre erros e acertos, especialmente pela ausência de critérios claros de arbitragem, inclusive nos lances interpretativos, e, principalmente, na atuação do VAR. Tudo isso deve estar alinhado à necessária transparência.
