{"id":1619,"date":"2014-11-03T21:21:16","date_gmt":"2014-11-03T23:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=1619"},"modified":"2014-11-04T18:57:43","modified_gmt":"2014-11-04T20:57:43","slug":"perigo-no-ar-e-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/11\/03\/perigo-no-ar-e-no-campo\/","title":{"rendered":"Perigo no ar e no campo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/helena.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1622\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/11\/03\/perigo-no-ar-e-no-campo\/helena-35\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/helena.jpg\" data-orig-size=\"640,399\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/helena.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/helena.jpg\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1622\" alt=\"\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/11\/helena.jpg\" width=\"640\" height=\"399\" \/><\/a>N\u00e3o, n\u00e3o confio em pol\u00edticos &#8211; sejam os nossos, sejam os de fora, pertencentes a qualquer matiz do largo espectro ideol\u00f3gico existente. Na verdade, n\u00e3o confio mesmo \u00e9 na ra\u00e7a humana. E at\u00e9 hoje n\u00e3o entendo como os religiosos cometem a suprema heresia, segundo suas pr\u00f3prias cren\u00e7as, de dizer que fomos feitos \u00e0 imagem de um Deus perfeito e onisciente. Nem mesmo sob o argumento falacioso do livre arb\u00edtrio isso se sustenta pela raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como n\u00e3o creio no homem providencial, o messias, o salvador da humanidade ou de um povo em especial. Os que n\u00e3o morreram antes da hora, transformaram-se em horrendos tiranos que mais infelicitaram suas gentes do que as salvaram.<\/p>\n<p>Mas, longe de mim entrar nesse labirinto complexo de conceitos e paix\u00f5es aqui.<\/p>\n<p>O que me move a tratar de coisas similares \u00e9 outra quest\u00e3o, no fundo, correlata. Refiro-me \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de meia d\u00fazia de pessoas na Paulista neste final de semana, pedindo a derrubada da rec\u00e9m-reeleita presidente Dilma e a reinstaura\u00e7\u00e3o da ditadura militar. Pobres almas que vagueiam pelas sombras da ignor\u00e2ncia mais absoluta.<\/p>\n<p>Ainda mais perigosa, quando recebe o revestimento pretensiosamente intelectual dessa nova horda de comunicadores reacion\u00e1rios que invadem os jornais, o r\u00e1dio e a tv brasileiros.<\/p>\n<p>Nasci sob a ditadura Vargas e respirei os ares da chamada Rep\u00fablica Populista de breve exist\u00eancia antes da instala\u00e7\u00e3o da ditadura militar, sucedida pela abertura e a volta \u00e0 democracia plena, com todos os seus defeitos, mas, ainda, a melhor de todas as formas de governo criadas pelo homem at\u00e9 hoje, acredite.<\/p>\n<p>Foi uma luta cruenta restabelecer o sistema democr\u00e1tico, meu. Os mais jovens, muitos daqueles que pediam a volta da ditadura na avenida, n\u00e3o t\u00eam a mais remota ideia do que foi. Justamente a luta para que eles tivessem o direito de se manifestar livremente nas ruas.<\/p>\n<p>E Dilma tem a pele a a alma marcadas por essa luta. Atuou como resistente, foi presa e barbaramente torturada. Quantos dos que estavam ali na avenida, em plena seguran\u00e7a, teriam for\u00e7a interior para defender seus princ\u00edpios numa c\u00e2mara de tortura?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o votei nela, nem em Marina, nem em A\u00e9cio, como n\u00e3o votaria em Eduardo Campos, se vivo ainda estivesse. N\u00e3o perten\u00e7o ao PT nem jamais me filei a partido algum, entre outras coisas, porque acho que um jornalista n\u00e3o deve, por dever de of\u00edcio, faz\u00ea-lo. \u00c9 fundamental, nessa profiss\u00e3o, manter os olhos abertos e a mente livre o m\u00e1ximo de qualquer influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas, sua biografia exige respeito, at\u00e9 prova em contr\u00e1rio. E, mesmo que se prove sem sombras de d\u00favidas, seu envolvimento no esc\u00e2ndalo da Petrobr\u00e1s, ainda assim, deve pagar por isso, e louvada por seu passado heroico.<\/p>\n<p>Por outro lado, at\u00e9 agora, apesar de todos os aloprados do PT e demais filiados a outros tantos partidos, vivemos num regime de plena liberdade de express\u00e3o. Nada que justifique essa crescente conspira\u00e7\u00e3o contra as autoridades constituintes, muito menos contra o regime vigente.<\/p>\n<p>J\u00e1 vi esse filme de terror antes. Carlos Lacerda conclamando a sedi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas contra um Get\u00falio eleito licitamente pelas urnas; Adhemar de Barros, aquele cujo slogan era <em>R<\/em><em>ouba mas Faz<\/em>, indo \u00e0 televis\u00e3o e anunciando o golpe contra Jango: &#8220;Meus caros patr\u00edcios, minhas caras patr\u00edcias, vistam as capas, calcem as galochas, abram os guarda-chuvas porque vai chover!&#8221; E choveu, a chuva \u00e1cida da ditadura.<\/p>\n<p>Se o amigo, a amiga, pensa que, tirando Dilma na marra do poder, as coisas v\u00e3o mudar, olhe para o passado. Espie o presente, ent\u00e3o. A\u00e9cio ou qualquer outro dos pretensos pretendentes ao trono teriam o poder de mudar? Acredita mesmo nisso?<\/p>\n<p>Respondo com aquela s\u00e1bia frase do personagem do an\u00fancio da tv: &#8220;Sabe nada, inocente&#8221;.<\/p>\n<p>Cr\u00ea que o presidente da Rep\u00fablica do Brasil, como de resto o dos EUA, da Alemanha, da Fran\u00e7a, da It\u00e1lia, realmente determina os rumos da na\u00e7\u00e3o, em todos os sentidos? Eles ostentam o cetro, mas o poder real, visceral, se concentra em outras esferas, aquelas onde o dinheiro se multiplica dormindo. E, quando acorda, se distribui parcimoniosamente entre todos os demais centros do poder pol\u00edtico e legal, direta ou indiretamente.<\/p>\n<p>E o que essas filosofices t\u00eam a ver com o futebol, nosso assunto de praxe?<\/p>\n<p>Nada e tudo, se considerarmos que o futebol \u00e9 um microcosmo do nosso cotidiano, breves hist\u00f3rias de 90 minutos que recontam nossas paix\u00f5es e conceitos do dia a dia. Essa compuls\u00e3o do torcedor pelo homem providencial, o salvador, o messias, est\u00e1 l\u00e1 presente a cada rodada na figura do craque que far\u00e1 o gol decisivo, no goleiro que defender\u00e1 a bola fatal. O \u00f3dio ao poder discricion\u00e1rio est\u00e1 l\u00e1 na personifica\u00e7\u00e3o do juiz corrupto, safado ou simplesmente incompetente. O inimigo a ser varrido da face da terra \u00e9 aquele sujeito que veste camisas de cores diferentes da nossa.<\/p>\n<p>No fim, tudo acaba se resumindo no tal futebol de resultado, o jogo dos atalhos, o placar a favor a qualquer custo, nem que isso represente a morte do prazer de viver o jogo em sua plenitude.<\/p>\n<p>E, l\u00e1 no alto, protegidos por uma redoma de vidro, os cartolas sorriem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o, n\u00e3o confio em pol\u00edticos &#8211; sejam os nossos, sejam os de fora, pertencentes a qualquer matiz do largo espectro ideol\u00f3gico existente. 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