{"id":404,"date":"2014-07-31T17:45:27","date_gmt":"2014-07-31T20:45:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=404"},"modified":"2014-07-31T17:52:09","modified_gmt":"2014-07-31T20:52:09","slug":"olho-na-mocada-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/31\/olho-na-mocada-gente\/","title":{"rendered":"Olho na mo\u00e7ada, gente!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_407\" aria-describedby=\"caption-attachment-407\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/bola.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"407\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/31\/olho-na-mocada-gente\/bola\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/bola.jpg\" data-orig-size=\"640,432\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"AFP\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/bola.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/bola.jpg\" class=\"size-full wp-image-407\" alt=\"AFP\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/bola.jpg\" width=\"640\" height=\"432\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-407\" class=\"wp-caption-text\">AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Essa gente nem t\u00e1 a\u00ed. Falo dos cartolas, t\u00e9cnicos, jogadores em geral e a tv que paga a festa. Essa turma toda n\u00e3o percebe, ou finge n\u00e3o perceber, que, com esse futebol murrinha praticado por aqui, est\u00e1 cevando um futuro negro para o Brasil.<\/p>\n<p>Quando o amigo assiste, nas manh\u00e3s de s\u00e1bado e de domingo, jogos dos campeonatos alem\u00e3o, ingl\u00eas e espanhol, principalmente, as tardes e noites brasileiras do fim de semana parecem transcorrer l\u00e2nguidas e longas, como se projetadas em tediosa e repetitiva c\u00e2mera lenta.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que se multiplicam por esse Brasil afora torcidas organizadas, via Internet, de Bayern, Bar\u00e7a, Real, Manchester (ambos), Liverpool, Arsenal, o diabo a quatro. S\u00e3o jovens, que, gra\u00e7as aos canais pagos, descobriram que h\u00e1 l\u00e1 fora um jogo sedutor, pleno de emo\u00e7\u00f5es, gols e jogadas r\u00e1pidas, de efeito, gostoso de se ver, chamado futebol. Exatamente o oposto do que, aqui, chamamos tamb\u00e9m pelo mesmo nome.<\/p>\n<p>Ah, mas a cultura no Brasil \u00e9 outra, responder\u00e1 com ar solene o s\u00e1bio de botequim. Que cultura, cara-p\u00e1lida analfabeto em futebol e outras artes?<\/p>\n<p>Cultura, como sugere a pr\u00f3pria palavra, \u00e9 din\u00e2mica, uma rede de informa\u00e7\u00f5es que come\u00e7ou a ser tecida nos nossos gramados h\u00e1 cem anos e segue em frente, formando novas tramas at\u00e9 o fim dos tempos. Cultura \u00e9 cultivo, conceitos e vis\u00f5es que s\u00e3o semeados num determinado momento da hist\u00f3ria, florescem e morrem quando nova semente come\u00e7a a dar frutos. Algo parecido com tradi\u00e7\u00e3o, que, ao contr\u00e1rio do que muita gente pensa, n\u00e3o \u00e9 um feixe de causos e costumes congelados no tempo. Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 transi\u00e7\u00e3o, passagem, como as hist\u00f3rias contadas ao p\u00e9 do fogo pelos anci\u00e3os da tribo, que a cada gera\u00e7\u00e3o ganham novos personagens, novas cen\u00e1rios, novos ingredientes dram\u00e1ticos, c\u00f4micos ou tr\u00e1gicos.<\/p>\n<p>A fila anda, meu. E, na fila em dire\u00e7\u00e3o ao futuro, o futebol brasileiro vai cada vez mais ficando pra tr\u00e1s, s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer, ou, ent\u00e3o, os que levam vantagem com a perman\u00eancia desse status enquanto estiverem no centro das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pegue o amigo o discurso de posse de Felip\u00e3o no Gr\u00eamio, duas semanas depois de ter sido culpado pela maior cat\u00e1strofe da hist\u00f3ria da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira em todos os tempos, e, como pr\u00eamio, receber uma indeniza\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es de reais. Repetiu que nada tem a aprender em mat\u00e9ria de futebol e que s\u00f3 \u00e9 condenado pela vergonha nacional na nossa Copa do Mundo pela imprensa. Os 10 a 1 para a Alemanha e para a Holanda s\u00e3o meras abstra\u00e7\u00f5es. Ou, simples epis\u00f3dios do futebol que poderiam ocorrer com qualquer um em qualquer momento.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, t\u00e1. Ent\u00e3o, fica tudo desse mesmo jeitinho. N\u00e3o h\u00e1 nada para mudar com vistas ao futuro, pra n\u00e3o dizer o presente. O futuro, ali\u00e1s, n\u00e3o h\u00e1: s\u00f3 o passado dos tantos t\u00edtulos pelo Gr\u00eamio, pelo Palmeiras, o penta mundial e tal e cousa e lousa e maripousa.<\/p>\n<p><strong>A paix\u00e3o dos jovens<\/strong><\/p>\n<p>Por falar em passado, deixe-me fazer um corte e perguntar ao amigo se ele sabe como e por que nasceu a Jovem Guarda, aquele movimento musical que projetou no cen\u00e1rio art\u00edstico figuras como Roberto Carlos, Erasmo, Vandelea e tantos outros, abrindo as portas do Brasil definitivamente para o rock e demais breguices que at\u00e9 hoje assolam nossa <em>cultura.<\/em><\/p>\n<p>Pois, foi assim. Naquele in\u00edcio dos anos 60, as tardes de domingo eram tomadas pelo futebol, com a Record puxando o barco, e a Tupi no seu encal\u00e7o. Mesmo porque a Record dos Carvalho havia inovado as transmiss\u00f5es, entre outras coisas, quando o Tuta, filho do dono e diretor de tv, teve a brilhante ideia de instalar uma c\u00e2mera \u00e0 beira do gramado. Menos para colher detalhes do jogo e mais para interagir com o p\u00fablico nas arquibancadas, gerais, numeras e tribunas do est\u00e1dio.<\/p>\n<p>Certa tarde, na varredura da c\u00e2mera indiscreta, eis que surge a cena fatal: um alto e poderoso cartola, ao lado de sua amante, na tribuna de honra. Quando o indigitado cartola chegou em casa, foi aquele escarc\u00e9u &#8211; a leg\u00edtima esposa havia assistido a tudo pela televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Resultado: na segunda-feira, a Federa\u00e7\u00e3o determina o fim das transmiss\u00f5es ao vivo dos jogos de futebol, sob o argumento de que a tv roubava p\u00fablico dos est\u00e1dios, numa \u00e9poca em que os clubes s\u00f3 viviam das contribui\u00e7\u00f5es dos s\u00f3cios e das rendas das bilheterias dos est\u00e1dios. N\u00e3o existia patroc\u00ednio nas camisa, a tv n\u00e3o pagava um tost\u00e3o de direitos, nada disso.<\/p>\n<p>Correndo pra tapar o buraco da programa\u00e7\u00e3o da Record, Paulinho de Carvalho e seu irm\u00e3o Tuta bolam uma sa\u00edda emergencial: um programa musical feito para os jovens, que eram o grande p\u00fablico do futebol na tv, a partir do sucesso em disco de <em>Splish, Splash,<\/em> na voz Roberto Carlos.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 que a coisa pegou? De tal forma, que praticamente toda uma gera\u00e7\u00e3o de jovens deixou o futebol pra l\u00e1 e se agarrou \u00e0s guitarras e baterias com paix\u00e3o desmedida.<\/p>\n<p>Meu medo \u00e9 que se a turma insistir em ficar parada no tempo e no espa\u00e7o, num futuro n\u00e3o muito distante, as crian\u00e7as que hoje come\u00e7am a abrir os olhos para o futebol, logo, logo, ser\u00e3o adolescentes fan\u00e1ticos pelo Bayern, Manchester, Chelsea, Real, Bar\u00e7a etc.<\/p>\n<p>Afinal, o jovem gosta de movimento. Ali\u00e1s, os velhos tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Vamos, pois, mexer essas cadeiras. Caso contr\u00e1rio, nosso futebol dan\u00e7a de vez, enquanto eles l\u00e1 fora cantam de galo, \u00e0 custa de nossa incompet\u00eancia. E o pior: tocando os instrumentos que n\u00f3s mesmos inventamos e jogamos fora, em nome de uma modernidade que n\u00e3o passa de atraso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa gente nem t\u00e1 a\u00ed. Falo dos cartolas, t\u00e9cnicos, jogadores em geral e a tv que paga a festa. 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