{"id":4152,"date":"2015-06-18T15:25:31","date_gmt":"2015-06-18T18:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=4152"},"modified":"2015-06-18T15:48:44","modified_gmt":"2015-06-18T18:48:44","slug":"a-lei-do-escorpiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/06\/18\/a-lei-do-escorpiao\/","title":{"rendered":"A lei do escorpi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4155\" aria-describedby=\"caption-attachment-4155\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/06\/helena22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"4155\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/06\/18\/a-lei-do-escorpiao\/helena2-29\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/06\/helena22.jpg\" data-orig-size=\"640,439\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;AFP&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Brazil&#039;s midfielder Elias vies for the ball with Colombia&#039;s midfielder Edwin Valencia during their Copa America football match at the Estadio Monumental David Arellano in Santiago, Chile, on June 17, 2015.     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O futebol brasileiro, seja aquele praticado por nossos clubes, seja o da Sele\u00e7\u00e3o, \u00e9 o mesmo h\u00e1 anos, justamente o tempo em que ca\u00edmos dos primeiros lugares na tabela de prest\u00edgio mundial para posi\u00e7\u00f5es mais subalternas, dignas de qualquer timinho da esquina.<\/p>\n<p>E a turma n\u00e3o se toca. Do ponto de vista conceitual, o que mudou na Sele\u00e7\u00e3o dos 7 a 1 vexat\u00f3rios da Copa do Mundo para a derrota deprimente por 1 a 0 para a Col\u00f4mbia na Copa Am\u00e9rica? Nada, a n\u00e3o ser alguns reparos cosm\u00e9ticos, de superf\u00edcie no plano da distribui\u00e7\u00e3o de jogadores em campo &#8211; o 4-1-4-1 ou o famigerado 4-2-3-1 que nossos t\u00e9cnicos e comentarista gostam de timbrar como f\u00f3rmulas modernas, como se futebol de campo fosse pebolim.<\/p>\n<p>Sistemas e t\u00e1ticas v\u00e3o e voltam no tempo, como a moda &#8211; ora, a gravata \u00e9 grossa, ora fina; ora berrante, ora discreta e assim vai.<\/p>\n<p>Se nos apegarmos a isso, pode-se dizer sem medo que o sistema da moda nos centros mais avan\u00e7ados do mundo \u00e9 o velho 4-3-3. \u00c9 assim que jogam, por exemplo, Bar\u00e7a e Bayern, os dois melhores e mais vitoriosos times do planeta neste exato momento.<\/p>\n<p>Na verdade, a quest\u00e3o \u00e9 de postura. Postura interior &#8211; a alma do time &#8211; e postura exterior &#8211; a forma de se posicionar em campo. Ambas t\u00eam, no fundo, apenas duas op\u00e7\u00f5es: jogar pra se defender ou jogar pra ganhar. Ponto. Jogar pra se defender significa ter como preocupa\u00e7\u00e3o maior evitar erros. Jogar pra ganhar implica em correr riscos, a possibilidade de errar, sempre, contudo, ousando.<\/p>\n<p>O futebol brasileiro, infelizmente, caminha numa zona intermedi\u00e1ria, cinzenta, em que n\u00e3o opta nem por uma, nem por outra. Consequ\u00eancia: perdeu o vi\u00e7o e o brilho. \u00c9, na verdade, um futebol sem postura, sem personalidade pr\u00f3pria, que tem sobrevivido gra\u00e7as a este ou aquele craque da hora.<\/p>\n<p>\u00c9 uma impostura, algo como Felip\u00e3o falando pela boca de Guardiola.<\/p>\n<p>Confesso que tive um fio de esperan\u00e7a quando dos primeiros amistosos do time de Dunga, considerando que o t\u00e9cnico brasileiro dava sinais de que iria mudar o bra\u00e7o da viola. Mas, no fim, prevaleceu a lei do escorpi\u00e3o, aquela segundo a qual n\u00e3o se muda a pr\u00f3pria natureza, contrariando a outra, a da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que seria mudar o bra\u00e7o da viola?<\/p>\n<p>Seria plantar a linha de defesa mais avan\u00e7ada, incentivar a troca de passes a partir da zaga, passando pelo meio de campo e chegando ao ataque com frequ\u00eancia. Para tanto, claro, Dunga teria de escalar jogadores adequados para cumprir tal roteiro. Ou seja: beques velozes que saibam sair jogando e um meio de campo composto por jogadores h\u00e1beis e inteligentes.<\/p>\n<p>Ah, mas n\u00e3o temos esses jogadores. Nossa safra \u00e9 ruim e tal e cousa e lousa e maripousa. Meia verdade.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o temos uma legi\u00e3o de craques como em certas \u00e9pocas do nosso futebol, os que est\u00e3o a\u00ed atuam com destaque nos principais times da Europa, e, tecnicamente, n\u00e3o devem nada aos demais concorrentes desta Copa Am\u00e9rica, com as exce\u00e7\u00f5es de praxe.<\/p>\n<p>Nossos zagueiros, por exemplo, est\u00e3o entre os melhores do mundo h\u00e1 v\u00e1rias temporadas. Miranda, Thiago Silva e David Lu\u00eds sabem marcar e sabem dar aquele primeiro passe que coloca a engrenagem em funcionamento. Eles fazem isso em seus times, seja na It\u00e1lia, na Inglaterra, na Espanha ou na Fran\u00e7a, onde jogam ou jogaram recentemente, como se estivessem tomando um copo d&#8217;\u00e1gua. Por que diabos n\u00e3o o fazem na Sele\u00e7\u00e3o, onde ficam l\u00e1 atr\u00e1s disparando bal\u00f5es pra frente, como se atuassem no Chapetuba FC?<\/p>\n<p>Pau que nasce torto&#8230;<\/p>\n<p>Mas, se por acaso, dominam a bola nas proximidades de sua \u00e1rea e tocam-na&#8230; pra quem? Pros dois volantes, aquelas G\u00e1rgulas de fachadas g\u00f3ticas, que s\u00f3 servem pra meter medo em crian\u00e7as, cometer faltas perigosas e errar o passe em seguida.<\/p>\n<p>E n\u00e3o me refiro apenas a Elias e Fernandinho, que at\u00e9 ganham em t\u00e9cnica dos seus pares habituais. Falo em termos gerais.<\/p>\n<p>Mesmo porque \u00e9 dado a eles fun\u00e7\u00f5es para as quais n\u00e3o est\u00e3o habilitados: a de arma\u00e7\u00e3o, do passe decisivo preciso e inteligente, de controlar os nervos da partida, essas coisas.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1, como os meias, tipo Everton Ribeiro ou P. Coutinho, ou fica no banco, ou \u00e9 escanteado para as extremidades do campo, como Willian e Fred, numa fun\u00e7\u00e3o imprecisa entre a de lateral e a de ponta, nada compat\u00edvel com a natureza do futebol de um aut\u00eantico meia. Resultado: inevitavelmente, um futebol descerebrado, feito de impulsos, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, literalmente.<\/p>\n<p>Como? Se, apesar disso tudo, vamos nos classificar para a pr\u00f3xima fase da Copa Am\u00e9rica? Desconfio que sim. Pois, seria humilha\u00e7\u00e3o ainda maior do que os 7 a 1 se formos desclassificados pela Venezuela, por mais que o futebol de l\u00e1 tenha evolu\u00eddo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>E, se essa desgra\u00e7a ocorrer, nem pense que servir\u00e1 de alerta para as mudan\u00e7as fundamentais de que tanto carece nosso futebol sejam finalmente adotadas.<\/p>\n<p>Aqui, continua prevalecendo mesmo \u00e9 a lei do escorpi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixemos Neymar um pouco de lado, pois at\u00e9 para o craque h\u00e1 dia que \u00e9 s\u00f3 noite. 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