{"id":8733,"date":"2017-01-30T21:13:42","date_gmt":"2017-01-30T23:13:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=8733"},"modified":"2017-01-30T21:16:43","modified_gmt":"2017-01-30T23:16:43","slug":"marcacao-e-esquemas-uma-zona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2017\/01\/30\/marcacao-e-esquemas-uma-zona\/","title":{"rendered":"Marca\u00e7\u00e3o e esquemas, uma zona!"},"content":{"rendered":"<p>A turma da latinha transformou esse neg\u00f3cio de esquema e t\u00e1tica em uma verdadeira zona.<\/p>\n<p>Escala-se um time sob f\u00f3rmulas que mais se assemelham a n\u00fameros de telefone ou CPF, quando de fato, no campo de jogo, a hist\u00f3ria \u00e9 bem outra. Tudo em nome da tal modernidade, termo t\u00e3o envelhecido no tempo que d\u00e9cadas atr\u00e1s j\u00e1 havia sido substitu\u00eddo pelo p\u00f3s-moderno, pra n\u00e3o lembrar que muito antes adotou-se o futurismo, mais longo e abrangente.<\/p>\n<p>Como decupar, por exemplo, o esquema utlilizado pelo atual Bayern ou o Bar\u00e7a de Guardiola, que ainda sobrevive na mem\u00f3ria do time catal\u00e3o?<\/p>\n<p>Se os dois zagueiros de \u00e1rea atuam no meio de campo, feito volantes; os laterais viram pontas e os meias atuam pr\u00f3ximo dos tr\u00eas atacantes (dois pontas fixos &#8211; Robben e Rib\u00e9ry ou Douglas Costa &#8211; e um centroavante &#8211; Lewandowiski), como distribuir no papel ou no v\u00eddeo esse time sob o estigma dos 4-2-3-1, como habitualmente o fazem nossos bravos comentaristas?<\/p>\n<p>Por exemplo, na \u00faltima partida do Bayern, no rigor da an\u00e1lise, o time jogou num aut\u00eantico 4-2-4, se levarmos em conta as caracter\u00edsticas dos jogadores que estavam em campo: Xabi Alonso e Kimich faziam o meio campo enquanto a linha de frente era formada por quatro atacantes: Robben, Muller, Lewandowiski e Rib\u00e9ry.<\/p>\n<p>Mas, na \u00e2nsia de precisar as fun\u00e7\u00f5es de cada um, eles misturam tudo &#8211; o cara que \u00e9 meia vira volante, que por sua vez vira meia, assim como o ponta, chamado de jogador de lado, coisas assim. Claro, porque o mais dif\u00edcil \u00e9 perceber a sutil diferen\u00e7a de caracter\u00edsticas e estilo de cada um; e mais f\u00e1cil \u00e9 enfiar todo mundo no mesmo saco.<\/p>\n<p>Por falar em zona, ainda no domingo, no Mesa Redonda do Flavinho, um telespectador, induzido, claro, por tais coment\u00e1rios, perguntou ao t\u00e9cnico Eduardo Baptista como ele iria mudar o sistema de marca\u00e7\u00e3o individual, adotado por Cuca, para a zona, da qual o atual treinador seria adepto.<\/p>\n<p>A resposta de Eduardo Baptista foi a de que preferia combinar as duas, com seus jogadores marcando homem-a-homem o cara que ca\u00edsse na sua zona respectiva.<\/p>\n<p>Tenho por Eduardo admira\u00e7\u00e3o e respeito pra n\u00e3o retrucar no ar que a marca\u00e7\u00e3o h\u00edbrida s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em casos especiais. Ou seja: quero que meu volante marque homem-a-homem aquele meia espec\u00edfico do advers\u00e1rio. Mas, o resto, marca por zona.<\/p>\n<p>Marcar o homem que cai na sua zona n\u00e3o \u00e9 marca\u00e7\u00e3o individual nem aqui nem na China. \u00c9 simplesmente a marca\u00e7\u00e3o por zona.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, quem disse que o Palmeiras de Cuca marcava homem-a-homem?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade, a n\u00e3o ser em casos espec\u00edficos, como o citado acima. De resto, seus times sempre marcaram por zona.<\/p>\n<p>\u00c9 que se criam essas coisas na m\u00eddia, e o torcedor vai na onda.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, a marca\u00e7\u00e3o homem-a-homem, no futebol brasileiro, foi abolida desde o final dos anos 40 do s\u00e9culo passado, quando Zez\u00e9 Moreira inventou a marca\u00e7\u00e3o por zona no Botafogo, depois no Flu e por fim na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 54 na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>O sistema, o \u00fanico criado por um brasileiro, diga-se, tomou conta do resto do mundo e s\u00f3 resistiu na It\u00e1lia at\u00e9 aquele c\u00e9lebre gol de Carlos Alberto Torres, o quarto do Brasil, na decis\u00e3o da Copa de 70. Isso, porque esse lance foi exemplar, um golpe de morte na marca\u00e7\u00e3o individual, pois o lateral-esquerdo Fachetti, mito italiano, acompanhou o ponta-direita Jairiznho at\u00e9 a lateral-direita, de onde nasceu o passe para Pel\u00e9 rolar a Carlos Alberto, entrando no espa\u00e7o vazio deixado por Fachetti na lateral-esquerda.<\/p>\n<p>A It\u00e1lia ainda tentou compensar essa falha criando a figura do<em> l\u00edbero <\/em>(livre, em portugu\u00eas, da marca\u00e7\u00e3o indivual), um zagueiro que atuava atr\u00e1s da linha dos quatro beques para fazer a cobertura dos espa\u00e7os criados pela movimenta\u00e7\u00e3o dos atacantes advers\u00e1rios, marcados ainda homem-a-homem. E, mais adiante criou outro l\u00edbero (Trappatoni), \u00e0 frente dos quatro zagueiros, para barrar as tabelinhas infernais entre Pel\u00e9 e Coutinho \u00e0 entrada da \u00e1rea. Esse, esquecia a bola e ia na dire\u00e7\u00e3o do atacante que receberia o segundo passe.<\/p>\n<p>Passou a ser a quintess\u00eancia do Catenaccio (cadead\u00e3o, o Ferrolho criado pelos su\u00ed\u00e7os no inicio da d\u00e9cada de 50) elevado ao extremo.<\/p>\n<p>Enfim, o brasileiro, sobretudo nossa m\u00eddia, gosta de uma zona e a bagun\u00e7a segue seu destino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A turma da latinha transformou esse neg\u00f3cio de esquema e t\u00e1tica em uma verdadeira zona. 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