{"id":7811,"date":"2016-03-24T16:56:43","date_gmt":"2016-03-24T19:56:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=7811"},"modified":"2016-03-25T00:26:16","modified_gmt":"2016-03-25T03:26:16","slug":"crujyff-e-o-misterio-dos-circulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2016\/03\/24\/crujyff-e-o-misterio-dos-circulos\/","title":{"rendered":"Cruyff e o mist\u00e9rio dos c\u00edrculos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_7814\" aria-describedby=\"caption-attachment-7814\" style=\"width: 900px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena.jpg\" rel=\"attachment wp-att-7814\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"7814\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2016\/03\/24\/crujyff-e-o-misterio-dos-circulos\/crujyffhelena\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena.jpg\" data-orig-size=\"900,506\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Crujyffhelena\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena-300x169.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena.jpg\" class=\"size-full wp-image-7814\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena.jpg\" alt=\"Foto: AFP\" width=\"900\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena.jpg 900w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2016\/03\/Crujyffhelena-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7814\" class=\"wp-caption-text\">Foto: AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Era a final da Copa do Mundo de 74, entre Alemanha e Holanda. Mestre Armando Nogueira, o texto mais refinado da cr\u00f4nica esportiva brasileira de todos os tempos, me pegou pelo bra\u00e7o e sentenciou:<\/p>\n<p>-Vamos testemunhar este momento hist\u00f3rico l\u00e1 do alto.<\/p>\n<p>E arrastou-me arquibancada acima at\u00e9 um dos \u00faltimos degraus do est\u00e1dio de Munique, de onde visualiz\u00e1vamos o campo como um tabuleiro de xadrez.<\/p>\n<p>Bola rolando, o que se via era algo absolutamente in\u00e9dito no futebol: aqueles tipos vestidos de laranja girando feito doidos pelo gramado &#8211; uma roda gigante e pequenas ros\u00e1ceas em volta da bola, formadas pelos tr\u00eas jogadores que deveriam desenhar o tradicional tri\u00e2ngulo &#8211; o que estava de posse da bola e seus dois companheiros \u00e0 espera do passe, girando em torno dele, ao inv\u00e9s de esperar o passe postados como v\u00e9rtices do tri\u00e2ngulo.<\/p>\n<p>De olho na estrela da cia., Johann\u00a0Cruyff,\u00a0acompanho seus passos. do comando do ataque, l\u00e1 na frente, ele come\u00e7a a circular no sentido anti-hor\u00e1rio, recebendo e tocando a bola, sob implac\u00e1vel persegui\u00e7\u00e3o de Vogts, verdadeiro c\u00e3o pastor alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando atinge a sua pr\u00f3pria meia-lua, Cruyff\u00a0recebe a bola e parte em linha reta, com Vogts em seu encal\u00e7o. Era como se cortasse a Laranja Mec\u00e2nica ao meio, passando por todos, at\u00e9 entrar na \u00e1rea, quando \u00e9 derrubado pelo marcador ensandecido. P\u00eanalti, gol da Holanda.<\/p>\n<p>Jogada que representava a s\u00edntese do maior craque da hist\u00f3ria holandesa e um dos mitos em todo o mundo, craque capaz de unir o sentido coletivo ao talento individual como poucos: tanto vinha aqui armar, quanto chegava para o desfecho da jogada na \u00e1rea inimiga. Mandava e desmandava nos times em que jogou (os principais, Ajax, tricampe\u00e3o europeu na virada dos 60 para 70, e o Barcelona de seu compatriota Rinus Mitchels, t\u00e9cnico tamb\u00e9m desse revolucion\u00e1rio Carrossel Holand\u00eas, igualmente denominado de Futebol Total).<\/p>\n<p>Mas, tinha tamb\u00e9m a\u00a0 humildade para ser o sentinela de sua equipe, cuja defesa jogava no meio de campo, aplicando a linha de impedimento, em movimentos coletivos e agressivos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 bola. L\u00e1 no ataque, ele vigiava os bandeirinhas nessas a\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de sua equipe. Se, acaso, o impedimento do advers\u00e1rio n\u00e3o fosse marcado, Cruyff\u00a0era quem partia para sua defesa a fim de cortar o lance, o que revelava um senso t\u00e1tico extraordin\u00e1rio, dom que lhe permitiu ser um singular treinador de futebol, no Bar\u00e7a, depois de pendurar as chuteiras.<\/p>\n<p>De onde vinham aquelas ideias e a coreografia coletiva dos holandeses, foi a primeira coisa que perguntei a Cruyff, quando ele veio a S\u00e3o Paulo, pouco depois da Copa, para participar de uma promo\u00e7\u00e3o da TV Bandeirantes, numa mesa do restaurante do hotel Eldorado, ali na avenida S\u00e3o Luiz, onde varamos a madrugada falando de futebol e outras cousas e lousas.<\/p>\n<p>Resposta: tudo nasceu na cabe\u00e7a prodigiosa de Rinus Mitchells, entre outras coisas, professor de matem\u00e1tica na Universidade de Amsterd\u00e3, que, al\u00e9m de fino te\u00f3rico era tamb\u00e9m um sargent\u00e3o daqueles. Muito por conta de problemas graves enfrentado pelo t\u00e9cnico \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio da competi\u00e7\u00e3o, que iam desde as disputas regionais entre Amsterd\u00e3 e Roterd\u00e3 at\u00e9 a aus\u00eancia de zagueiros de of\u00edcio, o que obrigou o treinador a escalar dois volantes como beques &#8211; Reijisberg e Haan &#8211; , incluindo a falta de preparo f\u00edsico do time.<\/p>\n<p>Assim, Mitchels decidiu reduzir \u00e0 metade ofensiva o campo de jogo, avan\u00e7ando sua defesa e protegendo-a via linha de impedimento, com seu goleiro Jongeblod atuando como aut\u00eantico l\u00edbero. Se o amigo encontrar aqui semelhan\u00e7a com o Bar\u00e7a e o Bayern de Guardiola n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia, pois o treinador catal\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 bebeu na fonte de Cruyff\u00a0no Bar\u00e7a como jogou sob seu comando.<\/p>\n<p>Contudo, esse conceito todo, segundo me revelou Cruyff no tal papo da madrugada, vai mais fundo, tocando os h\u00e1bitos e costumes enraizados na vida dos holandeses, que cultivam a forma circular em todas as suas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 presente nas mesas redondas, centro de encontros familiares nos lares holandeses, desde o prosaico almo\u00e7o de cada dia at\u00e9 os encontros de amigos em torno de canecas de cerveja. E se estende \u00e0s dan\u00e7as tradicionais, sempre quadrilhas em rodas, todos de m\u00e3os dadas, e assim vai.<\/p>\n<p>Quer dizer: Mitchells promoveu uma revolu\u00e7\u00e3o no futebol com base nas mais antigas tradi\u00e7\u00f5es de sua gente, como se extra\u00edsse do inconsciente coletivo do holand\u00eas o desenho mais avan\u00e7ado da hist\u00f3ria do futebol e lhe desse forma e din\u00e2mica incompar\u00e1veis, tendo no centro desse c\u00edrculo infernal a figura \u00fanica de Johann Cruyff.<\/p>\n<p>Isso lhe diz algo, meu amigo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era a final da Copa do Mundo de 74, entre Alemanha e Holanda. 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