{"id":2558,"date":"2015-01-27T17:24:29","date_gmt":"2015-01-27T19:24:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=2558"},"modified":"2015-01-27T17:54:35","modified_gmt":"2015-01-27T19:54:35","slug":"o-caos-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/01\/27\/o-caos-normal\/","title":{"rendered":"O caos normal"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2566\" aria-describedby=\"caption-attachment-2566\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/01\/Sistema-Cantareira_div.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"2566\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/01\/27\/o-caos-normal\/sistema-cantareira_div\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/01\/Sistema-Cantareira_div.jpg\" data-orig-size=\"635,473\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Divulga\u00e7\u00e3o&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/01\/Sistema-Cantareira_div.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/01\/Sistema-Cantareira_div.jpg\" class=\"size-full wp-image-2566\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/01\/Sistema-Cantareira_div.jpg\" width=\"635\" height=\"473\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2566\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>L\u00e1 pelos anos 50, surgiu uma marchinha de carnaval que fez enorme sucesso, cujo refr\u00e3o era o seguinte:<\/p>\n<p><em>Rio de Janeiro,<\/em><\/p>\n<p><em>Cidade que me seduz<\/em><\/p>\n<p><em>De dia, falta \u00e1gua<\/em><\/p>\n<p><em>De noite, falta luz<\/em><\/p>\n<p>(Hoje, o paulistano amigo poderia trocar o Rio por S\u00e3o Paulo nos versos populares).<\/p>\n<p>Bem, naquele tempo, tudo era mais dif\u00edcil. N\u00e3o havia nem sombra de toda essa parafern\u00e1lia tecnol\u00f3gica que nos apoia hoje em dia. Pra fazer um interurbano, por exemplo, ligava-se para a telefonista e esperava-se uma, duas horas, antes de ser atendido pelo outro lado. Nos bondes e em muitos cinemas, os bancos eram de madeira. Como de concreto eram as gerais dos est\u00e1dios &#8211; se chovia, sentava-se no molhado; sol a pino, o bumbum fervia.<\/p>\n<p>Mas, a natureza nos era pr\u00f3diga. A car\u00eancia sempre foi da capacidade de o brasileiro se planejar. Dizia-se que \u00e9ramos o Pa\u00eds do Futuro, como nos havia cunhado o famoso escritor austro-h\u00fangaro que acabou se matando em solo brasileiro, Stefan Zweig. Mas, ningu\u00e9m realmente se preocupava com o futuro, esse tempo m\u00e1gico que chegaria de repente com leite e mel a tiracolo.<\/p>\n<p>E assim segue o barco Brasil em \u00e1guas cada vez mais rasas, em meio \u00e0s trevas intermitentes e ao som da viol\u00eancia crescente.<\/p>\n<p>Ainda adolescente, tendo mudado do Br\u00e1s pro Jardim Paulista, assisti \u00e0s obras de extens\u00e3o da Avenida 9 de Julho para al\u00e9m das ruas Groenl\u00e2ndia e S\u00e3o Gabriel. Ao perceber que n\u00e3o haveria uma passagem de n\u00edvel ali naquele cruzamento, questionei o engenheiro, um jovem com ares de senhor de engenho, a respeito. Resposta: &#8220;Ah, aqui n\u00e3o h\u00e1 movimento suficiente de carros&#8221;.<\/p>\n<p>Pois h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo \u00e9 um dos mais exasperantes pontos de congestionamento da cidade.<\/p>\n<p>E que dizer daquele t\u00fanel da inef\u00e1vel Dona Marta, na Cidade Jardim, que desemboca num sinal de tr\u00e2nsito? \u00c9 de matar de rir nosso avozinho d&#8217;al\u00e9m mar.<\/p>\n<p>Nesses casos, h\u00e1 uma sutil combina\u00e7\u00e3o de incompet\u00eancia e interesses desconhecidos.\u00a0 H\u00e1 fatores, por\u00e9m, que escapam ao nosso controle, mas contra os quais podemos perfeitamente nos prevenir, com anteced\u00eancia.<\/p>\n<p>Falo dos caprichos da natureza. N\u00e3o sei se fruto do tal efeito-estufa, ou seja l\u00e1 o que for, o fato \u00e9 que andamos experimentando mudan\u00e7as no clima a que n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados.<\/p>\n<p>\u00c9 quando me volta \u00e0 mem\u00f3ria uma entrevista que fiz no<em> Show da Noite, <\/em> programa que apresentava e dirigia na TV Record na virada dos anos 70 para os 80. Foi com o Rubens Junqueira Vilella, meteorologista afamado, que acabara de desembarcar da primeira aventura cient\u00edfica brasileira ao \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Ele, ent\u00e3o, explicou o seguinte: o clima normal do planeta Terra \u00e9 ca\u00f3tico. de repente, pode nevar no deserto e os prados secarem, e assim por diante. Essa divis\u00e3o do ano em esta\u00e7\u00f5es definidas e tudo o mais \u00e9 um per\u00edodo at\u00edpico, a que a humanidade se acostumou nos \u00faltimos, sei l\u00e1, dez mil anos, o que representa um minutinho na escala do tempo do planeta.<\/p>\n<p>Segundo o Rubens, esse per\u00edodo estava terminando e que come\u00e7ar\u00edamos a partir do novo mil\u00eanio a experimentar mudan\u00e7as progressivas at\u00e9 que um novo ciclo ca\u00f3tico se estabelecesse.<\/p>\n<p>Obviamente, sou incapaz de avaliar o teor dessas afirma\u00e7\u00f5es. Mas, pelo sim, pelo n\u00e3o, seria ajuizado botarmos m\u00e3os \u00e0 obra, desde j\u00e1, para evitar o pior. O sinais est\u00e3o a\u00ed.<\/p>\n<p>O diabo \u00e9 que, se damos um passo \u00e0 frente, em seguida, v\u00eam dois atr\u00e1s.<\/p>\n<p>No nosso futebol, ent\u00e3o, essa coisa chega ao paroxismo, com essa proposta do presidente do Gr\u00eamio para que o Brasileir\u00e3o volte a ser disputado no sistema mata-mata. Ideia t\u00e3o retr\u00f3grada e tosca que n\u00e3o duvido tenha nascido na cabe\u00e7a do Felip\u00e3o, tido como o rei do mata-mata.<\/p>\n<p>\u00c9 a mentalidade do aqui e agora que continua a medrar na cabe\u00e7a do brasileiro, incapaz de trabalhar em sintonia fina com seu tempo e espa\u00e7o. Perceber as sutilezas das mudan\u00e7as que come\u00e7am a se processar e antecipar-se a elas. Buscar, enfim, as verdadeiras causas dos problemas e atac\u00e1-los com intelig\u00eancia e efic\u00e1cia, cuidando do presente e de olho no futuro, que um dia chega, meu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 pelos anos 50, surgiu uma marchinha de carnaval que fez enorme sucesso, cujo refr\u00e3o era o seguinte: Rio de Janeiro, Cidade que me seduz <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/01\/27\/o-caos-normal\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":2566,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2558","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2015\/01\/Sistema-Cantareira_div.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pekB7q-Fg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2558\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}