{"id":12575,"date":"2021-05-17T12:25:37","date_gmt":"2021-05-17T15:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=12575"},"modified":"2021-05-17T13:29:41","modified_gmt":"2021-05-17T16:29:41","slug":"qual-a-novidade-afinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2021\/05\/17\/qual-a-novidade-afinal\/","title":{"rendered":"Qual a novidade, afinal?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_12577\" aria-describedby=\"caption-attachment-12577\" style=\"width: 376px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"12577\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2021\/05\/17\/qual-a-novidade-afinal\/paulistao1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1.jpg\" data-orig-size=\"521,651\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"paulistao1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/FPF&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1-240x300.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1.jpg\" class=\" wp-image-12577\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1.jpg\" alt=\"\" width=\"376\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1.jpg 521w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1-240x300.jpg 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 376px) 100vw, 376px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-12577\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/FPF<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando menino, no velho Br\u00e1s dos italianos, em frente ao bar da Dona Lili, costumava ouvir dos mais antigos essa cantiga ancestral:\u00a0 &#8220;O S\u00e3o Paulo ganha do Palmeiras; o Palmeiras ganha do Corinthians, e o Corinthians ganha do S\u00e3o Paulo, fechando o ciclo hist\u00f3rico do Trio de Ferro.<\/p>\n<p>Isso, por\u00e9m, num tempo em que o Trio de Ferro era sete d\u00e9cadas mais jovem. Ainda sob os efeitos dos dez anos de fila do Tim\u00e3o e da disputa do Campeonato Paulista dividida entre S\u00e3o Paulo e Palmeiras na d\u00e9cada de 40.<\/p>\n<p>Setenta anos depois, essa cantiga desafinou at\u00e9 perder o tom, pois que muita \u00e1gua rolou desde ent\u00e3o quebrando o c\u00edrculo m\u00e1gico.<\/p>\n<p>Certa vez, cantarolei para me querido Renato Maur\u00edcio do Prado, versos de um antol\u00f3gico samba do rubro-negro Wilson Batista que dizia mais ou menos assim: &#8220;&#8230;E o Flamengo perdeu\/ Do Botafogo\/Amanh\u00e3 vou trabalhar\/ Meu patr\u00e3o \u00e9 vasca\u00edno e de mim vai zombar&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 que na \u00e9poca da composi\u00e7\u00e3o era moda dizer-se que o Botafogo sempre ganhava do Flamengo, n\u00e3o importasse se um era tecnicamente superior ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso dizer que Renatinho pulou da cadeira e replicou: &#8220;Isso foi antes do Zico!&#8221;<\/p>\n<p>Pois \u00e9. Tudo muda com o passar do tempo, como diria o Conselheiro Ac\u00e1cio, personagem que andou muito em voga nas velhas cronicas, agora sepultado na mem\u00f3ria coletiva, v\u00edtima de sua pr\u00f3pria obviedade.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o tais cita\u00e7\u00f5es porque tenho uma quedinha pelo passado. Desde crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ou talvez imbu\u00eddo pelo prazer de acabar de rever uma obra-prima de Woody Allen, intitulada<em> Paris \u00e0 meia-noite<\/em>, cujo personagem principal, um jovem pretendente a escritor, viaja pelo tempo para se encontrar com artistas e romancistas de seu Pante\u00e3o particular.<\/p>\n<p>Ah, como este velhote gostaria de viver dias inesquec\u00edveis na<em> Belle \u00c9poque<\/em> de Guaguin e cia. ou nos <em>Anos Loucos<\/em> do p\u00f3s Primeira-Guerra na Paris de Fitzgerald, Picasso etc.<\/p>\n<p>Hoje, temos um Fla cheio de gl\u00f3rias e o Glorioso amargando a Segundona do Brasileir\u00e3o.<\/p>\n<p>Estou dando esse passeio \u00e0 beira do campo hist\u00f3rico pra chegar \u00e0s finais do Paulistinha, que ganhou outra dimens\u00e3o com o confronto entre o Palmeiras, atual campe\u00e3o, e o S\u00e3o Paulo, que n\u00e3o v\u00ea um t\u00edtulo, nem de bin\u00f3culo, h\u00e1 mais de dez anos.<\/p>\n<p>O que me fez lembrar dos anos 40, quando, enquanto o Tim\u00e3o sofria um jejum de dez anos, o S\u00e3o Paulo venceu cinco campeonatos, um deles, invicto (46) e o Palmeiras apenas tr\u00eas.<\/p>\n<p>Mas, se o Tricolor, naquela \u00e9poca, tinha um elenco excepcional, capitaneado por Le\u00f4nidas da Silva, o Pel\u00e9 de ent\u00e3o, o Palmeiras era um time respeit\u00e1vel, apenas, no confronto direto.<\/p>\n<p>Exatamente o oposto destes dias.<\/p>\n<p>A ilustre turma da latinha e da Internet, contudo, prefere assestar seu olhar para o banco onde se sentam os dois treinadores em confronto &#8211; o portugu\u00eas Abel Ferreira e o argentino Hern\u00e1n Crespo -, deixando um pouco de lado os jogadores, que, afinal s\u00e3o os que fazem o espet\u00e1culo, ganhando ou perdendo.<\/p>\n<p>Vejo na tv prodigiosas an\u00e1lises t\u00e1ticas dos dois times, com gr\u00e1ficos em profus\u00e3o que mais se assemelham a um v\u00eddeo-game, a grande paix\u00e3o dos meninos das \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es que se estende \u00e0 vida adulta.<\/p>\n<p>O que, de certa forma se aproxima do encantamento que t\u00ednhamos quando do advento do pebolim.<\/p>\n<p>Sucede que o jogo jogado no gramado verde, de fato, nem \u00e9 um v\u00eddeo-game, tampouco o pebolim, simplesmente porque n\u00e3o s\u00e3o algoritmos ou bonecos de pau est\u00e1ticos que correm pelo gramado.<\/p>\n<p>Logo, apesar de um sistema t\u00e1tico adotado por este ou aquele treinador ser\u00e1 obedecido at\u00e9 o momento em que o impulso das circunst\u00e2ncias ou a inspira\u00e7\u00e3o do craque alterem o cen\u00e1rio programado de antem\u00e3o pelo t\u00e9cnico. Pra n\u00e3o falar na possibilidade de o analista em quest\u00e3o, escolher certos lances ocasionais pra justificar sua tese a respeito do que estava adrede preparado.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, essa fixa\u00e7\u00e3o dos comunicadores atuais pelos atributos ou defici\u00eancias dos treinadores acabaram por extrair dos jogadores brasileiros a capacidade de improvisar, nossa maior virtude ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ou\u00e7o a toda hora falarem em metodologia, jogada ensaiada e outros bichos, um manancial de itens escamoteados da imprensa em geral.<\/p>\n<p>Quem assistiu aos treinamentos das equipes na atualidade? Ningu\u00e9m. Portanto, como assegurar que esta ou outra jogada, este ou aquele movimento coletivo foi devidamente ensaiado?<\/p>\n<p>At\u00e9 os anos 90, n\u00f3s \u00edamos aos treinos, assistiamos a todas as movimenta\u00e7\u00f5es sentados no banco dos reservas, levavamos papos a fio com os treinadores, os jogadores, o m\u00e9dico, o preparador f\u00edsico etc. Hoje, nem pensar. Os rep\u00f3rteres ficam l\u00e1 fora, olhos vendados, c\u00e2meras viradas pra tr\u00e1s e assim vai.<\/p>\n<p>Entretanto, o que nos \u00e9 permitido ver- o jogo de fato -, o que observamos? Times jogados nas mais velhas retrancas, dignas de um Buzeto ou de um De Domenico, de meio s\u00e9culo ou mais atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, de fato, se d\u00e1 na qualidade dos jogadores, capazes de conferirem efetividade ao plano t\u00e1tico, ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por exemplo: Rony, hoje, como Dudu h\u00e1 pouco tempo, resolve todo o problema do ataque verde, por conta de sua velocidade e poder de fogo dentro da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a, pois, do Palmeiras de Felip\u00e3o ou Luxemburgo e o de Abel Ferreira? Pequenos detalhes oferecidos por este ou aquele jogador que d\u00e1 efetividade ao esquema t\u00e1tico.<\/p>\n<p>J\u00e1 o S\u00e3o Paulo de Crespo, com o mesmo esquema de tr\u00eas zagueiros e<em> cousa e lousa<\/em>, consegue oferecer um jogo coletivo mais fluente, gra\u00e7as a seu meio de campo um tanto mais leve e veloz na troca de passes.<\/p>\n<p>Pequenas diferen\u00e7as entre si, mas nada original diante da hist\u00f3ria do futebol brasileiro, que, na maior parte do tempo relativizava os poderes dos treinadores de\u00a0 futebol, concentrando-os mais na capacidade de extrair de seus jogadores, emocionalmente, o m\u00e1ximo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Nada, pois, mudou, como diria o personagem do genial E\u00e7a. Ou, na palavra de Leopardi: mudemos agora pra nada mudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando menino, no velho Br\u00e1s dos italianos, em frente ao bar da Dona Lili, costumava ouvir dos mais antigos essa cantiga ancestral:\u00a0 &#8220;O S\u00e3o Paulo <a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2021\/05\/17\/qual-a-novidade-afinal\/\">leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":12577,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2021\/05\/paulistao1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pekB7q-3gP","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12575"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12575\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}