{"id":13032,"date":"2021-11-29T20:49:22","date_gmt":"2021-11-29T23:49:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=13032"},"modified":"2021-11-29T21:39:54","modified_gmt":"2021-11-30T00:39:54","slug":"a-ciranda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2021\/11\/29\/a-ciranda\/","title":{"rendered":"A Ciranda"},"content":{"rendered":"<p>O que Renato Ga\u00facho tem a ver com Renato Augusto, al\u00e9m do primeiro nome de batismo?<\/p>\n<p>Ah, aqui come\u00e7a a estranha ciranda em que t\u00e9cnicos e jogadores passam a girar em torno de um ponto invis\u00edvel no futebol\u00a0 brasileiro das duas \u00faltimas d\u00e9cadas, embora essencial.<\/p>\n<p>Foi assistindo \u00e0 l\u00facida exibi\u00e7\u00e3o de Renato Augusto pelo Corinthians neste fim de semana e a inevit\u00e1vel queda de Renato Ga\u00facho no Flamengo que essa ciranda come\u00e7ou a girar na\u00a0 minha cabecinha.<\/p>\n<p>E, aos primeiros acordes da banda de p\u00edfaros que d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 dan\u00e7a silenciosa, como as que se reproduzem todas as manh\u00e3s de domingo em frente \u00e0 matriz pr\u00f3xima do porto de Barcelona, a que assisti hipnotizado em 1982,\u00a0 v\u00e3o dando as m\u00e3os outros nomes sem similaridade: Maicon, Jorge Jesus, G\u00e9rson, Diego e Rog\u00e9rio Ceni.<\/p>\n<p>Pronto. Est\u00e1 fechado o c\u00edrculo. Resta agora revelar os\u00a0 segredos dessa rela\u00e7\u00e3o entre nomes t\u00e3o d\u00edspares de t\u00e9cnicos e craques.<\/p>\n<p>Comecemos por Renato Ga\u00facho, um treinador que desdenha da necessidade de &#8220;estudar&#8221; futebol, por tudo saber a respeito, segundo sua declara\u00e7\u00e3o quando vivia seus dias de gl\u00f3ria no Gr\u00eamio.<\/p>\n<p>S\u00f3 parece n\u00e3o saber que todas aquelas conquistas no Sul se deveram basicamente a um jogador: Maicon, seu meia-armador que os comentaristas preferiam chamar de segundo volante por absoluta falta de sintonia fina pra distinguir fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do meio de campo, setor nevr\u00e1lgico de qualquer time de futebol no mundo, hoje e sempre.<\/p>\n<p>Bastou Maicon acumular contus\u00f5es at\u00e9 se despedir dos campos, e o Gr\u00eamio de Renato despencou ladeira abaixo, a ponto de o treinador ser demitido e assumir o Flamengo.<\/p>\n<p>No Ninho do Urubu herdou um Flamengo sob fogo disparado contra seus tr\u00eas antecessores. O \u00faltimo deles, Ceni, que n\u00e3o s\u00f3 havia conquistado tr\u00eas expressivos t\u00edtulos &#8211; o Carioca, a Supercopa e o Brasileir\u00e3o &#8211; como tivera um ato de extrema ousadia, ao escalar Ar\u00e3o de zagueiro e Diego como volante, pra afinar o passe do time desde l\u00e1 detr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ceni n\u00e3o resistiu \u00e0 absurda press\u00e3o e foi defenestrado, abrindo espa\u00e7o para Renato, que chegou nos ombros da torcida, por seu passado rubro-negro e pelas goleadas que se sucederam ap\u00f3s sua chegada, tisnadas, em seguida, pelas perdas de t\u00edtulos disputados. durante uma maratona em que ficou sem sete ou oito titulares em sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas, a sombra de Jorge Jesus continua a pairar sobre o Ninho do Urubu, sem que a turma perceba a sutileza de seu ilustre parceiro nessa ciranda infernal: G\u00e9rson, o meia-armador da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, que foi a base daquela magn\u00edfica campanha do Fla h\u00e1 dois anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi Jesus o autor da grande proeza, foi G\u00e9rson, meu! Vale lembrar que essa foi praticamente a diferen\u00e7a entre o trabalho do portugu\u00eas e do nosso Abel Braga, seu antecessor: a chegada de G\u00e9rson ao\u00a0 Flamengo.<\/p>\n<p>Bastou o meia sair e o Fla entrou na rota comum de um time grande no atual futebol brasileiro.<\/p>\n<p>Da mesma forma que, se Renato Augusto sair do Corinthians, a din\u00e2mica do seu time cair\u00e1 pela metade, no m\u00ednimo.<\/p>\n<p>E aqui, esta ciranda vai girando cada vez mais devagar at\u00e9 estancar e, aos poucos, evanescer-se como a figura do meia-armador aut\u00eantico, que j\u00e1 foi o maestro da sinf\u00f4nica brasileira no passado, e que hoje n\u00e3o passa de um acorde divino perdido nesse funk dissonante executado por um bando de rob\u00f4s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que Renato Ga\u00facho tem a ver com Renato Augusto, al\u00e9m do primeiro nome de batismo? 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