{"id":11962,"date":"2020-08-28T16:39:37","date_gmt":"2020-08-28T19:39:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=11962"},"modified":"2020-08-28T17:42:45","modified_gmt":"2020-08-28T20:42:45","slug":"tecnicos-na-toada-da-modinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2020\/08\/28\/tecnicos-na-toada-da-modinha\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnicos na toada da modinha"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_11964\" aria-describedby=\"caption-attachment-11964\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11964\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2020\/08\/28\/tecnicos-na-toada-da-modinha\/50185319912_1717351c51_k\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k.jpg\" data-orig-size=\"2048,1363\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"50185319912_1717351c51_k\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Alexandre Vidal &lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-300x200.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-1024x682.jpg\" class=\"size-large wp-image-11964\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-768x511.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2020\/08\/50185319912_1717351c51_k.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11964\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Alexandre Vidal<\/figcaption><\/figure>\n<p>O fil\u00f3sofo Chico Lang, outro dia, falou sobre a modinha dos t\u00e9cnicos estrangeiros no futebol brasileiro. Falo da modinha, n\u00e3o da Modinha, g\u00eanero musical bem brasileiro marcado por Catullo da Paix\u00e3o Cearense e recuperado muitos anos depois por Juca Chaves antes de desaparecer de vez, espantada pelos sons met\u00e1licos do rock e cia, restando apenas nas p\u00e1ginas em s\u00e9pia das recolhidas por M\u00e1rio de Andrade nos cafund\u00f3s do Brasil e dos tempos.<\/p>\n<p>Modinha, sacum\u00e9, vai e vem e vorta e tal e cousa e lousa e maripousa, como no mon\u00f3logo do meu saudoso amigo Renato Consorte.. Ora a barra da camisa vai enfiada no c\u00f3s da cal\u00e7a, ora fica pra fora; as gravatas alargam e afinam quando n\u00e3o s\u00e3o abolidas, O palet\u00f3 se expande como bata pra, em seguida, encolher feito fantasia de caipira em noite de S\u00e3o Jo\u00e3o. As saias das mulheres sobem e descem na velocidade da luz, de acordo com os ditames da ind\u00fastria da moda. E todo mundo vai atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A modinha dos t\u00e9cnicos estrangeiros, no Brasil e no mundo, n\u00e3o foge \u00e0 regra, E tudo come\u00e7ou, claro, com os inventores do futebol moderno, os brit\u00e2nicos, que sa\u00edram pelos continentes afora semeando a frut\u00edfera semente do jogo da bola.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, ainda outra noite assistia ao seriado Magnum PI e deparei com uma cena exemplar. Juliet Higgins, personagem interpretada pela atriz de nome Perdita, creia, estava acompanhando, ao lado de Magnum, um treino daquele futebol americano, quando sentenciou algo do g\u00eanero:<\/p>\n<p>&#8211; Trata-se de um jogo com muita estrat\u00e9gia e for\u00e7a, mas n\u00e3o se compara \u00e0 gra\u00e7a e leveza do futebol da minha terra.<\/p>\n<p>A gra\u00e7a e a leveza do toque de bola, do drible desconcertante, do passe inesperado que vara espa\u00e7os congestionados, todas essas coisas que fizeram do futebol jogado com os p\u00e9s, pra ser redundante, o esporte mais praticado e apaixonante do planeta.<\/p>\n<p>Bem, eu dizia que tudo come\u00e7ou com os brit\u00e2nicos, Inclusive no Brasil, com a volta de Oxford do paulista filho de ingleses, Charles Miller, com as primeiras bolas de futebol na bagagem. Charles foi jogador, juiz e t\u00e9cnico ao longo de sua vida nos campos, desde o Gas\u00f4metro ao Vel\u00f3dromo.<\/p>\n<p>No Rio, Welfare destacou-se como t\u00e9cnico e jogador, ao mesmo tempo, o que era comum nas primeiras duas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Nos gramados brit\u00e2nicos havia uma cis\u00e3o de estilos entre ingleses e escoceses. Os ingleses, mais brutais e incisivos; os escoceses, aperfei\u00e7oando o jogo de passes. Isso explica a cria\u00e7\u00e3o por um escoc\u00eas, Herbert Chapman, do sistema de jogo que deu origem a todos os demais que at\u00e9 hoje se praticam no mundo inteiro: o WM. Se decupado \u00e0 modinha atual seria um 3-4-3, que substituiria o cl\u00e1ssico 2-3-5.<\/p>\n<p>Mas, ao longo dos anos 30, os t\u00e9cnicos ingleses viram surgir uma escola desafiadora a seu imp\u00e9rio: a Escola Dan\u00fabio, liderada pelos h\u00fangaros, que nos enviaram tr\u00eas exemplares magn\u00edficos &#8211; Dori Kruschner, no Flamengo, Giula Mandi, no Am\u00e9rica do Rio, e, mais tarde, j\u00e1 nos anos 50, Bella Guttman, no S\u00e3o Paulo, de quem Feola colheu o conceito de objetividade que tanto faltava ao nosso jogo extremamente art\u00edstico &#8211; o c\u00e9lebre T\u00e1-T\u00e1-T\u00e1, ou Pimpampum, tr\u00eas toques, finaliza\u00e7\u00e3o. Resultado: a Copa de 58.<\/p>\n<p>J\u00e1, ent\u00e3o, uruguaios e argentinos se sucediam em nossos clubes, tentando implantar o princ\u00edpio do <em>toco y me voy, <\/em>al\u00e9m de um olhar mais severo ao sistema de marca\u00e7\u00e3o. Ondino Vieira, Conrado Ross, Jim Lopes, Filpo Nui\u00f1es foram alguns, dentre tantos, uruguaios e argentinos que desfilaram por aqui ao longo das d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p>E, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, como de resto em toda a Am\u00e9rica do Sul e at\u00e9 na Europa, onde Helenio Herrera, denominado El Brujo, fez furor na imprensa italiana. At\u00e9 que descobrissem ser mais<em> milonguero <\/em>do que t\u00e9cnico, embora levantasse algumas ta\u00e7as.<\/p>\n<p>Na esteira dos h\u00fangaros, os iugoslavos, que levavam a coisa t\u00e3o a s\u00e9rio que havia um curso especializado na Universidade de Sarajevo.<\/p>\n<p>Em seguida, vieram os holandeses, a partir de Rinus Mitchles, o inventor do Carrossel, jamais reproduzido depois da Copa de 74, mas que deixou sementes espalhadas pela Europa, sobretudo no Barcelona de Rinus, Cruyjff, Reijkaard, Van Gaal e agora de novo Koeman.<\/p>\n<p>Espanh\u00f3is e portugueses, mais recentemente, ganharam um espa\u00e7o maior em toda a Europa, especialmente nos principais centros.<\/p>\n<p>No Brasil, durante um bom tempo desprezou-se a presen\u00e7a de t\u00e9cnicos estrangeiros, pelo alto custo para uma ind\u00fastria falida e por ser mais dif\u00edcil demiti-los nessa roda viva a que est\u00e3o submetidos os treinadores brasileiros.<\/p>\n<p>Eis, por\u00e9m, que, de repente, o argentino Sampaoli desembarca na Vila e o lusitano Jorge Jesus chega ao Ninho do Urubu. Ai, meu Deus! Ambos agarraram pela goela e sacudiram o futebol brasileiro, let\u00e1rgico, medroso, repetitivo, inoperante, e, num zastr\u00e1s, botaram Santos e Flamengo jogando pra frente, fazendo gols, dando espet\u00e1culo e ridicularizando os treinadores brasileiros que, quando cobrados pelo jogo retrancado e insuficiente de seus times, afivelavam no rosto aquele ar de s\u00e1bio da padaria e respondiam que esse era o tal futebol moderno, cheio de linhas e entre linhas que nada diziam.<\/p>\n<p>O Flamengo foi campe\u00e3o de tudo, menos mundial, sendo efetivo e dando espet\u00e1culo. O Santos foi vice brasileiro, idem com batatas.<\/p>\n<p>Jesus se foi, chegou Dome Torrent, catal\u00e3o disc\u00edpulo de Guardiola. Sampaoli trocou o Peixe pelo Galo. Ainda \u00e9 cedo pra avaliar como os fatos se desdobrar\u00e3o para eles, apesar do in\u00edcio desastroso do catal\u00e3o e decepcionante do argentino.<\/p>\n<p>Pode dar certo, pode n\u00e3o dar. O futebol \u00e9 um jogo, afinal, n\u00e3o uma ci\u00eancia exata. De qualquer forma, eles partir\u00e3o, mais cedo ou mais tarde, e outros chegar\u00e3o. E, nesse vai e vem, que algo de positivo sobre por aqui, tirando-nos de uma forma ou de outra desse marasmo irritante.<\/p>\n<p><em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fil\u00f3sofo Chico Lang, outro dia, falou sobre a modinha dos t\u00e9cnicos estrangeiros no futebol brasileiro. 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