{"id":9910,"date":"2018-02-05T19:07:24","date_gmt":"2018-02-05T21:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=9910"},"modified":"2018-02-05T21:53:07","modified_gmt":"2018-02-05T23:53:07","slug":"nosso-futebol-o-fio-e-os-rastros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2018\/02\/05\/nosso-futebol-o-fio-e-os-rastros\/","title":{"rendered":"Nosso futebol: o fio e os rastros"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_9914\" aria-describedby=\"caption-attachment-9914\" style=\"width: 923px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"9914\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2018\/02\/05\/nosso-futebol-o-fio-e-os-rastros\/brasil82\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82.jpg\" data-orig-size=\"923,581\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"brasil82\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: CBF&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82-300x189.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82.jpg\" class=\"size-full wp-image-9914\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82.jpg\" alt=\"\" width=\"923\" height=\"581\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82.jpg 923w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82-300x189.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/brasil82-768x483.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 923px) 100vw, 923px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9914\" class=\"wp-caption-text\">Foto: CBF<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"9912\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2018\/02\/05\/nosso-futebol-o-fio-e-os-rastros\/fiorastros\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros.jpg\" data-orig-size=\"417,632\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"fiorastros\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros-198x300.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros.jpg\" class=\" wp-image-9912 alignright\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"543\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros.jpg 417w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/02\/fiorastros-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O fio de Ariadne conduziu Teseu pelo labirinto at\u00e9 o Minotauro, segundo a lenda grega. Mas, e os rastros deixados por Teseu no sombrio e enigm\u00e1tico labirinto? \u00c9 atr\u00e1s desses rastros ocultos da hist\u00f3ria que o fino investigador Carlo Ginzberg vai atr\u00e1s no seu sedutor livro<em> O Fio e os Rastros,<\/em> tecendo instigante trama entre fatos e vers\u00f5es da hist\u00f3ria, da filosofia e da literatura.<\/p>\n<p>Proponho aqui, no modesto n\u00edvel de compreens\u00e3o deste velho escrevinhador, fazermos o caminho contr\u00e1rio: dos rastros ao fio do labirinto em que o nosso futebol se meteu.<\/p>\n<p>Os rastros est\u00e3o a\u00ed \u00e0 vista de todos, restos da nossa hist\u00f3ria se deteriorando a cada ano, na passagem devoradora do Minotauro em dire\u00e7\u00e3o aos nossos campos de futebol.<\/p>\n<p>Cad\u00ea o fio?<\/p>\n<p>O fio da meada, imagino, est\u00e1 na derrota da Sele\u00e7\u00e3o de Tel\u00ea, em 82, na Copa da Espanha, em 82.<\/p>\n<p>Estava l\u00e1 desde o in\u00edcio da nossa prepara\u00e7\u00e3o e testemunhei o deslumbramento que aquele time provocava nos estrangeiros &#8211; ingleses, escoceses, franceses, espanh\u00f3is, argentinos, gregos e troianos.<\/p>\n<p>Era a fina flor da escola brasileira, aquela que conseguiu unir a efici\u00eancia \u00e0 mais inventiva arte.<\/p>\n<p>Mas, perdeu para a It\u00e1lia,que passou a vida cultivando a retranca que eles chamam de<em> catenaccio <\/em>(cadeado), embora aquele time, especificamente, tivesse jogadores de alt\u00edssimo n\u00edvel t\u00e9cnico, como Bruno Conti, Tardelli, Antognoni e Rossi.<\/p>\n<p>A derrota inesperada &#8211; portanto, ainda mais chocante &#8211; semeou nos nossos campos a rea\u00e7\u00e3o, em todos os sentidos, inclusive pol\u00edtico-ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>E, aos poucos, come\u00e7amos a negar nossa hist\u00f3ria, em nome do tal resultado. Foi quando o Minotauro invadiu os nossos campos, a partir, sobretudo, dos anos 90, devorando qualquer resqu\u00edcio.<\/p>\n<p>\u00c9 quando come\u00e7a a fase gloriosa de Felip\u00e3o, um ga\u00facho tosco mas carism\u00e1tico, como bem o define seu bi\u00f3grafo, imenso comentarista, professor de Filosofia e meu eterno e querido amigo, Ruy Carlos Ostermann.<\/p>\n<p>Difusor de um estilo de jogo defensivo, cinzento, cujo \u00fanico objetivo era o resultado a qualquer custo, Felip\u00e3o liderou uma legi\u00e3o de treinadores que seguiram o seu cortejo at\u00e9 hoje. E assim rompeu-se aos poucos e definitivamente o fio que nos ligava \u00e0s nossas mais caras e sempre renov\u00e1veis tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E isso estava claramente expresso nas suas declara\u00e7\u00f5es do tipo de que futebol-espet\u00e1culo era dos &#8220;tempos em que se amarrava cachorro com lingui\u00e7a&#8221;, coisas assim.<\/p>\n<p>\u00c9 bom dizer que, se n\u00e3o fosse Felip\u00e3o, teria sido outro a liderar esse movimento, nascido da Trag\u00e9dia de Sarri\u00e1, pois a hist\u00f3ria \u00e9 feita dessas ondas que v\u00e3o e v\u00eam: ora, o respiro de um per\u00edodo de criatividade, liberdade, avan\u00e7o; ora, o recuo ao imp\u00e9rio do atraso, com os caudilhos de plant\u00e3o, o reinado de um falso moralismo, o aqui e agora, o cala-boca, essas coisas a que o amigo est\u00e1 acostumado a ver &#8211; traduzindo: ordem e progresso.<\/p>\n<p>Em geral, nossos exemplos s\u00e3o importados dos pa\u00edses mais desenvolvidos economicamente.<\/p>\n<p>O diabo \u00e9 que n\u00e3o tem sido assim nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, no que toca o futebol.<\/p>\n<p>L\u00e1, nos grandes centros futebol\u00edsticos da Europa, o futebol caminhou no sentido contr\u00e1rio \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es daqueles pa\u00edses: a F\u00faria passou a ser La Gracia; os ingleses trocaram o s\u00f3brio blazer de tweed por uma roupagem alegre e divertida; os alem\u00e3es sa\u00edram do bunker em que se meteram desde o in\u00edcio dos tempos para buscar um jogo arejado e ofensivo; os franceses escancararam suas portas aos antigos dominados da \u00c1frica e deram cores e molejo novo ao seu futebol, e assim vai.<\/p>\n<p>O mundo do futebol evomluiu rapidamente nestes anos em que nos confinamos a um isolamento feito de grades e muros, como os ingleses nas primeiras d\u00e9cadas\u00a0 do s\u00e9culo XX. Inventores do futebol moderno, eles simplesmente n\u00e3o sa\u00edam da Ilha, nem davam bola ao resto do mundo, at\u00e9 que na metade do s\u00e9culo levassem aquela memor\u00e1vel goleada da Hungria de Puskas e cia., em pleno templo de Wembley.<\/p>\n<p>Demoraram, por\u00e9m pra cair na real. E s\u00f3 o fizeram nestas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, apesar da conquista da Copa de 66.<\/p>\n<p>Mas, uma coisa \u00e9 a Sele\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds e outra a disputa entre clubes nos campeonatos nacionais e continentais, sobretudo nesta era de globaliza\u00e7\u00e3o, em que a grana fala mais alto e fala primeiro.<\/p>\n<p>Por exemplo: n\u00f3s temos uma Sele\u00e7\u00e3o de Primeiro Mundo, praticamente toda ela jogando por l\u00e1. Mas, o jogo aqui jogado \u00e9 uma tristeza s\u00f3.<\/p>\n<p>N\u00e3o porque deixamos de produzir craques. Nada disso. Ao contr\u00e1rio. Mas, porque, enquanto eles est\u00e3o aqui ou mesmo quando surgem outros novos talentos, seguimos jogando a la Felip\u00e3o, sob o signo do medo e condenando a criatividade individual, nosso maior atributo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Enfim, nossa tarefa \u00e9 matar o Minotauro e resgatar o Saci Perer\u00ea. Pra tanto, precisamos reatar o nosso Fio de Ariadne.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fio de Ariadne conduziu Teseu pelo labirinto at\u00e9 o Minotauro, segundo a lenda grega. 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