{"id":9825,"date":"2017-12-30T19:04:29","date_gmt":"2017-12-30T21:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=9825"},"modified":"2017-12-30T22:21:26","modified_gmt":"2017-12-31T00:21:26","slug":"tanto-pra-tao-pouco-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2017\/12\/30\/tanto-pra-tao-pouco-parte-ii\/","title":{"rendered":"Tanto pra t\u00e3o pouco &#8211; Parte II"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_9827\" aria-describedby=\"caption-attachment-9827\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"9827\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2017\/12\/30\/tanto-pra-tao-pouco-parte-ii\/fbl-mexico-footballs\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA.jpg\" data-orig-size=\"1200,800\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;AFP&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;A man works in the manufacturing of footballs in Chichihualco, Guerrero State, Mexico, on May 18, 2016.\\rChichihualco is a village famous for making footballs for over 50 years in the mountains of the impoverished state of Guerrero. \\\/ AFP PHOTO \\\/ PEDRO PARDO \\\/ TO GO WITH AFP STORY BY YEMELI ORTEGA&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1464898574&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;AFP or licensors&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;FBL-MEXICO-FOOTBALLS&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"FBL-MEXICO-FOOTBALLS\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;FOTO: PEDRO PARDO\/AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA-300x200.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA-1024x683.jpg\" class=\"size-full wp-image-9827\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA.jpg 1200w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2017\/12\/000_BF2MA-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-9827\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: PEDRO PARDO\/AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pelo visto, meu texto anterior soou para alguns amigos do blog como algo retr\u00f3grado, segundo sugerem o M\u00e1rcio Souza e o Fabr\u00edcio Medeiros. Por certo, consequ\u00eancia de falhas na elabora\u00e7\u00e3o do texto por este velho e impreciso escrevinhador.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, esse neg\u00f3cio de velho muito vezes atua como elemento de interpreta\u00e7\u00e3o neste mundinho feito de clich\u00eas e chav\u00f5es, o que quase sempre conduz ao preconceito de qualquer tipo (pr\u00e9-conceito, conceito pr\u00e9 estabelecido de antem\u00e3o).<\/p>\n<p>N\u00e3o me sinto tentado, por\u00e9m, a esclarecer as coisas com medo desses clich\u00eas, nada disso. N\u00e3o t\u00f4 nem a\u00ed, pois amo coisas do passado como as do presente, sonhando sempre com o que poderia vir a ser no futuro, ainda que n\u00e3o o alcance em vida.<\/p>\n<p>Mesmo porque n\u00e3o vejo o curso da hist\u00f3ria como uma linha linear, em que a evolu\u00e7\u00e3o se d\u00e1 sucessivamente, um epis\u00f3dio atr\u00e1s do outro. Prefiro a vis\u00e3o mais moderna, aquela que tece a hist\u00f3ria como uma teia de interconex\u00f5es que a fazem avan\u00e7ar ou regredir de acordo com as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Basta ver de cima, por exemplo, o que ocorre com o nosso Brasil, em todos os setores: enquanto a Lava-Jato avan\u00e7a, as demais autoridades regridem; enquanto a tecnologia nos oferece cada vez mais recursos pra adquirir conhecimento, criar la\u00e7os de solidariedade e se expressar livremente, a sociedade, em geral, fica mais embrutecida em todos os sentidos, e assim segue a toada &#8211; um pra l\u00e1, dois pra c\u00e1.<\/p>\n<p>No futebol, que, repito \u00e0 exaust\u00e3o, \u00e9 uma dramatiza\u00e7\u00e3o do cotidiano, a coisa n\u00e3o \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Os recursos oferecidos hoje aos times brasileiros pra que tenham melhor desempenho s\u00e3o infinitos, se comparados aos dos velhos tempos. E isso, meus caros, \u00e9 muito bem-vindo.<\/p>\n<p>Quando me referi no texto da v\u00e9spera ao t\u00e9cnico faz-tudo de um passado distante n\u00e3o estava exaltando, n\u00e3o, essa figura\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio. Apenas constatava\u00a0 que esse t\u00e9cnico, hoje, \u00e9 cercado de um composto de recursos e apoios que deveria facilitar seu trabalho, al\u00e9m de lhe permitir al\u00e7ar voos mais altos.<\/p>\n<p>Vou al\u00e9m: h\u00e1 muito tempo clamo por uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica que tenha um especialista em defesa, outro em arma\u00e7\u00e3o de jogadas e um terceiro para o ataque, assim como h\u00e1 o treinador espec\u00edfico de goleiro, mais ou menos o que corre com o futebol americano, aquele subproduto do r\u00fagbi.<\/p>\n<p>Quando falo da diminui\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es do t\u00e9cnico de futebol brasileiro com o advento de tantos intermedi\u00e1rios, penso n\u00e3o em S\u00edlvio Pirilo, Fl\u00e1vio Costa, Zez\u00e9 Moreira, nada disso. Minhas refer\u00eancias s\u00e3o os atuais treinadores do campeonato mais agrad\u00e1vel e rico do planeta, o ingl\u00eas, onde o treinador \u00e9 verdadeiro<em> mannager<\/em>, com poderes que extrapolam o campo de jogo e os vesti\u00e1rios, j\u00e1 que lhe cabe inclusive manusear as verbas do clube pra contrata\u00e7\u00f5es e dispensas de jogadores.<\/p>\n<p>E, se dou um toque de ironia na constru\u00e7\u00e3o dessa\u00a0 em que se constituem os departamentos de futebol dos clubes brasileiros em geral, n\u00e3o \u00e9 pra desfazer da import\u00e2ncia de um preparador f\u00edsico, um fisioterapeuta, uma nutricionista, uma psic\u00f3loga, os analistas de desempenho diante da tela do computador, nada disso. Todos eles vieram pra ficar, gra\u00e7as a Deus!<\/p>\n<p>Quanto mais conhecimento melhor, \u00f3bvio, pra qualquer segmento da sociedade humana.<\/p>\n<p>Acontece que, no futebol brasileiro, isso tudo tem servido mais como um biombo grafitado com tra\u00e7os de modernidade do que, de fato, numa ferramenta eficiente para a melhora do produto em si, ou seja, o desempenho dos times em campo e do futebol como um todo.<\/p>\n<p>Pra que todo esse arsenal de recursos tenha efeito \u00e9 preciso antes de mais nada ter um plano, uma estrat\u00e9gia de prop\u00f3sitos, como ocorre em qualquer atividade humana, seja empresarial, seja individual. \u00c9 preciso estabelecer um alvo, de cara. Depois, as metas a serem alcan\u00e7adas progressivamente, e assim por diante.<\/p>\n<p>No futebol, o alvo, o objetivo a ser alcan\u00e7ado \u00e9 um espet\u00e1culo digno de satisfazer o gosto do espectador, o que, em cascata, leva mais p\u00fablico aos est\u00e1dios e maior audi\u00eancia na tv, o que resulta em mais investimentos dos patrocinadores, grana toda destinada a grandes contrata\u00e7\u00f5es com vistas sempre a melhorar o espet\u00e1culo, num c\u00edrculo virtuoso.<\/p>\n<p>O que se v\u00ea no futebol brasileiro \u00e9 exatamente o oposto: joguinhos vagabundos cujo \u00fanico objetivo \u00e9 ganhar aqui ou empatar ali, a qualquer custo, conceito que se fixou em nossos campos h\u00e1 mais de vinte anos e que segue sendo o padr\u00e3o vigente. Isso \u00e9 estagna\u00e7\u00e3o, ou retrocesso, se o amigo preferir. Nada mais retr\u00f3grado.<\/p>\n<p>Ganhar ou perder uma partida ou um t\u00edtulo \u00e9 da natureza do jogo &#8211; por isso, chama-se jogo. Mas, quantas vezes o amigo n\u00e3o viu um time perdedor sair aplaudido de campo por sua torcida justamente pela brilhante, embora infrut\u00edfera, atua\u00e7\u00e3o? At\u00e9 hoje, exalta-se mais a perdedora Sele\u00e7\u00e3o de 82 do que a campe\u00e3 de 94. Por qu\u00ea? Porque, como dizia o s\u00e1bio Jo\u00e3ozinho Trinta, o povo gosta do brilho, ao que acrescentaria a saudosa Aracy de Almeida &#8211; &#8220;Lantejoulas, meu filho, lantejoulas!&#8221;.<\/p>\n<p>Quer dizer: retr\u00f3grado, meu caro, \u00e9 o atual futebol brasileiro. Retr\u00f3grados s\u00e3o todos aqueles que defendem o resultado no placar a qualquer custo como o rei do jogo. Retr\u00f3grados s\u00e3o aqueles que exalam o cheiro da morte de uma das mais vivas express\u00f5es culturais do brasileiro neste dois \u00faltimos dois s\u00e9culos, em nome de uma falsa modernidade.<\/p>\n<p>Modernidade que, de fato, j\u00e1 foi coisa nossa, muito nossa, mas que hoje s\u00f3 se encontra l\u00e1 fora, nos campos da Rainha, do Rei e seus ilustres vizinhos. S\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer.<\/p>\n<p><strong>NA LINHA DO GOL<\/strong><\/p>\n<p><em>Meu Deus! Como joga esse eg\u00edpcio Salah! Canhoto, veloz, h\u00e1bil, cheio de dribles e passes inesperados fez dois gols, duas pequenas obras-primas de puro talento e inven\u00e7\u00e3o, na virada contra o Leicester, num jogo em que o Liverpool deveria ter goleado tal o volume de chances perdidas. D\u00e1 gosto ver aquela turminha do ataque dos Reds em a\u00e7\u00e3o &#8211; Salah, Coutinho, Firmino, Man\u00e9, Milner e cia. bela.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>O t\u00e9cnico Mourinho parece ter entrado em entropia. Reclama dos ju\u00edzes, dos gols de m&#8230; dos advers\u00e1rios, segundo ele declarou em entrevista coletiva, dos seus jogadores e at\u00e9 dos investimentos feitos pelos demais clubes, sendo que o United gastou os tubos pra nada. Com o empate deste s\u00e1bado, caiu pra terceiro lugar, atr\u00e1s do Chelsea, que goleou com primorosa exibi\u00e7\u00e3o de William, autor de um gol de p\u00eanalti e duas assist\u00eancias precisas. \u00d4, Mourinho, v\u00e1 catar coquinho, que \u00e9 pra rimar.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo visto, meu texto anterior soou para alguns amigos do blog como algo retr\u00f3grado, segundo sugerem o M\u00e1rcio Souza e o Fabr\u00edcio Medeiros. 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