{"id":8378,"date":"2016-08-31T19:30:38","date_gmt":"2016-08-31T22:30:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=8378"},"modified":"2016-08-31T20:59:41","modified_gmt":"2016-08-31T23:59:41","slug":"o-brasileiro-cordial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2016\/08\/31\/o-brasileiro-cordial\/","title":{"rendered":"O brasileiro cordial"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_8381\" aria-describedby=\"caption-attachment-8381\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/08\/28730112203_974535017a_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"8381\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2016\/08\/31\/o-brasileiro-cordial\/28730112203_974535017a_o\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/08\/28730112203_974535017a_o.jpg\" data-orig-size=\"850,567\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 60D&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1472594343&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;200&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;2500&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0015625&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"28730112203_974535017a_o\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Jorginho. 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Depois de cinco resultados negativos, \u00e9 uma besta aos olhos da multid\u00e3o vasca\u00edna. S\u00f3 falta pregarem-lhe o n\u00famero cabal\u00edstico 666 nas costas de sua camisa.<\/p>\n<p>Fui admirador de seu refinado futebol &#8211; um dos melhores laterais da hist\u00f3ria do Brasil &#8211; e mantive um excelente relacionamento com ele at\u00e9 a Copa do Mundo da \u00c1frica do Sul, quando, transfigurado em autorit\u00e1rio l\u00edder religioso, desafiou a todos os jornalistas que l\u00e1 estavam, fechou treinos, promoveu cultos ocultos entre os jogadores e tal e cousa e lousa e maripousa (Dunga era apenas uma das ovelhas de seu rebanho, se me permitem a irrever\u00eancia).<\/p>\n<p>Vinha de um excelente trabalho \u00e0 frente do Ameriquinha do Trajano, talvez \u00faltimo respiro do time de Noel, Lamartine e Rom\u00e1rio, e, embora n\u00e3o se firmasse no Fla e outros tantos clubes que viria a dirigir, acertou a m\u00e3o no Vasco j\u00e1 na Segundona, at\u00e9 esta s\u00e9rie de fracassos recentes.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 de Jorginho que quero cuidar. Amanh\u00e3, o Vasco come\u00e7a a vencer e ele volta a ser o Deus de S\u00e3o Janu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Minha mira \u00e9 a torcida., do Vasco e das demais. Ou melhor do brasileiro de nossos dias.<\/p>\n<p>O tal <em>brasileiro cordial,\u00a0<\/em>termo cunhado pelo g\u00eanio sociol\u00f3gico de S\u00e9rgio Buarque de Holanda, o Serj\u00e3o, pai do Chico, que tive a honra de conhecer e curtir durante alguns anos, fino observador da alma da nossa gente.<\/p>\n<p>De cara, entende-se essa express\u00e3o como se o brasileiro fosse em ser af\u00e1vel, solid\u00e1rio, parceiro, essas derivantes da express\u00e3o <em>cordial, <\/em>esquecendo-se de sua raiz etimol\u00f3gica, segundo outro Buarque de Holanda, o Aur\u00e9lio: vem do latim medieval <em>cordiale. <\/em>Isto \u00e9: coisa do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que Serj\u00e3o queria dizer e disse \u00e9 que o brasileiro \u00e9 movido mais pelo cora\u00e7\u00e3o do que pela raz\u00e3o. E o cora\u00e7\u00e3o, meu amigo, \u00e9 o reposit\u00f3rio do amor e do \u00f3dio como de todas as demais grada\u00e7\u00f5es desses sentimentos antag\u00f4nicos. Falo, claro, metaforicamente.<\/p>\n<p>Sucede que, durante durante grande parte de sua forma\u00e7\u00e3o, o brasileiro tendeu mais \u00e0 cordialidade, no sentido de amizade. O brasileiro era o boa-pra\u00e7a, divertido e que preferia se divertir antes de tudo.<\/p>\n<p>Mas, observa-se nos est\u00e1dios de futebol, assim como nas ruas e nas redes sociais, que isso mudou radicalmente. O brasileiro passou a ser um cara amargo, revoltado, descort\u00eas, enfim, o anti brasileiro, como diria Nelson Rodrigues.<\/p>\n<p>O malandro esguio e cheio de manhas e ginga, sempre com um sorriso, ainda que enganador, no rosto, cedeu espa\u00e7o nas ruas e nos est\u00e1dios aos manos alentados, de coturnos pesados, andar rob\u00f3tico, bon\u00e9 revirado, e cara crispada de \u00f3dio.<\/p>\n<p>Isso, claro, \u00e9 apenas um estere\u00f3tipo. Mas, a ess\u00eancia \u00e9 a mesma, tanto para os desprovidos como para uma classe m\u00e9dia cada vez mais agressiva e ignorante.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Isso deixo para os sucessores do saudoso Serj\u00e3o responderem, que n\u00e3o possuo conhecimento suficiente, embora tenha c\u00e1 minhas suspeitas.<\/p>\n<p>Como, por exemplo, uma revolta inconsciente de viver numa sociedade de tantas ofertas de consumo e t\u00e3o poucas oportunidades de satisfazer os desejos renovados a cada manh\u00e3.<\/p>\n<p>Na impossibilidade de atender a tantos apelos de consumo &#8211; e nisso inclui-se a tal classe m\u00e9dia, al\u00e9m dos desvalidos da sorte, como dizia o velho s\u00e1bio -, cresce o rancor e ele se espraia pelos campos de futebol e pelas redes sociais, quando n\u00e3o nas ruas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma hip\u00f3tese de um velho, eterno aprendiz das coisas da vida, sem lustros para ir t\u00e3o fundo nessa quest\u00e3o. Mas que viu coisas que at\u00e9 as carnes chegam a tremer, como no antigo samba da Portela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vaia em Jorginho \u00e9 sintom\u00e1tica. 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