{"id":1712,"date":"2014-11-13T17:11:46","date_gmt":"2014-11-13T19:11:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=1712"},"modified":"2014-11-13T17:35:48","modified_gmt":"2014-11-13T19:35:48","slug":"dunga-e-o-medo-de-ser-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/11\/13\/dunga-e-o-medo-de-ser-feliz\/","title":{"rendered":"Dunga e o medo de ser feliz"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1721\" aria-describedby=\"caption-attachment-1721\" style=\"width: 670px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/Dunga_670_afp.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1721\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/11\/13\/dunga-e-o-medo-de-ser-feliz\/dunga_670_afp\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/Dunga_670_afp.jpg\" data-orig-size=\"670,350\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Foto: YASUYOSHI CHIBA\/AFP\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: YASUYOSHI CHIBA\/AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/Dunga_670_afp.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/Dunga_670_afp.jpg\" class=\"size-full wp-image-1721\" alt=\"Foto: YASUYOSHI CHIBA\/AFP\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/Dunga_670_afp.jpg\" width=\"670\" height=\"350\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1721\" class=\"wp-caption-text\">Foto: YASUYOSHI CHIBA\/AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>A cada vez que se fala da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, l\u00e1 vem o fantasma dos 7 a 1 nos assombrar. E assim deve ser mesmo at\u00e9 o fim de nossas vidas, passando de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Quem viveu aquela amarga experi\u00eancia tem por dever de cidadania transmitir todo esse horror para seus filhos, netos, bisnetos e assim sucessivamente.<\/p>\n<p>Mas, ser\u00e1 que estamos fazendo a leitura correta da mais humilhante experi\u00eancia vivida pelo futebol pentacampe\u00e3o do mundo?<\/p>\n<p>Cansei de ouvir dos nossos comentaristas &#8211; muitos deles, ex-craques campe\u00f5es do mundo e outros bichos &#8211; que dever\u00edamos ter cal\u00e7ado as sand\u00e1lias da humildade e encarado a Alemanha fechadinhos l\u00e1 atr\u00e1s e jogando por uma bola. Pois,\u00a0 esses meus caros amigos n\u00e3o se deram conta ainda de que foi exatamente essa receita, espalhada por quase todos os clubes brasileiros, incluindo a Sele\u00e7\u00e3o, que nos levou ao desastre hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, nossos times e a Sele\u00e7\u00e3o jogam por uma bola. A bola que cai nos p\u00e9s de Rom\u00e1rio ou de Ronaldo ou de Rivaldo at\u00e9 chegarmos \u00e0 de Neymar. Ganhamos e perdemos jogando desse jeito, cheio de dedos defensivos e quase nenhuma imposi\u00e7\u00e3o ofensiva.<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos repetem \u00e0 exaust\u00e3o que buscam o equil\u00edbrio. Mas, promovem, a cada rodada, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas, ano ap\u00f3s ano, o desequil\u00edbrio, ao enfatizar mais o poder defensivo do que o ofensivo. N\u00e3o se trata de jogar apenas nas costas deles esse fardo negativo, pois se pensam e agem assim \u00e9 porque s\u00e3o premidos pelas circunst\u00e2ncias forjadas por uma estrutura mal engendrada e mal gerida &#8211; a falta de seguran\u00e7a, o calend\u00e1rio pernicioso e tal e cousa e lousa e maripousa.<\/p>\n<p>A falta de seguran\u00e7a&#8230; Eis o X do problema. A falta de seguran\u00e7a gera o medo, que se reflete na forma de jogar: antes n\u00e3o perder do que ganhar. O empate, pelo menos, garante o emprego milion\u00e1rio dessa turma. Isso, de um modo geral.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o levou de 7 a 1 da Alemanha porque jogou aberto. Perdeu porque jogou mal, como, ali\u00e1s, vinha jogando ao longo de toda a Copa &#8211; e at\u00e9 antes. Jogou mal porque n\u00e3o tinha padr\u00e3o. e n\u00e3o tinha padr\u00e3o porque foi mal preparado pela dupla de t\u00e9cnicos &#8211; Felip\u00e3o e Parreira &#8211; campe\u00f5es do mundo cujos times jogaram por uma bola, tanto em 94 quanto em 2002.<\/p>\n<p>T\u00edtulos, ali\u00e1s, que referendaram o tal futebol de resultados, ungido no Brasil como algo sagrado contra o qual s\u00f3 os rom\u00e2nticos incur\u00e1veis se insurgem, garantem os pragm\u00e1ticos de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de romantismo incur\u00e1vel. Ao contr\u00e1rio. Trata-se do conceito da mais alta competitividade. Aquele em que um time se imp\u00f5e sobre o outro. Um time que, em casa, ou fora dela, chega peitando, empurrando o advers\u00e1rio pra tr\u00e1s, com energia, t\u00e9cnica e habilidade nas tramas com a bola, assim como fez a Alemanha diante do Brasil<\/p>\n<p>As sand\u00e1lias da humildade t\u00eam o n\u00famero exato dos rom\u00e2nticos, idealistas, sonhadores, ou at\u00e9 mesmo os ardilosos que fingem recato pra tirar uma vantagem ali na frente. Mas, n\u00e3o cabe nos p\u00e9s do conquistador destemido que vai \u00e0 luta atr\u00e1s da vit\u00f3ria. Este, em se falando de futebol, cal\u00e7a as chuteiras de ouro fino, leve e de brilho eterno.<\/p>\n<p>Estou falando essas coisas de olho, claro, na Sele\u00e7\u00e3o de Dunga, que me d\u00e1 os primeiros sinais de mudan\u00e7as no nosso estilo de jogar, algo mais pr\u00f3ximo de nossa aut\u00eantica identidade futebol\u00edstica. Mesmo quando derrotado, nosso time, num passado distante, tentava se impor em campo. E, por isso mesmo, ganhava mais do que perdia, criando uma legenda dourada no imagin\u00e1rio de todos os demais povos do futebol.<\/p>\n<p>\u00c9 esse o caminho que o time de Dunga come\u00e7a a tra\u00e7ar, ainda sob muitas suspeitas, do tipo ah, os advers\u00e1rios s\u00e3o fracos, quero ver na hora H etc. Tudo isso faz parte. Mas, o fato \u00e9 que Dunga, desta vez, ao contr\u00e1rio da sua primeira passagem pela Sele\u00e7\u00e3o, revela disposi\u00e7\u00e3o para virar esse jogo enfadonho, entrando em campo para se impor, seja contra a Argentina, vice-campe\u00e3 do mundo, com Messi e cia. bela, seja contra a Turquia.<\/p>\n<p>Se vai seguir nessa trilha, deixando no rastro os volantes depressivos e colhendo \u00e0 beira do caminho os meias euf\u00f3ricos, n\u00e3o sei. Espero que sim.<\/p>\n<p>Mas, esse medo j\u00e1 at\u00e1vico do brasileiro atual, \u00e9 insidioso. Fica ali, na moita do inconsciente do cara, \u00e0 espera de dar o bote na primeira oportunidade.<\/p>\n<p>A cura? \u00c9 continuar vencendo desse mesmo jeitinho. At\u00e9 que o medo se extinga de vez e seja substitu\u00eddo pela convic\u00e7\u00e3o de que a mais saborosa e eficaz receita \u00e9 a de jogar sem medo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada vez que se fala da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, l\u00e1 vem o fantasma dos 7 a 1 nos assombrar. 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