{"id":291,"date":"2014-07-23T18:06:36","date_gmt":"2014-07-23T21:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=291"},"modified":"2014-07-23T18:19:52","modified_gmt":"2014-07-23T21:19:52","slug":"neymar-que-se-cuide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/23\/neymar-que-se-cuide\/","title":{"rendered":"Neymar que se cuide"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_294\" aria-describedby=\"caption-attachment-294\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/neymar2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"294\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/23\/neymar-que-se-cuide\/neymar2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/neymar2.jpg\" data-orig-size=\"640,427\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"AFP\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/neymar2.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/neymar2.jpg\" class=\"size-full wp-image-294\" alt=\"AFP\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/neymar2.jpg\" width=\"640\" height=\"427\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-294\" class=\"wp-caption-text\">AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pelo cheiro da brilhantina que exala das palavras de Gilmar Rinaldi e Dunga sobre comprometimento, estrelismos e outros bichos, Neymar que se cuide, pois ele \u00e9 sempre alvo f\u00e1cil para os demagogos moralistas de plant\u00e3o. Esse discurso costuma tocar a alma tosca das massas, e n\u00e3o falo s\u00f3 de futebol.<\/p>\n<p>E olhe que Neymar, gravemente machucado, nem participou dos vexames diante da Alemanha e da Holanda. Ao contr\u00e1rio: enquanto esteve em campo, foi o artilheiro do time e o rei em assist\u00eancias, al\u00e9m de desmoralizar advers\u00e1rios com suas arrancadas solit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Mas, quando Dunga, que, apesar do clamor p\u00fablico, se negou a cham\u00e1-lo em 2010 e deve guardar o ran\u00e7o disso, d\u00e1 indiretas sobre a necessidade de o craque da equipe jogar pelo conjunto, dirige-se, claro a Neymar, o \u00fanico craque do Brasil. Nem precisava, pois poucos craques nu mundo s\u00e3o t\u00e3o participativos, taticamente, do que Neymar. Ajuda na marca\u00e7\u00e3o, joga pelos lados, pelo meio, armando ou atacando.<\/p>\n<p>Mas, e o cabelinho pintado? E a presen\u00e7a perturbadora da bela Marquezine ao seu pesco\u00e7o? E tantas c\u00e2meras e microfones assestados em\u00a0 Neymar de manh\u00e3 \u00e0 noite. E essas Neymaretes hist\u00e9ricas \u00e0 beira do campo?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como aceitar tais desplantes. Reco \u00e9 reco e tem de entrar em forma\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira palavra de ordem do chefe e ali ficar at\u00e9 receber a contra ordem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, meu caro Neymar, um conselho de amigo (da on\u00e7a): corte a carapinha ao natural, de prefer\u00eancia \u00e0 escovinha, espetado ao<em> fashion\u00a0<\/em>capit\u00e3o, troque a Marquezine por uma baranga sem tempero nem vi\u00e7o, treine todo dia diante do espelho a batida de contin\u00eancia de praxe e deixe dessas frescuras, meu, que aqui o neg\u00f3cio \u00e9 s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Ah, sim, de prefer\u00eancia, jogue na lata do lixo todos aqueles dribles, inven\u00e7\u00f5es e investidas \u00e0 \u00e1rea inimiga, e fique de olho no lateral deles que \u00e9 sempre um perigo iminente, mesmo que ele mal saiba a cor da bola.<\/p>\n<p>E assim, meu camarada em armas, voc\u00ea ser\u00e1 um homem feliz para sempre, em meio a tanta infelicidade.<\/p>\n<p><strong>Arte eterna<\/strong><\/p>\n<p>Belo coment\u00e1rio do amigo que se assina Ingl\u00eas. Vale a pena a turma ler.<\/p>\n<p>S\u00f3 discordo de que a arte seja coisa do passado. Ela \u00e9, talvez, a maior inven\u00e7\u00e3o do homem, um canal pelo qual tenta expressar sensa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na ess\u00eancia da alma humana. Pode mudar de forma, t\u00e9cnicas, materiais etc., mas sempre ser\u00e1 arte, esse suspiro que vem l\u00e1 do fundo da nossa origem e seguir\u00e1 avante at\u00e9 esta bolinha azul perder a cor e a vida.<\/p>\n<p>Trazendo para o campo de jogo, o que fez a Espanha em 2010? Jogou futebol\/arte, com habilidade e intelig\u00eancia. E que dizer da Alemanha, que, com arte e ci\u00eancia, destro\u00e7ou a pobre horda rob\u00f3tica que vestia a camisa amarelinha?<\/p>\n<p>Acrescente a\u00ed, amigo, o Bar\u00e7a e o Bayern de Guardiola, encantadores vitoriosos de quase tudo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>E ver\u00e1 que temos, sim, uma luzinha no fim do t\u00fanel tremulando. O diabo \u00e9 que esse povo ai, composto de Marins e Del Neros, Felip\u00f5es e Dungas, n\u00e3o enxerga um palmo adiante do nariz. Ou fingem n\u00e3o enxergar esperando assim nos manter na escurid\u00e3o do atraso, como se os seus atos n\u00e3o estivessem ao alcance de nossos olhos. \u00c9 a hist\u00f3ria da avestruz, meu.<\/p>\n<p>Prova do que digo \u00e9 a imensa rejei\u00e7\u00e3o, coisa de 85 por cento, que a escolha de Dunga provocou na opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>O torcedor pode, \u00e0s vezes, misturar alhos com bugalhos, levado pela paix\u00e3o. Mas, uma coisa n\u00e3o se altera: ele exige um futebol bem jogado, tramado, com belas jogadas e muitos gols. N\u00e3o s\u00f3 da Sele\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, dela.<\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, havia uma corrente que creditava a falta de p\u00fablico nos est\u00e1dios (uma cat\u00e1strofe se comparado o Pa\u00eds do Futebol aos menos categorizados do mundo &#8211; levamos de lavada nesse quesito tamb\u00e9m) \u00e0s m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es das instala\u00e7\u00f5es dos velhos campos de futebol, aos gramados mal cuidados etc.<\/p>\n<p>Claro que isso contribu\u00eda, assim como o tal hor\u00e1rio das dez da noite e o alto pre\u00e7o dos ingressos para o coitado e mal pago povo brasileiro.<\/p>\n<p>Mas, o fato \u00e9 que inundaram o pa\u00eds de est\u00e1dios magn\u00edficos e o que se viu uma semana ap\u00f3s o fim da Copa? Com as exce\u00e7\u00f5es de praxe &#8211; um Corinthians aqui, um S\u00e3o Paulo ali -, esses monumentos \u00e0 modernidade e ao conforto ocupados pela mesma meia d\u00fazia de gatos pingados nas rodadas do Brasileir\u00e3o, o maior e mais significativo torneio p\u00e1trio.<\/p>\n<p>Quer dizer: a imensa rejei\u00e7\u00e3o a Dunga, o que ele significa na pr\u00e1tica e a aus\u00eancia de p\u00fablico condigno nos est\u00e1dios sinalizam para o \u00f3bvio: ningu\u00e9m mais &#8211; a n\u00e3o ser uma fra\u00e7\u00e3o dos apaixonados sem freios somados \u00e0s tais torcidas uniformizadas &#8211; se abala de casa pra ver esse futebolzinho mequetrefe que h\u00e1 anos sem desenrola em campo.<\/p>\n<p>Espie s\u00f3 este exemplo. Bastou o S\u00e3o Paulo apresentar diante do Bahia um jogo dentro das regras da arte, o que lhe valeu at\u00e9 a\u00e7odadas compara\u00e7\u00f5es com a Alemanha, para o Morumbi receber no jogo seguinte um p\u00fablico de quarenta e tantos mil espectadores, que saiu frustrad\u00edssimo pelo mau desempenho de sua equipe. N\u00e3o fosse a poss\u00edvel reestreia de Kak, apostaria que o p\u00fablico do pr\u00f3ximo jogo do Tricolor no Morumbi seria o equivalente a um quarto do \u00faltimo s\u00e1bado.<\/p>\n<p>Ah, mas esse futebol chato e feio que temos por aqui \u00e9 fruto do \u00eaxodo dos nossos maiores talentos. \u00c9 mermo?, como dizia meu saudoso amigo D\u00e1cio Malandro.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o como explicar a repeti\u00e7\u00e3o desse mesmo futebol pela elite dos brasileiros que est\u00e3o l\u00e1 fora, incensados pelos estrangeiros como craques consumados de primeira linha, na Sele\u00e7\u00e3o que deu aquele vexame todo na Copa?<\/p>\n<p>A pista est\u00e1 nas entrelinhas do que disse Dunga na coletiva de ter\u00e7a-feira:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 Falam a\u00ed que a Alemanha ganhou porque se organizou depois do fracasso de 2002. Joguei na Alemanha e posso dizer que eles sempre foram organizados ao extremo, em todos os setores, n\u00e3o s\u00f3 no futebol. Esses centros de treinamento que est\u00e3o falando a\u00ed j\u00e1 existiam h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Bravo, Capia! Afinal, concordamos numa coisa: o \u00eaxito agora da Alemanha n\u00e3o foi principalmente fruto de organiza\u00e7\u00e3o, pois isso faz parte da alma germ\u00e2nica desde sempre.<\/p>\n<p>O que mudou l\u00e1, desde a virada do s\u00e9culo, foi a mentalidade dos cartolas, t\u00e9cnicos e jogadores a respeito de como deve ser jogado o futebol. Tem que passar a ser um espet\u00e1culo atraente, despido de medo e de f\u00f3rmulas alqu\u00edmicas destinadas a impedir que o advers\u00e1rio jogue.<\/p>\n<p>E foi o que aconteceu: os times passaram a jogar ofensivamente, apostando em jogadores de habilidade mais do que de for\u00e7a. Enfim, pintaram o cinzento de cores vivas no gramado verde. Puseram pra correr os volant\u00f5es, os tr\u00eas bec\u00f5es, limparam os excessos defensivos, colocando jogadores de habilidade em campo e mudaram o bra\u00e7o da viola. Encheram os est\u00e1dios de espectadores e nossos olhos de prazer.<\/p>\n<p>Pegue como exemplo esse Schweinsteiger que acaba de levantar a Ta\u00e7a nas nossas fu\u00e7as. Era um meia ofensivo, que foi recuado para a arma\u00e7\u00e3o e acabou jogando a Copa como primeiro volante, ao lado de Kroos, outro meia armador e Ozil, idem com batatas. E n\u00f3s aqui ainda estamos no est\u00e1gio dos dois ou tr\u00eas volantes <em>que sabem sair jogando<\/em>, como repetem \u00e0 exaust\u00e3o t\u00e9cnicos e comentaristas em geral, jovens e velhos.<\/p>\n<p>Alias, foi quase um consenso nas cr\u00edticas ao Felip\u00e3o o fato de ele n\u00e3o ter escalado tr\u00eas volantes para conter a blitz alem\u00e3. \u00c9 a completa invers\u00e3o de nossos valores. N\u00f3s somos os alem\u00e3es do passado, e eles os brasileiros do presente.<\/p>\n<p>Ora, volante saber sair jogando de tr\u00e1s \u00e9 o m\u00ednimo que se exige de um jogador de futebol profissional. E basta um, se tanto.<\/p>\n<p>Ah, mas e a marca\u00e7\u00e3o? Pois sabe o amigo qual foi o jogador brasileiro que mais roubou bola do advers\u00e1rio nesta Copa? Nenhum dos tantos volantes, mas, sim, o meia Oscar. Pra quem gosta de n\u00fameros estat\u00edsticos, eis a resposta.<\/p>\n<p>Trata-se de um princ\u00edpio b\u00e1sico da vida: destruir \u00e9 mais f\u00e1cil do que construir.<\/p>\n<p>Enfim, nem daqui mil anos teremos o senso de organiza\u00e7\u00e3o dos alem\u00e3es, embora possamos e devamos trabalhar nesse sentido, ajustando esse calend\u00e1rio insano, investindo na forma\u00e7\u00e3o de futuras craques, n\u00e3o simples oper\u00e1rios da bola e tudo o mais que reza na cartilha dos reformadores<\/p>\n<p>Mas, o essencial, o b\u00e1sico e urgente \u00e9 mudar o conceito que o universo do futebol brasileiro tem sobre como armar o espet\u00e1culo da bola.<\/p>\n<p>Vamos jogar bola, com intelig\u00eancia, habilidade e, sobretudo, sem medo de perder. \u00c9 isso o que o povo quer. O resto \u00e9 lero-lero dos incompetentes de sempre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo cheiro da brilhantina que exala das palavras de Gilmar Rinaldi e Dunga sobre comprometimento, estrelismos e outros bichos, Neymar que se cuide, pois ele <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/23\/neymar-que-se-cuide\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/neymar2.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pekB7q-4H","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/291\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media\/294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}