{"id":2243,"date":"2015-01-02T17:05:32","date_gmt":"2015-01-02T19:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=2243"},"modified":"2015-01-02T17:05:32","modified_gmt":"2015-01-02T19:05:32","slug":"sabe-o-que-me-invoca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2015\/01\/02\/sabe-o-que-me-invoca\/","title":{"rendered":"Sabe o que me invoca?"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito deixei de me indignar com a estupidez humana. Mas, h\u00e1 pequenas coisas que me invocam. Uma delas \u00e9 quando vejo na tv o sujeito assumir um ar professoral e sentenciar: &#8220;Antigamente, o futebol era assim ou assado&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Que antigamente, cara-p\u00e1lida? O antigamente no futebol brasileiro \u00e9 uma longa estrada que come\u00e7a l\u00e1 na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, cheia de intercess\u00f5es, vicinais, rotat\u00f3rias, passagens de n\u00edvel e dividida em \u00e9pocas que nem sempre t\u00eam algo em comum entre si.<\/p>\n<p>A que \u00e9poca, lugar e circunst\u00e2ncia o amigo est\u00e1 se referindo?<\/p>\n<p>Geralmente, o papo-clich\u00ea leva \u00e0 seguinte descoberta da p\u00f3lvora: hoje em dia, o futebol \u00e9 mais veloz. \u00c9 merrrmo?, como diria o carioca amigo.<\/p>\n<p>Bem que mereceria alguma reflex\u00e3o sobre o que vem a ser velocidade no futebol. Se \u00e9 a correria desenfreada dos jogadores, ou a rapidez com que a bola passa de p\u00e9 em p\u00e9 da defesa ao ataque. \u00a0Assim como \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer sobre que antigamente estamos falando.<\/p>\n<p>Por exemplo: o futebol brasileiro dos anos 60 era mais veloz do que o da d\u00e9cada subsequente. Voltou a se acelerar nos 80, e de l\u00e1 pra c\u00e1, a transi\u00e7\u00e3o da defesa ao ataque passou a ser cada vez mais uma linha direta entre os muitos defensores e os raros atacantes.<\/p>\n<p>\u00c9 que para esse colegiado de professores o passado come\u00e7a nos anos 70, a partir da tv em cores e do v\u00eddeo-cassete. Antes, \u00e9 um limbo, onde se escondem nada menos do que, por acaso, o Cruzeiro de Tost\u00e3o, Dirceu Lopes e cia. bela, al\u00e9m, claro, do Santos de Pel\u00e9, o maior de todos os times de futebol da hist\u00f3ria. Pois, saibam que ambos jogavam em alta velocidade, a exemplo da Sele\u00e7\u00e3o de 58 e tantos outros times brasileiros dessa \u00e9poca, como o Flamengo e o Botafogo. Isso, em campos de maiores dimens\u00f5es do que os atuais, como o Maracan\u00e3, o Mineir\u00e3o e o Morumbi, cobertos de grama alta, o que reduz a rapidez da bola e do movimento dos jogadores.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, mesmo o Palmeiras da Academia do Divino, tido como praticante de um futebol mais cadenciado, acad\u00eamico, se comparado ao que se v\u00ea hoje em dia nos nossos campos, \u00e9 um verdadeiro et\u00edope em plena S\u00e3o Silvestre.<\/p>\n<p>A bola vai e vem, assim como a moda.S\u00f3 n\u00e3o muda o discurso dessa gente.<\/p>\n<p>Quer ver outra coisa que me invoca?<\/p>\n<p>\u00c9 quando abrem a boca pra repetir esse lugar-comum, quando questionados se o seu time privilegia o ataque ou a defesa: &#8220;Busco o equil\u00edbrio. Todos t\u00eam de ajudar tanto na marca\u00e7\u00e3o quanto no ataque&#8221;. Equil\u00edbrio&#8230; puro eufemismo para retranca.<\/p>\n<p>Antes de mais nada, que equil\u00edbrio \u00e9 esse se voc\u00ea posta quatro zagueiros, mais dois ou tr\u00eas volantes l\u00e1 atr\u00e1s, deixando apenas dois atacantes, no m\u00e1ximo e um ou dois meias?<\/p>\n<p>A conta da mais simples aritm\u00e9tica n\u00e3o bate. Se s\u00e3o dez jogadores de linha, o equil\u00edbrio exigiria, no m\u00ednimo, a divis\u00e3o por 2: cinco defensores e cinco atacantes. Mas, um time de futebol, de fato, \u00e9 composto n\u00e3o por apenas dois setores &#8211; defesa e ataque. Tem o meio de campo, o centro nervoso de qualquer equipe em qualquer antigamente e latitude. Assim, como dividir 10 por 3? D\u00e1 d\u00edzima peri\u00f3dica. Precisar\u00edamos, ent\u00e3o, cortar um jogador em alguns peda\u00e7os e distribu\u00ed-los equitativamente em campo.<\/p>\n<p>Portanto, o equil\u00edbrio no futebol \u00e9 uma meta defendida pelo goleiro (que joga na Sele\u00e7\u00e3o), como cantou o poeta popular. E um engodo dos professores para esconder o medo da retranca que move seus gestos e mentes.<\/p>\n<p>O que mais me \u00a0invoca? Vou lembrar e depois eu conto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito deixei de me indignar com a estupidez humana. Mas, h\u00e1 pequenas coisas que me invocam. 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