{"id":11159,"date":"2019-04-09T22:32:15","date_gmt":"2019-04-10T01:32:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=11159"},"modified":"2019-04-10T00:35:23","modified_gmt":"2019-04-10T03:35:23","slug":"raiz-ou-moderno-falso-dilema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2019\/04\/09\/raiz-ou-moderno-falso-dilema\/","title":{"rendered":"Raiz ou moderno, falso dilema"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_11161\" aria-describedby=\"caption-attachment-11161\" style=\"width: 843px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"11161\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2019\/04\/09\/raiz-ou-moderno-falso-dilema\/_dav2936\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936.jpg\" data-orig-size=\"4480,2984\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;NIKON D4S&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1554769334&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;400&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;8000&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0008&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"_dav2936\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: Djalma Vass\u00e3o\/Gazeta Press&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-300x200.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-1024x682.jpg\" class=\" wp-image-11161\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"843\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2019\/04\/dav2936-120x80.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 843px) 100vw, 843px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11161\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Djalma Vass\u00e3o\/Gazeta Press<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na capa da UOL colho o seguinte dilema, ainda no rastro do cl\u00e1ssico Santos e Corinthians: futebol: raiz ou moderno? Duas palavrinhas bem gastas pelo tempo, quase nunca aplicadas no seu verdadeiro contexto.<\/p>\n<p>Raiz \u00e9 o Santos atacando do in\u00edcio ao fim e moderno \u00e9 o Corinthians submetido a mais abjeta retranca?<\/p>\n<p>Raiz, por exemplo, que passou a ser utilizada ultimamente como sin\u00f4nimo de velho, surgiu com novo tempero nos anos 60. Antes, era apenas a profundeza das plantas. Mas, nessa \u00e9poca, ganhou uma conota\u00e7\u00e3o cultural, mais precisamente na m\u00fasica popular brasileira, para se antepor \u00e0 Bossa-Nova, que predominava com suas influ\u00eancias do jazz e barquinhos em mar azul.<\/p>\n<p>Eis que, ent\u00e3o, um grupo de jovens compositores, partiu em busca das ra\u00edzes do samba, n\u00e3o s\u00f3 por raz\u00f5es est\u00e9ticas mas tamb\u00e9m ideol\u00f3gicas. Partiram, ent\u00e3o, numa busca arqueol\u00f3gica atr\u00e1s da obra dos aut\u00eanticos sambistas &#8211; Cartola, Nelson Cavaquinho, Ataulfo Alves, Ismael Silva, Paulo da Portela, entre vivos e mortos.<\/p>\n<p>Rotulou-se isso de Samba de Raiz, cuja fus\u00e3o com a Bossa-Nova resultou no Movimento da M\u00fasica Popular Brasileira (a MPB), sucedida nos anos 70 pela Tropic\u00e1lia, mas essa \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A palavrinha <em>moderno<\/em> toma impulso no in\u00edcio da era da industrializa\u00e7\u00e3o, l\u00e1 pelos fins do s\u00e9culo 19, e serve pra tra\u00e7ar os novos caminhos nas artes e na literatura, na virada do s\u00e9culo, com os Van Goghs, Monets, Manets, Picassos da vida, com direito a um salto al\u00e9m na letras com Apollinaire e Marinetti denominados de futuristas.<\/p>\n<p>No Brasil, como sempre, a moda chegou um pouco mais tarde, com o Movimento Modernista, capitaneado por M\u00e1rio de Andrade, em 1922.<\/p>\n<p>E, na s\u00e9tima arte, o cinema, l\u00e1 est\u00e1 o cl\u00e1ssico de Charles Chaplin &#8211; <em>Tempos Modernos <\/em>&#8211; lan\u00e7ado mudo oito anos depois do surgimento do milagroso cinema falado. \u00c9 uma\u00a0 par\u00f3dia genial sobre a automatiza\u00e7\u00e3o do ser humano em plena era moderna.<\/p>\n<p>Automatiza\u00e7\u00e3o que move, desde ent\u00e3o, os rebanhos humanos, que, ao primeiro balido, seguem o l\u00edder como gostam de repetir os torcedores de futebol atuais.<\/p>\n<p>O dilema proposto pela UOL, portanto, come\u00e7a despencando a partir das duas palavrinhas antepostas, como naquelas representa\u00e7\u00f5es visuais em que as letras v\u00e3o caindo e formando novas palavras e frases.<\/p>\n<p>O que \u00e9 velho e o que \u00e9 novo no futebol atual brasileiro?<\/p>\n<p>Por mais incoerente que possa parecer, o novo \u00e9 o velho e o velho \u00e9 o novo.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o basta ampliar o foco nos gramados e acrescentar o que se v\u00ea por aqui e o que rola nos principais centros futebol\u00edsticos do mundo &#8211; Inglaterra, Alemanha, Espanha, Fran\u00e7a etc.<\/p>\n<p>O que \u00e9 moderno aqui \u00e9 velho l\u00e1, e vice-versa.<\/p>\n<p>A retranca, velha de antes da guerra, sempre existiu, aqui e l\u00e1. S\u00f3 que l\u00e1 predominava, enquanto aqui era s\u00f3 utilizada pelos times pequenos &#8211; o Nacional de Caetano de Domenico, o Juventus de Milton Buzeto e alguns poucos mais.<\/p>\n<p>A cena atual, moderna, inverteu-se: l\u00e1, joga-se pra frente, com ousadia e velocidade; aqui, joga-se pra tr\u00e1s, pisando em ovos, devagar, quase parando.<\/p>\n<p>Ora, se a nossa raiz era exatamente o jogo ofensivo, desabrido, inventivo, como eles jogam l\u00e1, e o moderno \u00e9 a velha retranca, que eles jogaram no lixo, quer dizer que\u00a0 a raiz \u00e9 o moderno e o moderno \u00e9 a raiz?<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o h\u00e1 raiz nem moderno. O que h\u00e1 \u00e9 o eterno: a busca intermin\u00e1vel pelas conquistas em todas as \u00e1reas do conhecimento humano. No futebol, a busca pelo gol, o objetivo final.<\/p>\n<p>Como dizia o g\u00eanio po\u00e9tico: <em>&#8220;Navegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na capa da UOL colho o seguinte dilema, ainda no rastro do cl\u00e1ssico Santos e Corinthians: futebol: raiz ou moderno? 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