{"id":1975,"date":"2014-12-04T17:10:12","date_gmt":"2014-12-04T19:10:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=1975"},"modified":"2014-12-04T17:46:57","modified_gmt":"2014-12-04T19:46:57","slug":"mulheres-bem-vindas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/12\/04\/mulheres-bem-vindas\/","title":{"rendered":"Mulheres, bem-vindas!"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1979\" aria-describedby=\"caption-attachment-1979\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/helena2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1979\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/12\/04\/mulheres-bem-vindas\/helena-42\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/helena2.jpg\" data-orig-size=\"300,420\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Djalma Vass\u00e3o\/Gazeta Press\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Djalma Vass\u00e3o\/Gazeta Press&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/helena2.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/helena2.jpg\" class=\"size-full wp-image-1979\" alt=\"Djalma Vass\u00e3o\/Gazeta Press\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/12\/helena2.jpg\" width=\"300\" height=\"420\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1979\" class=\"wp-caption-text\">Djalma Vass\u00e3o\/Gazeta Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi no \u00faltimo feriad\u00e3o, creio. Duas senhoras, cobertas de grifes casuais, como conv\u00e9m aos turistas que visitam o Gr\u00e3o Ducado de Ibi\u00fana nos fins de semana, conversam diante da g\u00f4ndola de produtos diet\u00e9ticos do supermercado. A loira n\u00famero 1 pergunta \u00e0 loira n\u00famero 2 sobre o seu marido.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, sempre com aquele sorriso confiante, dizendo que, no fim, as coisas v\u00e3o dar certo. E n\u00e3o \u00e9 que d\u00e3o mesmo? Me d\u00e1 uma vontade de esganar o desgra\u00e7ado!<\/p>\n<p>Creio que o amigo j\u00e1 ouviu algo parecido por a\u00ed. E, se julga que \u00e9 desamor, pode estar redondamente enganado.<\/p>\n<p>Diria, se fosse um estudioso da alma humana, que \u00e9 amor demais. Aquele amor que confunde a figura amada com a ideal. Ou, consigo mesma. Mas, como dizem os especialistas no assunto, os polos se atraem, e a\u00ed est\u00e1 o mist\u00e9rio da vida, enfim.<\/p>\n<p>\u00c9 mais ou menos a paix\u00e3o do torcedor pelo seu clube amado. Na verdade, ele n\u00e3o o ama pelo que \u00e9, mas pelo que imagina deveria ser.<\/p>\n<p>Sempre h\u00e1 um tra\u00e7o comum que une os torcedores em torno desta ou daquela camisa. Mas, que tra\u00e7o \u00e9 esse?<\/p>\n<p>As cores do clube, o legado paterno, identifica\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultural, o fato da sede estar ao lado de casa, o estilo de jogo, afinal, o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Houve um tempo, l\u00e1 atr\u00e1s, que essas coisas todas estavam mais bem definidas.<\/p>\n<p>O Corinthians era alvinegro e ai de quem se arriscasse a sugerir outra cor de uniforme. Pois, esse mesmo Corinthians j\u00e1 jogou at\u00e9 de roxo, e o torcedor saiu pelas lojas e quiosques em torno dos est\u00e1dios comprando adoidado o roxo do Alvinegro.<\/p>\n<p>O S\u00e3o Paulo, que unia os dois extremos da sociedade paulistana &#8211; os ambulantes que vendiam pipoca na porta dos cinema e o acad\u00eamico de Direito das Arcadas -, passou a ser o clube da elite, o Didu Morumbi bem retratado pelo saudoso Estevam Sangirardi, nos anos 70. E hoje \u00e9 um time t\u00e3o popular nas periferias da vida como o Corinthians, que detinha tal privil\u00e9gio nos anos 50.<\/p>\n<p>E o Palmeiras, que n\u00e3o aceitava negros em seu time, a n\u00e3o ser um Og Moreira aqui, um Djalma Santos ali? Hoje, \u00e9 um am\u00e1lgama de todas as etnias.<\/p>\n<p>Antes, o filho nem cogitava de torcer para um time que n\u00e3o fosse o do pai. Seria atirado ao po\u00e7o no mesmo dia, deserdado e amaldi\u00e7oado para sempre. Pois, est\u00e1 dif\u00edcil achar filho de corintiano que n\u00e3o seja palmeirense ou s\u00e3o-paulino, e vice&#8211;versa.<\/p>\n<p>O S\u00e3o Paulo, que primava por um futebol cl\u00e1ssico, t\u00e9cnico e elegante, s\u00f3 houve das arquibancadas o grito de Ra\u00e7a! Ra\u00e7a! Ra\u00e7a!<\/p>\n<p>Assim como o Corinthians que esbanjava ra\u00e7a, desde os tempos de S\u00f3crates e cia. busca jogar uma bola cada vez mais redonda.<\/p>\n<p>E o Palmeiras, que nadava em dinheiro e montava verdadeiros esquadr\u00f5es milion\u00e1rios, desprezando d\u00e9cadas a fio suas categorias de base? Briga pra n\u00e3o cair pela terceira vez, com um time modest\u00edssimo, mergulhado em d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea, ent\u00e3o, vai ao est\u00e1dio, que passou a ser chamado pelos idiotas de plant\u00e3o de arena, e n\u00e3o importa que torcida domina as arquibancadas: os c\u00e2nticos s\u00e3o os mesmos, as exig\u00eancias, idem &#8211; o presidente \u00e9 uma besta, o t\u00e9cnico burro, os jogadores um bando de pernas-de-pau e o juiz, claro, ladr\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um belo tra\u00e7o se desenhando nos est\u00e1dios, que me remete \u00e0s duas senhoras tricotando no supermercado l\u00e1 de cima: a presen\u00e7a cada vez mais constante e ampliada das mulheres nas arquibancadas. N\u00e3o aquelas mocinhas ou senhoras que pontilhavam as tribunas de antigamente, simples accompanhantes dos maridos ou namorados apaixonados por este ou aquele clube. Muito menos a madame de N\u00e9lson Rodrigues, que ao sentar-se em sua cadeira no est\u00e1dio, pergunta ao vizinho do lado:<\/p>\n<p>&#8211; Quem \u00e9 a bola, querido?<\/p>\n<p>Nada disso: s\u00e3o aut\u00eanticas e apaixonadas torcedoras, que vibram, xingam, choram de tristeza ou alegria por seus times, sabem\u00a0 de cor a escala\u00e7\u00e3o dos times, t\u00eam opini\u00f5es formadas sobre a melhor t\u00e1tica a ser adotada, exigem a entrada de Fulano no lugar de Beltrano e discutem acaloradamente nas tais redes sociais como os marmanjos ainda o fazem nas padarias das esquinas da vida.<\/p>\n<p>Eis um fato novo e revelador. Uma nova e suave luz que, em vez de desvendar, apenas aumenta os mist\u00e9rios desse fascinante jogo da bola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no \u00faltimo feriad\u00e3o, creio. 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