{"id":10233,"date":"2018-05-21T16:20:22","date_gmt":"2018-05-21T19:20:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/?p=10233"},"modified":"2018-05-21T16:59:46","modified_gmt":"2018-05-21T19:59:46","slug":"o-brasil-atras-de-seu-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2018\/05\/21\/o-brasil-atras-de-seu-futuro\/","title":{"rendered":"O Brasil atr\u00e1s de seu futuro"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_10234\" aria-describedby=\"caption-attachment-10234\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"10234\" data-permalink=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/2018\/05\/21\/o-brasil-atras-de-seu-futuro\/neymar_o\/\" data-orig-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o.jpg\" data-orig-size=\"1200,681\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS-1D X Mark II&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1526904209&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;24&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;640&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.002&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"neymar_o\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Foto: Lucas Figueiredo\/CBF&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o-300x170.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o-1024x581.jpg\" class=\"size-full wp-image-10234\" src=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"681\" srcset=\"https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o.jpg 1200w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o-300x170.jpg 300w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o-768x436.jpg 768w, https:\/\/blogs.gazetaesportiva.com\/albertohelena\/files\/2018\/05\/neymar_o-1024x581.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10234\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lucas Figueiredo\/CBF<\/figcaption><\/figure>\n<p>A Sele\u00e7\u00e3o acaba de se apresentar em Teres\u00f3polis para iniciar sua prepara\u00e7\u00e3o final em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Copa da R\u00fassia. E a rea\u00e7\u00e3o da maioria dos torcedores brasileiros assemelha-se \u00e0 do frio que baixou sobre o Gr\u00e3o Ducado de Ibi\u00fana, nesta madrugada glacial.<\/p>\n<p>Pudera! Enquanto a mo\u00e7ada se exercita l\u00e1 no alto, entre as lufadas de n\u00e9voa que se sucedem sobre a concentra\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o se enxerga um palmo adiante da nariz (e n\u00e3o precisa ter a dimens\u00e3o exagerada do meu &#8211; nasal, oh, meu nasal!, como suspirava o Juca Chaves), os campeonatos nacionais e continentais seguem seu curso aqui embaixo, em meio \u00e0 estupidez dos cartolas brasileiros e vizinhos.<\/p>\n<p>Dizer que a Sele\u00e7\u00e3o nos une num s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o, como na marchinha do meu saudoso amigo e grande compositor de jingles e alguns sambas not\u00e1veis, Miguel Gustavo, \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 um fato. Une em meio \u00e0 desagrega\u00e7\u00e3o, posto que o brasileiro \u00e9 antes de tudo um apaixonado pelo seu clube. Isso, sem falar no regionalismo.<\/p>\n<p>No passado mais distante, quando o Brasil parava a cada convoca\u00e7\u00e3o da time nacional, beirava-se a guerra civil entre paulistas e cariocas, que, desde a chegada de Charles Miller trazendo as tais bolas pioneiras, disputavam a hegemonia pol\u00edtica e t\u00e9cnica do futebol tupiniquim.<\/p>\n<p>Mais tarde, abrandada essa disputa, o clubismo assumiu a cena. E a briga era entre os torcedores dos grandes clubes p\u00e1trios, que clamavam por este jogador no lugar daquele etc.<\/p>\n<p>Mas, o fato \u00e9, no centro das desaven\u00e7as, sempre havia aquele sentimento de respeito e esperan\u00e7a na camisa amarelinha. Era o Brasil em campo, esse Brasil sempre atrasado em rela\u00e7\u00e3o ao futuro prescrito por Stefan Zweig, (o escritor austr\u00edaco que, fugindo do nazismo, acabou se matando em Petr\u00f3polis), e que tinha no futebol sua maior express\u00e3o de for\u00e7a e avan\u00e7o.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 que concretizamos por cinco vezes essa esperan\u00e7a? Sobreveio, por\u00e9m, um des\u00e2nimo e um descaso profundos a partir da\u00ed, fruto exatamente da conjun\u00e7\u00e3o de dois fatores: a perda de identidade do nosso futebol em campos brasileiros e a desastrosa pol\u00edtica de marketing dos nossos cartolas.<\/p>\n<p>O marketing a que me refiro n\u00e3o \u00e9 entulhar a tv, os jornais, a Internet, de comerciais exaltando o produto, nada disso. \u00c9 a capacidade de analisar o mercado, com sintonia fina, e oferecer \u00e0 pra\u00e7a o melhor produto, na dose exata da necessidade e expectativa do consumidor. Empanturr\u00e1-lo com porcarias em excesso n\u00e3o o satisfaz, s\u00f3 provoca indigest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 isso o que acontece com a nossa Sele\u00e7\u00e3o de uns tempos pra c\u00e1. Tornou-se um produto indigesto.<\/p>\n<p>Ora, diante disso, o clubismo atingiu o paroxismo na mente do torcedor brasileiro, que passou a ver apenas o resultado como imperador dos campos. Por sua vez, os clubes, pressionados por um calend\u00e1rio est\u00fapido e pelo resultado, n\u00e3o conseguem apresentar um futebol (produto) de acordo com nossa antiga identidade, o que gera receitas baixas, obrigando-os a negociar com os mercados mais ricos seus melhores jogadores &#8211; na maioria, meninos ainda &#8211; o que resulta numa queda crescente de qualidade do espet\u00e1culo (produto).<\/p>\n<p>Forma-se ent\u00e3o o c\u00edrculo vicioso que, como um buraco negro, engole a Sele\u00e7\u00e3o, pois ela concentra a expectativa geral.<\/p>\n<p>Observe o amigo a seguinte situa\u00e7\u00e3o: o torcedor brasileiro, que era, antes de tudo, um sujeito alegre transformou-se num mal-humorado renitente. Basta percorrer as m\u00eddias sociais pra ver.<\/p>\n<p>Sim, sei bem que isso n\u00e3o se resume ao brasileiro torcedor de futebol que, como sempre repito, \u00e9 um espelho da sociedade.<\/p>\n<p>Mas, sempre foi no futebol que o brasileiro descarregou suas atribula\u00e7\u00f5es, transformando-as em 90 minutos de plena paix\u00e3o e alegria. Os campos eram o espa\u00e7o destinado \u00e0 catarse e \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o, como gostam de dizer os entendidos. Porque, ali, a galera se via realizando uma obra de fino artesanato, divertida, cheia de dribles criativos, passes exatos sempre em dire\u00e7\u00e3o ao arco advers\u00e1rio, manobras coletivas inteligentes e harm\u00f4nicas, inventivas. O Brasil, com a bola nos p\u00e9s, finalmente avan\u00e7ava, pelo menos nesse campo da atividade humana. E avan\u00e7ava com sua pr\u00f3pria cara, seu pr\u00f3prio engenho, algo por n\u00f3s mesmos inventado e desenvolvido a n\u00edveis inconceb\u00edveis pelo resto do mundo.<\/p>\n<p>O Brasil, ent\u00e3o, a partir do final do s\u00e9culo passado recuou, acinzentou-se e cedeu a alegria\u00a0 ao mau humor que percorre as tais redes sociais, a ponto de afastar o torcedor do seu s\u00edmbolo maior e agregador &#8211; a camisa amarelinha.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que Tite conseguiu amenizar essa situa\u00e7\u00e3o, com aquela arrancada prodigiosa nas Eliminat\u00f3rias que caminhavam, antes dele, para um desfecho tr\u00e1gico. E o fez acrescentando uma pitada de talento e agressividade ao time.<\/p>\n<p>Claro que nossa Sele\u00e7\u00e3o pode chegar l\u00e1. \u00c9 uma das tantas favoritas ao t\u00edtulo, num torneio de tiro curto em que o acaso tem for\u00e7a extra. Assim, tudo depende do momento.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o basta o hexa, como n\u00e3o bastaram as conquistas de 94 e 2002, para reincutir na alma nacional a velha paix\u00e3o.\u00a0 \u00c9 fundamental que nossa Sele\u00e7\u00e3o complete a conquista oferecendo um espet\u00e1culo digno de nossas tradi\u00e7\u00f5es perdidas.<\/p>\n<p>E, c\u00e1 entre n\u00f3s, desconfio que esse time pode, sim, faz\u00ea-lo. Pode. N\u00e3o quer dizer que vai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sele\u00e7\u00e3o acaba de se apresentar em Teres\u00f3polis para iniciar sua prepara\u00e7\u00e3o final em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Copa da R\u00fassia. 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