{"id":3133,"date":"2015-03-18T16:05:00","date_gmt":"2015-03-18T19:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=3133"},"modified":"2015-03-18T16:11:20","modified_gmt":"2015-03-18T19:11:20","slug":"volantes-e-que-tais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/03\/18\/volantes-e-que-tais\/","title":{"rendered":"Volantes e que tais"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3136\" aria-describedby=\"caption-attachment-3136\" style=\"width: 220px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/03\/zito_helena.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"3136\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/03\/18\/volantes-e-que-tais\/futebol-selecao-brasileira-1958\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/03\/zito_helena.jpg\" data-orig-size=\"220,263\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;ACERVO\\\/GAZETA PRESS&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;FUTEBOL - SELE\\u00c7\\u00c3O BRASILEIRA - 1958 - ESPORTES - ACERVO - O jogador Zito - Foto: Acervo\\\/Gazeta Press&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;FUTEBOL - SELE\\u00c7\\u00c3O BRASILEIRA - 1958&quot;}\" data-image-title=\"Acervo\/Gazeta Press\" data-image-description=\"&lt;p&gt;FUTEBOL &amp;#8211; SELE\u00c7\u00c3O BRASILEIRA &amp;#8211; 1958 &amp;#8211; ESPORTES &amp;#8211; ACERVO &amp;#8211; O jogador Zito &amp;#8211; Foto: Acervo\/Gazeta Press&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Acervo\/Gazeta Press&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/03\/zito_helena.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/03\/zito_helena.jpg\" class=\"size-full wp-image-3136\" alt=\"Acervo\/Gazeta Press\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/03\/zito_helena.jpg\" width=\"220\" height=\"263\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3136\" class=\"wp-caption-text\">Acervo\/Gazeta Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>No novo programa da Sportv, comandado com esmero pelo excelente Marcelo Barreto, l\u00e1 estavam, al\u00e9m de Luxemburgo, uma p\u00e1 de respeit\u00e1veis comentaristas, dentre eles os ex-craques, meus queridos, Carlos Alberto Torres e Ricardo Rocha, al\u00e9m do Cleber Machado, que deu luz \u00e0 discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, quando o debate caiu na quest\u00e3o dos volantes, a turma embolou o meio-campo, confundindo \u00e0s vezes sem\u00e2ntica e fun\u00e7\u00e3o, o que ocorre, ali\u00e1s, com muita frequ\u00eancia hoje em dia.<\/p>\n<p>Percebi que alguns cunhavam a palavra<em> volante <\/em>justamente no sentido contr\u00e1rio ao seu real significado: referiam-se ao de cabe\u00e7a de \u00e1rea, aquele cara que fica ali na entrada da \u00e1rea protegendo os zagueiros. Costumo brincar que volante<em> vola<\/em>, do latim vulgar <em>volare<\/em>, voar, no nosso portugu\u00eas de sempre. Isto \u00e9: o mais recuado dentre os homens de meio de campo que vai e vem, incessantemente, da defesa ao ataque e vice-versa.<\/p>\n<p>Volante vem de\u00a0<em>m\u00e9dio-volant<\/em>e, que antes era<em> m\u00e9dio-apoiador<\/em>, cuja origem era apenas<em> m\u00e9dio<\/em> (half, em ingl\u00eas, abrasileirado nos anos 40 para alfo), mais precisamente, <em>centro-m\u00e9dio <\/em>ou <em>center-half,<\/em> tamb\u00e9m denominado de<em> eixo<\/em>, pois que se tratava do eixo central da equipe, para quem a bola convergia e de onde partia sua distribui\u00e7\u00e3o para o resto da equipe, no sistema cl\u00e1ssico original, o 2-3-5 (dois beques, tr\u00eas m\u00e9dios e cinco atacantes).<\/p>\n<p>Com o advento do WM, do escoc\u00eas H. Chapman, no final dos anos 20, o eixo foi substitu\u00eddo por dois m\u00e9dios apoiadores e dois meias, formando o tal quadrado m\u00e1gico que o pessoal at\u00e9 hoje confunde com quatro jogadores de excel\u00eancia, seja no meio de campo, seja no ataque.<\/p>\n<p>Mais tarde, j\u00e1 nos anos 50, surgiu a figura do quarto-zagueiro, um desses d0is m\u00e9dios apoiadores recuado para a fun\u00e7\u00e3o de zagueiro, o zagueiro que, al\u00e9m de destruir, sabia sair para o jogo, quando seu time estivesse de posse da bola, formando a linha de quatro zagueiros, j\u00e1 n\u00e3o mais de tr\u00eas &#8211; dois laterais e dois centralizados, em vez de dois laterais e um central.<\/p>\n<p>Assim, caracteriza-se, \u00e0 frente dessa linha defensiva, o<em> m\u00e9dio-volante<\/em>, um sujeito que guarnece sua entrada de \u00e1rea, mas que, com a bola sai para o jogo, em combina\u00e7\u00f5es l\u00facidas com seus meias e at\u00e9 mesmo ultrapassando-os na sequ\u00eancia da jogada.<\/p>\n<p>Geralmente, esse <em>m\u00e9dio-volante<\/em>, reduzido pela pregui\u00e7a nacional para simplesmente <em>volante<\/em>, era um meia, jogador com habilidade no passe e na articula\u00e7\u00e3o de jogadas, al\u00e9m de f\u00f4lego e velocidade para ir e vir, com capacidade adiconal de desarmar o advers\u00e1rio, recuado para essa posi\u00e7\u00e3o. Esses foram os casos dos mais afamados volantes de nossa hist\u00f3ria, de Jos\u00e9 Carlos Bauer, o Monstro do Maracan\u00e3, na Copa de 50, capit\u00e3o do Brasil na de 54, Dino e Zito, em 58 e 62, pra n\u00e3o citar uma infinidade de outros craques nessa posi\u00e7\u00e3o em clubes.<\/p>\n<p>Dudu, por exemplo, tido e havido como aut\u00eantico<em> cabe\u00e7a-de-\u00e1rea<\/em>, quando essa figura foi inventada nos anos 60, aquele le\u00e3o-de-ch\u00e1cara dos zagueiros, era, tamb\u00e9m, um meia avan\u00e7ado no trio inesquec\u00edvel da Ferrovi\u00e1ria daquela \u00e9poca, formada por Dirceu, o volante, Dudu e Bazzani, o craque da equipe.<\/p>\n<p>Foi, ent\u00e3o, que o conceito do cabe\u00e7a-de-\u00e1rea, com Den\u00edlson, do Flu, o Pr\u00edncipe Et\u00edope de Rancho Carnavalesco, de N\u00e9lson Rodrigues, passou a ser o precursor de uma moda que vige at\u00e9 hoje: o\u00a0 volante que n\u00e3o <em>vola<\/em>, fica, uma esp\u00e9cie de terceiro zagueiro centralizado \u00e0 frente dos dois zagueiros de fato.<\/p>\n<p>Isso, at\u00e9 1975, quando mestre Rubens Minelli, \u00e0 frente daquele maravilhoso Inter, resolveu inverter a geometria do meio de campo composto sempre por tum tri\u00e2ngulo. Em vez de um volante e dois meias, dois volantes e um meia. Na forma\u00e7\u00e3o anterior, eram Falc\u00e3o, Escurinho, um meia ofensivo, e Carpegiani, o meia-armador. Passou a ser Ca\u00e7apava (depois, Batista), Falc\u00e3o e Carpegiani.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, instituiu-se o dogma dos dois volantes que nos persegue at\u00e9 hoje. Mas, como se justifica Minelli, o tal segundo volante era ningu\u00e9m menos do que o genial Falc\u00e3o. Al\u00e9m do que, seu ataque era formado por dois pontas genu\u00ednos (Valdomiro e Lula) e um centroavante t\u00edpico (Fl\u00e1vio Minuano e depois Dario).<\/p>\n<p>Aos poucos, esses dois volantes &#8211; \u00e0s vezes, refor\u00e7ado por um terceiro &#8211; deixaram de ser volantes pra se transformar em dois cabe\u00e7as-de-\u00e1rea, com caracter\u00edsticas meramente defensivas, o que vem mudando paulatinamente nos \u00faltimos anos, com os tais<em> volantes que sabem sair<\/em>, ou seja: o \u00f3bvio. Pois, quem n\u00e3o sabe jogar, passar, driblar, n\u00e3o pode ser jogador de futebol. V\u00e1 ser comentarista esportivo, em \u00faltimo caso, se n\u00e3o tiver outros atributos mais \u00fateis.<\/p>\n<p>Bem, o fato \u00e9 que, agora, a turma despertou para um fato novo mais velho da hist\u00f3ria do futebol: nos principais centros futebol\u00edsticos do mundo, o tal <em>volante<\/em>, exclusivamente defensivo, foi jogado pra escanteio. Em seu lugar, entra o meia, jogador mais habilidoso por natureza, com disposi\u00e7\u00e3o para tamb\u00e9m marcar, ou apenas fechar espa\u00e7os, como o resto do time, defensores, armadores e atacantes.<\/p>\n<p>No Brasil, a quest\u00e3o se resume, agora, \u00e0 discuss\u00e3o meramente sem\u00e2ntica: n\u00e3o devemos mais chamar o volante de volante, mas simplesmente de meio-campistas. N\u00e3o basta trocar os nomes, pois isso n\u00e3o muda as caracter\u00edsticas do jogador. Volante \u00e9 volante, por estilo, voca\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnica. Meia \u00e9 meia, por esses mesmos atributos.<\/p>\n<p>Tudo, por conta dos famigerados 7 a 1 diante da Alemanha, na Copa do Mundo rec\u00e9m disputada aqui.<\/p>\n<p>Bem, ent\u00e3o peguemos esse mesmo time alem\u00e3o. Se o amigo escalar seu meio-campo com Khedira, Schweinsteiger e Ozil, ter\u00e1 um volante (Khedira) e dois meias. Se, por\u00e9m, fizer assim: Schweinsteiger, Ozil e G\u00f6tz, ter\u00e1 tr\u00eas meias, com Schweinsteiger ocupando a posi\u00e7\u00e3o de<em> volante<\/em>. Se escalar o meio de campo do Bar\u00e7a com Busquets, Xavi e Iniesta, ter\u00e1 um volante e dois meias. Se, contudo, montar esse setor com Xavi, Iniesta e Rafinha, por exemplo, ter\u00e1 tr\u00eas meias e nenhum volante de of\u00edcio. E olhe que estou citando volantes que, no nosso linguajar, sabem sair jogando, tipo Khedira e Busquets.<\/p>\n<p>\u00c9 essa falta de sintonia fina na percep\u00e7\u00e3o de estilos e potenciais dos jogadores que falta aos nossos t\u00e9cnicos e comentaristas, em geral, com as devidas exce\u00e7\u00f5es, e que nos mant\u00e9m, juntamente com tantos outros fatores adjacentes, no atraso em que vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No novo programa da Sportv, comandado com esmero pelo excelente Marcelo Barreto, l\u00e1 estavam, al\u00e9m de Luxemburgo, uma p\u00e1 de respeit\u00e1veis comentaristas, dentre eles os <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/03\/18\/volantes-e-que-tais\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":3136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/03\/zito_helena.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pekB7q-Ox","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3133\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}