{"id":1485,"date":"2014-10-23T16:55:45","date_gmt":"2014-10-23T18:55:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=1485"},"modified":"2014-10-23T18:36:39","modified_gmt":"2014-10-23T20:36:39","slug":"a-cartilha-do-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/23\/a-cartilha-do-nao\/","title":{"rendered":"A cartilha do n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1488\" aria-describedby=\"caption-attachment-1488\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1488\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/23\/a-cartilha-do-nao\/dunga\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga.jpg\" data-orig-size=\"640,399\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Mowa Press\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Mowa Press&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga.jpg\" class=\"size-full wp-image-1488\" alt=\"Mowa Press\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga.jpg\" width=\"640\" height=\"399\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1488\" class=\"wp-caption-text\">Mowa Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>E esse neg\u00f3cio da cartilha de comportamento dos jogadores na Sele\u00e7\u00e3o, revelada pela Folha?<\/p>\n<p>A bem da verdade, h\u00e1 muito tempo existe esse tipo de regulamento interno, que alguns seguem \u00e0 risca; outros, n\u00e3o. Creio que desde a Copa de 58, quando, sob o comando do Marechal da Vit\u00f3ria, apelido dado a Paulo Machado de Carvalho, dono da Record e chefe da delega\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 Su\u00e9cia, pela primeira vez nossa Sele\u00e7\u00e3o foi organizada devidamente, dentro e fora do campo. N\u00e3o s\u00f3 na Sele\u00e7\u00e3o, como nos clubes tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Alguns itens, aqui ou ali, sofrem altera\u00e7\u00f5es, de acordo com as novidades da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Por exemplo no tempo do Afonsinho (no singular, pra n\u00e3o confundir com os primeiros reis de Portugal), elegante e altamente t\u00e9cnico volante do Botafogo entre outros, pegavam no p\u00e9 do rapaz por causa da barba e do cabelo longos, numa \u00e9poca em que a Gillette esculpia a face do mundo. A bronca com Afonsinho, na verdade, era menos de ordem est\u00e9tica do que cultural.<\/p>\n<p>Afinal, o mo\u00e7o, estudante de Medicina num pa\u00eds de analfabetos, tinha ideias libert\u00e1rias em plena ditadura militar, e sua imagem remetia a Fidel Castro e todos os barbudos revolucion\u00e1rios\u00a0 da hist\u00f3ria recente. Zagallo, o Formiguinha, foi um dos seus maiores inquisidores, diga-se.<\/p>\n<p>E Afonsinho acabou no Iaraj\u00e1, digo, no Olaria.<\/p>\n<p>Na cartilha atual, os inimigos s\u00e3o os brincos,os piercings, os cortes de cabelo ex\u00f3ticos, os chinelos, os bon\u00e9s, os celulares e toda essa parafern\u00e1lia\u00a0 eletr\u00f4nica da moda. Ah, sim, \u00e9 proibido discutir religi\u00e3o ou pol\u00edtica.<\/p>\n<p>As reviravoltas do ultimo cap\u00edtulo da novela, ou\u00a0 da Globo, ou as curvas da gostosona do<em> reality show,<\/em> pode? Pode. Ainda bem, ufa!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, temos aqui duas quest\u00f5es alvejadas: a est\u00e9tica, que se confunde com a moral, e a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A est\u00e9tica \u00e9 simplesmente uma imbecilidade sem tamanho. Essa gente est\u00e1 sempre anos-luz atrasada em rela\u00e7\u00e3o ao seu tempo. Brincos, piercings e tatuagens j\u00e1 est\u00e3o incrustados nos h\u00e1bitos dos jovens &#8211; e de muitos coroas &#8211; de tal forma que nem mais atuam como elementos de distin\u00e7\u00e3o entre as pessoas. N\u00e3o servem mais como emblema de revolta pessoal ou tribal pra ningu\u00e9m. Tampouco simbolizam refor\u00e7o da individualidade nefasta ao conceito de grupo, de time, que tanto buscam os respons\u00e1veis pela Sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto aos celulares e similares, vale uma reflex\u00e3o. Se usados para se comunicar com as coisas que est\u00e3o no do mundo, minha nega, tudo bem. Mas, se \u00e9 para se desconectar dos que est\u00e3o \u00e0 sua volta, tudo mal.<\/p>\n<p>Um dos males que nos assolam \u00e9 justamente essa falta de di\u00e1logo vivo, cara a cara, entre as pessoas, sobretudo quando se trata de um pessoal cujo of\u00edcio \u00e9 praticar um jogo coletivo.<\/p>\n<p>\u00c9 um v\u00edcio brasileiro dizer-se que religi\u00e3o, pol\u00edtica e futebol n\u00e3o se discute. Vai se discutir o qu\u00ea, ent\u00e3o? A banda de rock da moda? As formas da gar\u00e7onete? O servi\u00e7o do bar do Seu Man\u00e9? A melhor marca do carro do ano? As cores do arco-\u00edris? O cara desliga o celular e conversa sobre o qu\u00ea, al\u00e9m do futebol?<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, gostaria muito de saber quem elabora essas cartilhas. Ser\u00e1 um antrop\u00f3logo laureado, um psic\u00f3logo de renome, algu\u00e9m treinado devidamente para tratar de relacionamentos em grupo, enfim? Ou \u00e9 o Gilmar Rinaldo e o Dunga, com um desses aspones da CBF servindo de auxiliar, que elaboram as tais listas de proibi\u00e7\u00f5es de acordo com seus instintos e limitadas vis\u00f5es do mundo?<\/p>\n<p>E, o mais importante: o que visa essa cartilha: ao cumprimento de uma moralidade discut\u00edvel, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de uma imagem p\u00fablica, ainda que falsa ou \u00e0 funcionalidade?<\/p>\n<p>Se for a funcionalidade do grupo, que, neste caso, \u00e9 o que realmente interessa, trata-se de um tiro no p\u00e9.<\/p>\n<p>Pois, o mais funcional; isto \u00e9, aquilo que funciona num grupo preparado para os grandes desafios, nada \u00e9 mais indicado do que o bem-estar de cada indiv\u00edduo. O cara tem que se sentir o mais confort\u00e1vel poss\u00edvel para que possa dedicar-se integralmente ao trabalho em conjunto.<\/p>\n<p>As maiores provas recentes disso s\u00e3o as empresas de tecnologia modernas de inform\u00e1tica, cujos donos e funcion\u00e1rios se livraram dos palet\u00f3s e gravatas, vestiram bermudas e cal\u00e7aram sand\u00e1lias, botaram brincos, cortaram o cabelo a moicano, derrubaram as baias que os separavam nas empresas convencionais, e acumularam fortunas nunca dantes vistas, mudando a cara do mundo.<\/p>\n<p>Por fim, nessas tais cartilhas n\u00e3o h\u00e1 uma linha sequer sugerindo quais os h\u00e1bitos saud\u00e1veis que o atleta deve cultivar para manter seu corpo em forma e quais os livros, revistas, sites etc. sobre os quais a turma deveria se debru\u00e7ar pra alimentar devidamente seu esp\u00edrito. Nada, meu. Porque essa \u00e9 a vis\u00e3o do brasileiro m\u00e9dio: evitar o pior, proibindo o que lhe parece ser perigoso para o conv\u00edvio social, e n\u00e3o sugerir o que lhe possa ser melhor.<\/p>\n<p>Se segura, Seguran\u00e7a! &#8211; advertia o s\u00e1bio sambista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E esse neg\u00f3cio da cartilha de comportamento dos jogadores na Sele\u00e7\u00e3o, revelada pela Folha? 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