{"id":1511,"date":"2014-10-27T18:46:22","date_gmt":"2014-10-27T20:46:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=1511"},"modified":"2014-10-27T19:02:18","modified_gmt":"2014-10-27T21:02:18","slug":"au-revoir-mon-ami","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/27\/au-revoir-mon-ami\/","title":{"rendered":"Au revoir, mon ami!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/michellaurence.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1517\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/27\/au-revoir-mon-ami\/michellaurence\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/michellaurence.jpg\" data-orig-size=\"300,250\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/michellaurence.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/michellaurence.jpg\" class=\"alignright size-full wp-image-1517\" alt=\"\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/michellaurence.jpg\" width=\"300\" height=\"250\" \/><\/a>Michel Laurence n\u00e3o foi s\u00f3 um amigo querido por mais de quarenta anos. foi um ser humano de alma solid\u00e1ria e cabe\u00e7a repleta de hist\u00f3rias curiosas, dram\u00e1ticas, engra\u00e7adas quando n\u00e3o tr\u00e1gicas. E um jornalista de escol, pertencente \u00e0 fina linhagem dos Laurence, que vem de seu pai Albert e continua em seu filho, o nosso Bruno Laurence, rep\u00f3rter da <em>Globo<\/em>.<\/p>\n<p>O franc\u00eas Albert, pra quem n\u00e3o sabe, foi um dos expoentes da cr\u00f4nica esportiva carioca, entre outros feitos, editando a se\u00e7\u00e3o de Esportes da <em>\u00daltima Hora<\/em>, de Samuel Wainer, al\u00e9m de ter coberto para <em>L&#8217;\u00c9quipe<\/em> a Copa Rio de 51, o primeiro campeonato mundial interclubes, vencido pelo Palmeiras. Assinava v\u00e1rias cr\u00f4nicas e reportagens que, ainda menino, me fascinavam.<\/p>\n<p>Michel, igualmente franc\u00eas, nascido em Marselha, em 1938, j\u00e1 havia trabalhado no Rio, no<em> Jornal do Brasil<\/em>, creio, antes de encontr\u00e1-lo no <em>Jornal da Tarde<\/em>, no final do ano de 1965, quando pra l\u00e1 fui na condi\u00e7\u00e3o de cr\u00edtico de m\u00fasica popular, enquanto ele j\u00e1 brilhava na vanguarda de um grupo de jovens rep\u00f3rteres que mudariam a face do jornalismo esportivo, ao lado de Vital Battaglia, Jos\u00e9 Maria de Aquino, Dante Matiussi e outros.<\/p>\n<p>Como o futebol j\u00e1 me ro\u00eda as entranhas, passava mais tempo papeando com a turma do Esporte. Ficamos amigos e, em comemora\u00e7\u00e3o a isso, bebemos tudo que havia nas prateleiras dos botequins da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Assim como eu bebia de sua fonte em reportagens hist\u00f3ricas como aquela em que ele falava do seu Santos:<em> Onze camisas brancas ao vento<\/em>,<em>\u00a0<\/em> em que Michel falava do maior time de todos os tempos, o Santos de Pel\u00e9, arrancado de suas ra\u00edzes e flutuando pelo mundo todo; em cada canto, deixava uma semente de inventividade, beleza e efic\u00e1cia. um primor de reportagem ilustrada por uma foto inesquec\u00edvel de t\u00e3o sofisticada simplicidade &#8211; onze camisas brancas, adejando num modesto varal de fundo de quintal.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro se a pequena obra-prima era fruto do talento nato de Dom\u00edcio Pinheiro, o fot\u00f3grafo de Pel\u00e9, do Reginaldo Manente ou do Manoel Mota, o Motinha, outro amado companheiro que nos deixou muito cedo, anos atr\u00e1s. O mesmo Motinha que, j\u00e1 na Revista<em> Placar<\/em>, ajudou Michel a criar a Bola de Prata, o mais antigo e prestigioso pr\u00eamio aos melhores do futebol no ano.<\/p>\n<p>Ah, o Motinha&#8230; E, como Michel era cultor inveterado dessas hist\u00f3rias antigas de jornalistas, sinto-o viv\u00edssimo aqui ao lado soprando no meu ouvido: &#8220;Conta aquela do Motinha. conta&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Como resistir a um \u00faltimo pedido do velho amigo?<\/p>\n<p>Pois, l\u00e1 vai.<\/p>\n<p>Ano, 1964, logo depois do golpe militar. O pa\u00eds fechado, mergulhado em trevas e \u00f3dio, amigos sendo presos torturados, assassinados pelas for\u00e7as da repress\u00e3o. O hoje acad\u00eamico Ant\u00f4nio Torres, o B1 (tradu\u00e7\u00e3o: Baiano 1) editava uma revista chamada Finesse, um dos basti\u00f5es da resist\u00eancia cultural, ent\u00e3o nos convida para fazer uma reportagem em Parnamirim, base militar da Aeron\u00e1utica no Rio Grande do Norte, fruto de um acordo entre Get\u00falio Vargas e o presidente americano Roosevelt, \u00e0 \u00e9poca da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Eu, saindo da <em>Folha<\/em> para a Revista<em> O Cruzeiro<\/em>, e o Motinha na sucursal paulista do <em>Jornal do Brasil<\/em>. tamb\u00e9m em vias de ir para <em>O Cruzeiro<\/em>, embarcamos num avi\u00e3o da FAB, ao lado de ilustres convidados, e fomos instalados no Cassino dos Oficiais da FB em Parnamirim. De dia, cobr\u00edamos a vaquejada. De noite, \u00edamos pro brega, a Casa da Rita Loira, um bordel fin\u00edssimo, com tapetes de veludo vermelho e belas morenas recepcionistas.<\/p>\n<p>O diabo \u00e9 que, para sair e entrar na base militar, precis\u00e1vamos ser conduzidos por um cadete, o aspirante Brandt, jovem amig\u00e1vel, mas cdf como ele s\u00f3. Quando sa\u00edamos da base, o aspirante punha a cabe\u00e7a pra fora do jipe e berrava para o vigia da cancela: &#8220;Aspirante Brandt!&#8221;. Imediatamente, o reco levantava a cancela e n\u00f3s part\u00edamos para a farra. Na volta, idem. E a volta, por ordem do comandante, teria de ser sempre antes da meia-noite, justo quando a coisa toda come\u00e7ava a esquentar.<\/p>\n<p>Motinha, ent\u00e3o, teve uma ideia. Dispensou o aspirante Brandt de suas obriga\u00e7\u00f5es enfadonhas (o rapaz preferia dormir \u00e0s nove da noite e n\u00e3o ficar esperando-nos at\u00e9 tarde). E passamos a chamar um t\u00e1xi. Na sa\u00edda, Motinha gritava da janela para o vigia: &#8220;Aspirante Druffs!&#8221;, e a cancela subia. Na volta, l\u00e1 pelas quatro da matina: &#8220;Aspirante Plefs!&#8221;, e a cancela se abria.<\/p>\n<p>J\u00e1 pensou se f\u00f4ssemos dois terroristas? Ah, mas ainda n\u00e3o havia terroristas nos tempos do Motinha e do Michel rep\u00f3rter, embora houvesse o terror da ditadura em seus primeiros passos.<\/p>\n<p>Pronto, Michel, j\u00e1 contei. As outras, deixo pra ouvir de voc\u00ea logo, logo, quando estivermos novamente juntos, baixando todas as garrafas das prateleiras dos c\u00e9us.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michel Laurence n\u00e3o foi s\u00f3 um amigo querido por mais de quarenta anos. foi um ser humano de alma solid\u00e1ria e cabe\u00e7a repleta de hist\u00f3rias <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/27\/au-revoir-mon-ami\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":1517,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/michellaurence.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pekB7q-on","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}