{"id":11807,"date":"2020-05-13T13:15:52","date_gmt":"2020-05-13T16:15:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=11807"},"modified":"2020-05-13T13:48:45","modified_gmt":"2020-05-13T16:48:45","slug":"o-que-fomos-somos-e-seremos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2020\/05\/13\/o-que-fomos-somos-e-seremos\/","title":{"rendered":"Que fim levou aquele garoto?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_11139\" aria-describedby=\"caption-attachment-11139\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11139\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2019\/04\/01\/o-dia-da-mentira-e-as-verdades-possiveis\/treino-do-fluminense-07-02-2019\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o.jpg\" data-orig-size=\"2859,1608\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Lucas Mercon&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS-1D X&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Rio de Janeiro - 07\\\/02\\\/2019 - Barra da Tijuca.\\rCOLETIVA DO BRUNO SILVA.\\rFluminense treina esta tarde no CTPA.\\rFOTO: LUCAS MER\\u00c7ON \\\/ FLUMINENSE F.C.\\r \\r.\\rIMPORTANTE: Imagem destinada a uso institucional e divulga\\u00e7\\u00e3o, seu uso \\rcomercial est\\u00e1 vetado incondicionalmente por seu autor e o Fluminense Football \\rClub.\\u00c9 obrigat\\u00f3rio mencionar o nome do autor ou usar a imagem.\\r.\\rIMPORTANT: Image intended for institutional use and distribution. Commercial use is \\rprohibited unconditionally by its author and Fluminense Football Club.\\rIt is mandatory to mention the name of the author or use the image.\\r.\\rIMPORTANTE: Im\\u00e1gen para uso solamente institucional y distribuici\\u00f3n. El uso \\rcomercial es prohibido por su autor y por el Fluminense Football Club. \\u00c9s \\rmandat\\u00f3rio mencionar el nombre del autor ao usar el im\\u00e1gen.&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1494770289&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Lucas Mer\\u00e7on \\\/ Fluminense FC&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;200&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;1250&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.000625&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Treino do Fluminense - 07\\\/02\\\/2019&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Treino do Fluminense &amp;#8211; 07\/02\/2019\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;FOTO: LUCAS MER\u00c7ON\/FFC&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o-300x169.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o-1024x576.jpg\" class=\"size-large wp-image-11139\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/40056399513_ec66b35123_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11139\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: LUCAS MER\u00c7ON\/FFC<\/figcaption><\/figure>\n<p>-E que fim levou aquele garoto?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a pergunta de Naldinho (Fl\u00e1vio Migliaccio) que encerra a hist\u00f3ria sem desfecho contada por Ot\u00e1vio (Adriano Stuart) sobre um garoto sa\u00eddo da mais profunda marginalidade que surge como um fantasma no escolinha de futebol do narrador, encantando a todos com sua esquerdinha m\u00e1gica, e, que, de s\u00fabito, some pra sempre na fuga desesperada pela sobrevida nas sombras da mis\u00e9ria da cidade grande.<\/p>\n<p>Falo de um trecho do filme<em> Boleiros<\/em>, de Ugo Georgetti, pequena obra-prima da cinematografia brasileira que revi pela d\u00e9cima vez ainda ontem na tv. E me pergunto mais uma vez que fim levou aquele garoto que interpreta com tanto esmero o marginalzinho dotado de tanta magia no trato com a bola?<\/p>\n<p>Deve ter sido marginalizado nos testes que porventura tenha feito por a\u00ed pelos treinadores adeptos da for\u00e7a em vez do engenho.<\/p>\n<p>O que leva a lembrar de uma entrevista que fiz no programa <em>Na Linha do Gol<\/em>, na TV Gazeta, com um garoto, canhotinho, prestidigitador da bola, chamado hoje de Den\u00edlson Show, ent\u00e3o com dezessete anos, rec\u00e9m promovido pelo t\u00e9cnico Tel\u00ea ao time titular do S\u00e3o Paulo sem sequer passar pela categoria de juniores.<\/p>\n<p>Contava-me Den\u00edlson, ent\u00e3o, filho de Diadema, na Grande S\u00e3o Paulo, que todos os seus amigos de inf\u00e2ncia, alguns deles com iguais dotes futebol\u00edsticos, estavam ou presos ou mortos.<\/p>\n<p>O futebol foi a m\u00e3o salvadora do rapaz, hoje travestido de apresentador de programas esportivos na tv, suponho que muito bem de vida. Ou ter\u00e1 sido Tel\u00ea, um dos raros cultores do futebol-arte que beiraram nossos campos nas \u00faltimas d\u00e9cadas?<\/p>\n<p>Estou dando essas voltas pra dizer o \u00f3bvio que parece escapar da mente do brasileiro: a de que a viol\u00eancia, os maus h\u00e1bitos incorporados no futebol recente, \u00e9 reflexo da viol\u00eancia crescente semeada nas \u00faltimas d\u00e9cadas pela mis\u00e9ria que gera a aus\u00eancia de uma educa\u00e7\u00e3o escolar decente e abrangente, \u00fanico caminho pra reduzir a mis\u00e9ria e, consequentemente, a marginalidade entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas tamb\u00e9m a privada, geradora de uma elite e de uma classe m\u00e9dia idiotizadas, t\u00e3o ref\u00e9ns do medo da viol\u00eancia urbana a ponto de eleger o Coiso como chefete da na\u00e7\u00e3o, que, em vez de combater a viol\u00eancia, a estimula com atos e palavras.<\/p>\n<p>Mas, de volta ao futebol, a quest\u00e3o \u00e9 saber como ser\u00e1 o mundo depois dessa terr\u00edvel pandemia representado nos campos da bola.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 pra prever agora.<\/p>\n<p>Dizem que depois do vendaval vem a bonan\u00e7a. Tor\u00e7amos que sim. Mas, nesse meio tempo, quando os clubes do mundo todo tentam achar uma sa\u00edda para a volta progressiva aos treinamentos dos atletas e dos jogos, pelo menos, com os port\u00f5es fechados, nasce uma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Na Coreia, uma fresta foi aberta, com a recomenda\u00e7\u00e3o de que os jogadores evitem ao m\u00e1ximo o contato f\u00edsico. Santa recomenda\u00e7\u00e3o! Dessas que deveriam ser adotadas desde sempre e para todo o sempre.<\/p>\n<p>Sim, porque os inventores do futebol, ao se separarem do r\u00fagbi, abjuraram o uso das m\u00e3os e dos bra\u00e7os seja no contato com a bola, seja no contato com o advers\u00e1rio. Agarrar um inimigo era o supremo antijogo, pass\u00edvel de expuls\u00e3o de campo.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, os ju\u00edzes, a torcida e a m\u00eddia esportiva foram ficando cada vez mais lenientes, at\u00e9 chegarmos ao ponto do estabelecimento daquela Sodoma e Gomorra na \u00e1rea a cada cobran\u00e7a de escanteio. Os cr\u00edticos, que deveriam ser cr\u00edticos, passaram a ser coniventes, recorrendo \u00e0 falsa imagem de que futebol \u00e9 um jogo de contato. Contato, sim&#8230; com a bola. Falta \u00e9 falta e fim de papo. N\u00e3o faz parte do jogo.<\/p>\n<p>Ah, mas se n\u00e3o for assim, o futebol perde a gra\u00e7a. Que gra\u00e7a? A de dois marmanjos se agarrando em campo, dando cotoveladas uns nos outros, trocando sopapos e rasteiras?<\/p>\n<p>A gra\u00e7a no futebol est\u00e1 nas artimanhas, nas inven\u00e7\u00f5es, nos movimentos surpreendentes do jogador com a bola, isso, sim. E nas tramas coletivas, troca de passes envolventes, tabelinhas, cruzamentos perfeitos, enfim toda essa rica gama de repert\u00f3rios em conjunto que o futebol nos ofereceu ao longo dos tempos.<\/p>\n<p>Ainda agora, lendo com atraso o <em>Dicion\u00e1rio Amoroso da Am\u00e9rica Latina<\/em>, de Vargas Llosa, ao falar do Brasil, topo com um trecho que me permito reproduzir aqui:<\/p>\n<p>&#8220;Nesse esporte, (o Brasil) se expressa de maneira privilegiada a capacidade criativa de sua gente, a alegria, a picardia, o ritmo, a sensualidade e a gra\u00e7a, virtudes que tamb\u00e9m est\u00e3o atuantes na sua m\u00fasica. Sempre fui um admirador fervoroso do futebol brasileiro porque \u00e9 um futebol que tem tanto de espet\u00e1culo e de rito, de festa e de dan\u00e7a, como tem de esporte&#8221;.<\/p>\n<p>Bem, essa imagem \u00e9 a que o futebol brasileiro espalhou pelo mundo afora desde<em> Os Reis do Futebol<\/em>, como os franceses batizaram o Paulistano de Friedenreich at\u00e9 o nosso t\u00e3o desprezado Neymar, passando por tantos craques e times hist\u00f3ricos, sem falar em Pel\u00e9,\u00a0 apesar dos ingentes esfor\u00e7os desenvolvidos por t\u00e9cnicos, torcida e m\u00eddia pra apagar de vez essa imagem.<\/p>\n<p>Ouso, contudo, dizer que essa vis\u00e3o on\u00edrica do futebol brasileira vai se esgar\u00e7ando na medida em que o pr\u00f3prio brasileiro apaga de seu prontu\u00e1rio a figura de um povo alegre, cort\u00eas, festivo, solid\u00e1rio e inventivo, pra se transformar num rebanho est\u00fapido que segue a moda ditada pelos facke-news e o fast-food, que toma caf\u00e9 frio em copos de pl\u00e1sticos, andando pelas ruas como se estivesse na Quinta Avenida, toma cerveja do gargalo, empina o dedo m\u00e9dio mandando algu\u00e9m \u00e0quele lugar (o c\u00e9u, ser\u00e1?), mal sabe falar seu pr\u00f3prio idioma, que dir\u00e1 escrever, mas corre em busca de uma vaga nas tantas escolas de ingl\u00eas que povoam nossas cidades, que passa a vida sem abrir um livro sequer e cujo sonho maior \u00e9 viver em Miami.<\/p>\n<p>J\u00e1 tivemos dias melhores, ou mais dignos, na pior das hip\u00f3teses<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>-E que fim levou aquele garoto? 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