{"id":1321,"date":"2014-10-15T17:28:57","date_gmt":"2014-10-15T20:28:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=1321"},"modified":"2014-10-15T18:33:33","modified_gmt":"2014-10-15T21:33:33","slug":"a-licao-de-dunga-no-dia-do-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/15\/a-licao-de-dunga-no-dia-do-professor\/","title":{"rendered":"A li\u00e7\u00e3o de Dunga no Dia do Professor"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1325\" aria-describedby=\"caption-attachment-1325\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1325\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/15\/a-licao-de-dunga-no-dia-do-professor\/dunga2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga2.jpg\" data-orig-size=\"300,353\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"AFP\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;AFP&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga2.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga2.jpg\" class=\"size-full wp-image-1325\" alt=\"AFP\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga2.jpg\" width=\"300\" height=\"353\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1325\" class=\"wp-caption-text\">AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p>O atento leitor Thales Nogueira matou a charada. Na entrevista depois do jogo com o Jap\u00e3o, Dunga contou que as varia\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas do Brasil utilizadas ao longo da partida foram fruto de longas conversas que manteve com o ex-t\u00e9cnico italiano Arrigo Sacchi e de muitas observa\u00e7\u00f5es e estudos feitos durante e depois da Copa do Mundo.<\/p>\n<p>E que, de todas as forma\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas adotadas na goleada sobre o Jap\u00e3o, a que mais lhe agradou foi aquela aplicada nos \u00faltimos quinze minutos, depois da entrada de Kak\u00e1, que deixou o time com apenas um volante e cinco meias e atacantes. Justamente, a solu\u00e7\u00e3o que venho apregoando h\u00e1 anos, n\u00e3o apenas para a Sele\u00e7\u00e3o como para o futebol brasileiro, em geral, a fim de que o espet\u00e1culo seja mais compat\u00edvel com as exig\u00eancias do torcedor e com nossa gloriosa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Arrigo Sacchi, pra quem n\u00e3o sabe, foi o t\u00e9cnico daquele Milan de Van Basten, Gullit, Donadoni, Reyjkaard, que ganhou tudo e encantou o mundo, na virada dos anos 80 para os 90, com seu futebol ofensivo, altamente t\u00e9cnico, vistoso, em contraponto ao chato e hist\u00f3rico <em>catenaccio<\/em>, o ferrolho italiano de sempre.<\/p>\n<p>Estudioso do futebol, Sacchi, a exemplo do que ocorre hoje em dia com Guardiola, sempre foi profundo admirador do futebol holand\u00eas de Cruyjff e cia., assim como do brasileiro, aquele que pratic\u00e1vamos antes da invas\u00e3o da horda dos pragm\u00e1ticos de plant\u00e3o. E foi neles que se baseou para mudar a face do jogo peninsular.<\/p>\n<p>Ambos &#8211; n\u00f3s e os holandeses de ent\u00e3o &#8211; t\u00ednhamos algo em comum, al\u00e9m do gosto pela beleza do jogo da bola: a versatilidade.<\/p>\n<p>Lembro que, antes da Copa de 74, pouco sab\u00edamos sobre o futebol holand\u00eas, pois n\u00e3o havia essa profus\u00e3o de transmiss\u00f5es de jogos da Europa na nossa televis\u00e3o. Sab\u00edamos apenas que era um futebol diferente do habitual por leitura dos jornais.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, era chefe de reportagem e pauteiro do falecido Jornal da Tarde, quando o ent\u00e3o rep\u00f3rter Jos\u00e9 M\u00e1rcio Mendon\u00e7a trouxe-me uma novidade: um preparador-f\u00edsico holand\u00eas estava fazendo est\u00e1gio no Guarani de Campinas. Pedi-lhe ent\u00e3o que perguntasse a ele qual era a verdadeira cara do futebol holand\u00eas.<\/p>\n<p>Resposta, em tom, de surpresa:<\/p>\n<p>&#8211; U\u00e9, voc\u00eas t\u00eam aqui um jogador que \u00e9 a cara do futebol holand\u00eas: Ademir da Guia.<\/p>\n<p>E como jogava o nosso Divino? Aparentemente lento, de longas passadas, carregava na costas o n\u00famero 10 e a carga de meia-armador da equipe do Palmeiras, num estilo altamente refinado e metron\u00f4mico, defendendo, armando e atacando, o tempo todo. Um passo pra c\u00e1, um passo pra l\u00e1, e Ademir estava sempre no caminho da bola, a bichinha vindo ou indo.<\/p>\n<p>O que eu quero dizer com isso? Simplesmente, que voc\u00ea pode perfeitamente armar um time sem a obsess\u00e3o da marca\u00e7\u00e3o, que o impele inexoravelmente a apelar para os brucutus de plant\u00e3o, os tais carregadores de piano em excesso. Um, basta, costumava dizer Jo\u00e3o Saldanha &#8211; e olhe que esse um era ningu\u00e9m menos do que Clodoaldo, um volante completo.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou a tal invas\u00e3o de brucutus nos nossos gramados, j\u00e1 dizia nos meus espa\u00e7os que seria muito mais f\u00e1cil ensinar e estimular um Djalminha a marcar do que um Galeano a criar, referindo-me ao Palmeiras daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>E est\u00e1 a\u00ed, pra quem quiser ver: um Kak\u00e1 solit\u00e1rio, agora, solid\u00e1rio, ou um Oscar, meia nato, pleno de recursos t\u00e9cnicos, que \u00e9 o maior ladr\u00e3o de bola da Sele\u00e7\u00e3o, segundo qualquer estat\u00edstica. E assim vai.<\/p>\n<p>E quando o amigo ouvir do professor da hora, afivelando aquele ar de profundo e exclusivo saber pr\u00e1tico, o clich\u00ea de sempre &#8211; &#8220;E quem vai marcar?&#8221; -, a resposta estar\u00e1 na ponta da l\u00edngua: &#8220;Todos, professor, todos; e se o senhor n\u00e3o souber faz\u00ea-los cumprir essa tarefa b\u00e1sica, v\u00e1 procurar outra c\u00e1tedra, meu caro&#8221;.<\/p>\n<p>Claro que isso n\u00e3o \u00e9 a p\u00edlula m\u00e1gica, que voc\u00ea toma e resolve todos os problemas. Jogando dessa forma, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia de que a vit\u00f3ria est\u00e1 no papo, mas a probabilidade de vencer \u00e9 sempre maior do que da maneira vigente no nosso futebol. Com um adendo: ganhando, empatando ou perdendo, pelo menos, o espet\u00e1culo estar\u00e1 garantido aos olhos da multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Resumindo: n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em Dunga beber de s\u00e1bias fontes. Ao contr\u00e1rio: \u00e9 altamente edificante faz\u00ea-lo e revelar isso ao p\u00fablico, pois do que mais carecem nossos professores hoje em dia \u00e9 de estudos.Estudem, professores, estudem, antes de ensinarem tantas asneiras.<\/p>\n<p>PS: Esse post \u00e9 dedicado ao Dia do Professor, celebrado hoje em todo o pa\u00eds. Os verdadeiros professores, claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O atento leitor Thales Nogueira matou a charada. Na entrevista depois do jogo com o Jap\u00e3o, Dunga contou que as varia\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas do Brasil utilizadas <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2014\/10\/15\/a-licao-de-dunga-no-dia-do-professor\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":1325,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1321","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2014\/10\/dunga2.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pekB7q-lj","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1321\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1325"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}