{"id":2016,"date":"2014-12-08T18:12:04","date_gmt":"2014-12-08T20:12:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=2016"},"modified":"2014-12-08T23:57:05","modified_gmt":"2014-12-09T01:57:05","slug":"os-fantasmas-de-brandao-e-tite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/12\/08\/os-fantasmas-de-brandao-e-tite\/","title":{"rendered":"Os fantasmas de Brand\u00e3o e Tite"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2023\" aria-describedby=\"caption-attachment-2023\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/tite_brandao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"2023\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/12\/08\/os-fantasmas-de-brandao-e-tite\/tite_brandao\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/tite_brandao.jpg\" data-orig-size=\"640,470\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Montagem sobre foto de Djalma Vass\u00e3o e Acervo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Montagem sobre foto de Djalma Vass\u00e3o e Acervo&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/tite_brandao.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/tite_brandao.jpg\" class=\"size-full wp-image-2023\" alt=\"Montagem sobre foto de Djalma Vass\u00e3o e Acervo\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/tite_brandao.jpg\" width=\"640\" height=\"470\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2023\" class=\"wp-caption-text\">Montagem sobre foto de Djalma Vass\u00e3o e Acervo<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mano Menezes acabou sendo espantado a sair do Itaquer\u00e3o pelo fantasma de Tite, t\u00e9cnico campe\u00e3o da Libertadores, aquele osso travado na garganta da Fiel. E, de quebra, deu o segundo t\u00edtulo mundial ao clube. Sem falar em Recopa e outros bichos, em dois, tr\u00eas anos de clube.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mole, meu. Acrescente-se a isso o fato de que a Fiel, essa m\u00e1quina de triturar t\u00e9cnicos, pela primeira vez, desde os tempos de Osvaldo Brand\u00e3o, endeusava um t\u00e9cnico &#8211;\u00a0 Tite, que acabou sendo expelido pelo ent\u00e3o rec\u00e9m-empossado presidente M\u00e1rio Gobbi, sem mais aquela.<\/p>\n<p>Falei aqui de Brand\u00e3o, e a mo\u00e7ada a\u00ed nem sabe do que se trata. J\u00e1 os veteranos sabem muito bem.<\/p>\n<p>Brand\u00e3o foi um ex-lateral direito que batia adoidado segundo seus contempor\u00e2neos. Muito cedo, pendurou as chuteiras e passou a dirigir o Palmeiras, quando se sagrou campe\u00e3o paulista no mesmo ano &#8211; 1947.<\/p>\n<p>Era ga\u00facho, como Mano e Tite, mas com um perfil muito mais semelhante ao de Felip\u00e3o, at\u00e9 no bigode. Alto, magro, voz de tonalidade profunda com a qual articulava uma linguagem pr\u00f3pria, algo, \u00e0s vezes, parecido com o portugu\u00eas corrente. Entre tantas express\u00f5es, inventou o corriqueiro <em>chegar junto<\/em>, um eufemismo para<em> baixar o sarrafo<\/em>, que era o mote principal de seus times. Express\u00e3o que revela bem a personalidade mutante do t\u00e9cnico, ora paiz\u00e3o, ora sargent\u00e3o; ora peitando os desafetos, ora amansando os cr\u00edticos com cortesias inesperadas.<\/p>\n<p>Tempos atr\u00e1s, conversando com Le\u00e3o, j\u00e1 t\u00e9cnico, que havia sido seu jogador no Palmeiras, ele soltou esta:<\/p>\n<p>&#8211; O Brand\u00e3o fazia tudo errado. E dava certo.<\/p>\n<p>At\u00e9 nisso lembra Felip\u00e3o.<\/p>\n<p>Conservador at\u00e9 a medula, a ponto de se referir aos jogadores pelo n\u00famero da camisa, n\u00e3o pelo nome, vez por outra inventava uma moda.<\/p>\n<p>Quando t\u00e9cnico da Sele\u00e7\u00e3o, nas Eliminat\u00f3rias de 57, escalou Garrincha na ponta-esquerda. Logo Garrincha, destro de um drible s\u00f3 e repetitivo, que apenas sabia correr pela direita. Algu\u00e9m dir\u00e1 a\u00ed que Brand\u00e3o foi um vision\u00e1rio, pois hoje em dia, isso \u00e9 de lei: canhoto na direita, destro na esquerda. Ent\u00e3o, t\u00e1.<\/p>\n<p>Noutra ocasi\u00e3o, dirigindo o Corinthians, improvisou o centroavante nato, Geraldo Jos\u00e9, digamos assim uma esp\u00e9cie de Leandro Dami\u00e3o de hoje, na lateral-direita, num cl\u00e1ssico fatal com o Palmeiras, em noite chuvosa no Pacaembu. Pois n\u00e3o \u00e9 que, j\u00e1 nos descontos (naquele tempo n\u00e3o se dizia acr\u00e9scimos) do segundo tempo, Geraldo Jos\u00e9 acerta um petardo indefens\u00e1vel l\u00e1 da intermedi\u00e1ria, que surpreende o goleiro e o mundo?<\/p>\n<p>Esse era o Brand\u00e3o, crente no sobrenatural e em seus pr\u00f3prios dons medi\u00fanicos, que assumiu o Corinthians em 1954, ano do Quarto Centen\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, uma festa memor\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Corinthians fora tirado de uma fila de dez anos sem ganhar um t\u00edtulo paulista por Jos\u00e9 Castelli, o Rato, ex-craque hist\u00f3rico do clube, que passou a vida cuidando das bases alvinegras e vez por outra assumia a equipe principal, e que deu o bi de 51\/52, finalmente.<\/p>\n<p>O time era o mesmo de Rato, com base nos garotos do Maria Z\u00e9lia, vetusto clube da v\u00e1rzea paulistana, quando o carism\u00e1tico Brand\u00e3o assumiu, em 54. Assumiu e levantou o caneco. Pois, bastou para virar deus do Parque.<\/p>\n<p>Entre muitas idas e vindas de Brand\u00e3o, ao longo de 23 anos, o Corinthians amargou a mais triste estiagem de t\u00edtulos de sua hist\u00f3ria. E n\u00e3o havia t\u00e9cnico que resistisse \u00e0 sombra onipresente de Brand\u00e3o. At\u00e9 que, nas suas m\u00e3os, aquele gol do P\u00e9 de Anjo Bas\u00edlio quebrou a escrita, em 77, contra a Ponte, no Morumbi.<\/p>\n<p>Conto essa historinha s\u00f3 pra dizer que qualquer outro substituto de Mano, nem que fosse o Guardiola, t\u00e3o cedo conseguir\u00e1 dirigir o Corinthians em paz, enquanto o fantasma de Tite rondar o Itaquer\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, hoje em dia, as paix\u00f5es s\u00e3o mais extremas e breves do que nos tempos de Brand\u00e3o. E a volta imediata de Tite, na atual quadra da vida do Corinthians, se n\u00e3o for coroada de sucesso, tamb\u00e9m poder\u00e1 acabar sendo uma simples sess\u00e3o de exorcismo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mano Menezes acabou sendo espantado a sair do Itaquer\u00e3o pelo fantasma de Tite, t\u00e9cnico campe\u00e3o da Libertadores, aquele osso travado na garganta da Fiel. 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