{"id":286,"date":"2014-07-22T18:05:05","date_gmt":"2014-07-22T21:05:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=286"},"modified":"2014-07-22T18:15:09","modified_gmt":"2014-07-22T21:15:09","slug":"dunga-e-o-futebolarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/22\/dunga-e-o-futebolarte\/","title":{"rendered":"Dunga e o futebol\/arte"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_289\" aria-describedby=\"caption-attachment-289\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/helena10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"289\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/07\/22\/dunga-e-o-futebolarte\/helena-10\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/helena10.jpg\" data-orig-size=\"640,407\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"AFP\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/helena10.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/helena10.jpg\" class=\"size-full wp-image-289\" alt=\"AFP\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/07\/helena10.jpg\" width=\"640\" height=\"407\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-289\" class=\"wp-caption-text\">AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>A certa altura da entrevista coletiva, Dunga levantou a quest\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9 futebol\/arte?<\/p>\n<p>E completou: n\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m uma defesa bonita do goleiro, um corte do zagueiro? Quer dizer, j\u00e1 caiu na defesa de cara.<\/p>\n<p>Bem, se fizesse uma breve e salutar visita ao Aur\u00e9lio, encontraria esta boa defini\u00e7\u00e3o para o caso: arte \u00e9<em> atividade que sup\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es ou de estados de esp\u00edrito de car\u00e1ter est\u00e9tico, carregados de viv\u00eancia pessoal e profunda, podendo suscitar em outrem o desejo de prolongamento ou renova\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Se o preceito n\u00e3o \u00e9 lhe \u00e9 claro, meu amigo, permita-me tentar elucid\u00e1-lo com alguns exemplos. Sim, uma defesa plasticamente bem executada por um goleiro \u00e9 arte no futebol. Assim como um corte do zagueiro, se for executado com eleg\u00e2ncia e intelig\u00eancia, mas, n\u00e3o, se o gesto se restringir a um carrinho pra linha de fundo, arrancando tocos de grama e atirando o advers\u00e1rio ao ar.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, foi o que lhe ensinou Arrigo Sacchi, segundo suas pr\u00f3prias confid\u00eancias p\u00fablicas de Dunga nesta ter\u00e7a-feira: a maior arte de um zagueiro n\u00e3o \u00e9, obviamente, sair correndo atr\u00e1s do atacante, mas, sim, antecipar a jogada, colocando-se no que Cl\u00e1udio Coutinho chamava de ponto futuro.<\/p>\n<p>Resumindo: defender, sim, senhor, \u00e9 uma arte, desde que seja feito com engenho e n\u00e3o apenas com dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como futebol\/arte \u00e9 o drible desconcertante, o passe inesperado, o lan\u00e7amento exato, como, por exemplo, o pr\u00f3prio Dunga era capaz de executar quando estava em campo. \u00c9 o movimento coletivo harmonioso de uma equipe saindo da defesa ao ataque em trocas de passes envolventes buscando sempre o espa\u00e7o aparentemente inexiste para furar a defesa inimiga. \u00c9 o disparo venenoso que surpreende o goleiro e a plateia ao mesmo tempo, a cabe\u00e7ada surpreendente, e, tamb\u00e9m, todas aquelas firulas, len\u00e7\u00f3is, chap\u00e9us, bandas, chaleiras, toques de calcanhar, enfim, o imenso repert\u00f3rio que o brasileiro inventou ou elevou quase \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, capaz de fazer qualquer galera do mundo delirar.<\/p>\n<p>Futebol\/arte, portanto, \u00e9 o conjunto de todos esses elementos, n\u00e3o o que a mente obtusa de boa parte dos nossos treinadores, torcedores, cartolas e m\u00eddia reduz apenas a esta ou aquela firula deste ou daquele jogador. Isso \u00e9 pirotecnia, n\u00e3o arte.<\/p>\n<p>Futebol\/arte, por fim, \u00e9 tra\u00e7ar uma est\u00e9tica do jogo que rompa com o estabelecido, crie, invente, avance, transmitindo a quem o v\u00ea a sensa\u00e7\u00e3o de prazer e de enlevo, seja na derrota, seja na vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>E a efici\u00eancia, o resultado, que \u00e9 o mais importante para os pragm\u00e1ticos de plant\u00e3o?<\/p>\n<p>Bem, meu caro, perde-se e ganha-se das duas maneiras. A diferen\u00e7a \u00e9 que, se o seu time jogar com harmonia, enredando o advers\u00e1rio, criando chances de gols etc. sempre estar\u00e1 mais perto da vit\u00f3ria do que se jogar l\u00e1 atr\u00e1s, dando porradas, matando as jogadas de cria\u00e7\u00e3o, com muita garra e pouca arte, isso \u00e9 elementar.<\/p>\n<p>S\u00e3o coisas t\u00e3o evidentes que me espanta e entendia ainda ter de estar repetindo isso, em v\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A certa altura da entrevista coletiva, Dunga levantou a quest\u00e3o: &#8211; O que \u00e9 futebol\/arte? 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